Após o incêndio que atingiu parte da Blue Zone da COP 30, em Belém, a escultura conhecida como “dragão-onça” passou a ser citada nas redes sociais como suposta responsável pelo ocorrido. Publicações de perfis religiosos e grupos radicais atribuíram à peça símbolos bíblicos e afirmaram que o fogo seria um “sinal divino”. As alegações não têm qualquer fundamento, e a causa do incêndio segue em investigação pelas autoridades. A escultura é um presente diplomático da China, voltado a simbolizar cooperação, proteção e biodiversidade amazônica. A obra está exposta na Praça da Bandeira, área da Freezone Cultural Action. VEJA MAIS China presenteia Brasil com escultura na COP30, mas obra gera críticas de evangélicos; veja Obra que mistura dragão e onça vira alvo de críticas religiosas e é acusado de ter ‘simbolismo demoníaco’ 13 pessoas são atendidas após inalar fumaça em incêndio na COP 30, diz ONU Incidente provocou evacuação imediata da Blue Zone e levou a ONU a avaliar possível transferência de delegações para a Green Zone A obra, chamada “Espírito Guardião Dragão Onça”, foi criada pelo artista chinês Huang Jian e entregue ao Brasil durante a COP 30. Ela representa uma criatura híbrida formada por: Dragão — símbolo tradicional da China, associado à sorte, força e sabedoria; Onça-pintada — símbolo brasileiro, ligado à floresta amazônica. Na escultura, a figura abraça um globo com a inscrição “COP 30”, reforçando a mensagem de união entre os países e proteção da floresta. A peça não tem qualquer conteúdo religioso ou simbologia bíblica. Mesmo assim, logo após as primeiras imagens serem divulgadas, perfis passaram a publicar comentários como “está repreendido” e “o Brasil é do Senhor Jesus”. Críticos alegaram que os chifres e dentes pontiagudos dariam à figura um visual “demoníaco”. Alguns chegaram a defender que o presente fosse devolvido, alegando que a obra traria “maldição” ao país. [instagram=DRSt9kbDWrG] Entre os que se manifestaram está o apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. Em postagem, ele afirmou que“o dragão com chifres é o símbolo bíblico do engano e do poder contrário a Deus”, citando trechos do livro do Apocalipse. Ele criticou ainda a fusão entre dragão e onça, dizendo que não refletiria a tradição cristã brasileira. As causas do incêndio ainda não foram confirmadas pelas autoridades.