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'Day After' da COP 30: fármacos são o 'próximo ouro', diz presidente da Assobio

Presidente da Associação dos Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia destacou no Lib Talks o potencial de plantas como jaborandi e ibogaína para o mercado global de medicamentos e saúde

Gabriel da Mota
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A bioeconomia foi o tema central da fala de Paulo Reis, presidente da Assobio (Associação dos Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia), durante o Lib Talks realizado nesta quinta-feira (22). O encontro debateu a necessidade de transformar o entusiasmo da COP 30 em políticas públicas de longo prazo para a região.

Reis ressaltou que o maior desafio após o evento climático é garantir que a população local se aproprie das oportunidades geradas. Ele defende que o investimento público deve atuar como indutor para reduzir riscos e atrair o capital privado para cadeias produtivas sustentáveis.

“Esse é o meu maior medo: que a população local não se aproprie daquilo que foi a COP. A gente se animou com o momento. Depois do dia 23 de novembro, o meu medo é que a gente esqueça completamente e trate como se fosse a torcida indo para a Copa do Mundo. Repensar que tipo de negócio, de indústria e de dinheiro a gente consegue ir atrás na Amazônia. Hoje, a nossa matriz ou é de coisas muito básicas, ou é de uma economia que é um tiro no pé: essa economia do desmatamento e de exploração infinita dos recursos naturais”, explicou.

Potencial farmacêutico da biodiversidade

Para o executivo, o futuro econômico da floresta está "além da superfície" de produtos tradicionais como o açaí e o cacau. Ele aponta o setor de fármacos e medicamentos como a grande fronteira para o desenvolvimento regional, citando exemplos de substâncias já utilizadas em tratamentos oftalmológicos e de dependência química.

“Posso dar dois exemplos: uma planta chamada jaborandi tem um precipitativo chamado plocarpina, que uma boa parte do mundo já está usando para tratamento de problemas oftalmológicos. Outro é uma planta chamada ibogaína, que tem um princípio ativo que pode ser usado para combater vícios em opioides, por exemplo. Isso é só um exemplo do quanto a gente tem uma biodiversidade muito abundante. É importante dizer que é uma biodiversidade criada. Uma boa parte da Amazônia, na verdade, é uma floresta criada. Tem exemplos mais caseiros como a castanha e a andiroba. A lista é infinita”, detalhou.

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