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'Day After' da COP 30: arquiteto Juliano Ximenes critica ideia de 'nova Belle Époque'

No Lib Talks desta quinta (22), Juliano Ximenes alertou que idealização do passado esconde problemas urbanos e racismo estrutural na capital

Gabriel da Mota
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O arquiteto, urbanista e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Juliano Ximenes, participou do segundo Lib Talks de 2026 nesta quinta-feira (22), na sede do Grupo Liberal, no bairro do Marco, em Belém. Durante o painel sobre o "'Day After' da COP 30", o especialista questionou a comparação das obras recentes com o período áureo da borracha.

Para Ximenes, a expectativa criada em torno de uma suposta nova era de ouro para a capital paraense ignora as mazelas históricas do início do século XX. Ele pontuou que o legado das intervenções urbanas precisa ser analisado de forma crítica, especialmente quanto à qualidade e ao objetivo social das obras.

“Eu me lembro de um dono de pousada falando assim: 'Nós estamos vivendo a nova Belle Époque'. É muito engraçado, porque teve uma expectativa por uma coisa que as pessoas não sabem nem o que é. Essa ideia da 'bela época' foi uma coisa inventada posteriormente. Tem uma idealização muito grande dessa virada do século XIX para o XX, como se tivesse sido um período todo maravilhoso. Teve coisas muito ruins: racismo, discriminação da população cabocla, espancamento, expulsão, negação da nossa identidade, do carimbó... enfim, foi terrível”, analisou.

Obras de concreto e saúde ambiental

O urbanista também demonstrou preocupação com o modelo de construção civil adotado em grandes projetos de macrodrenagem. Ximenes destacou que, no mundo, 35% das emissões de gases de efeito estufa decorrem deste setor, o que exige um planejamento mais sustentável para cidades amazônicas.

“O problema ambiental do Brasil, no sentido da mudança do clima, não é de matriz energética majoritariamente, mas sim de uso da terra. Falta reforma agrária, há grilagem de terra, desmatamento ilegal, passa por aí. Isso, junto com o fato de a gente constatar que 35% das emissões decorrem da construção civil, dá um estatuto de gravidade para essas intervenções urbanísticas, porque você acaba desmatando, concretando, asfaltando e demandando esses materiais terríveis e generalizados no mundo, que são o asfalto e o concreto. A gente tem uma tendência a fazer obras muito rentáveis para o empreendedor do setor, mas que são de mau desempenho ambiental”, criticou.

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COP 30
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