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COP 30: Brasil define mapas para fim do desmatamento até novembro

O embaixador André Corrêa do Lago detalha metas para transição de combustíveis fósseis e financiamento climático global para nações em desenvolvimento

Gabriel da Mota
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O embaixador André Corrêa do Lago trabalha para concluir, até novembro deste ano, os mapas do caminho para o fim do desmatamento global e para a transição dos combustíveis fósseis. A iniciativa faz parte do legado da presidência brasileira no espaço das Nações Unidas (ONU) para a ação climática e antecede a realização da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 31), marcada para ocorrer entre 9 e 20 de novembro, em Antália, na Turquia. O objetivo central é possibilitar uma queda expressiva nas emissões de gases do efeito estufa, responsáveis pelas mudanças climáticas.

As ações brasileiras buscam assegurar que os avanços da COP 30, realizada em Belém, sejam absorvidos pela preparação da conferência seguinte.

"Nós queríamos assegurar que o que nós achamos que são alguns dos principais legados da COP 30 sejam plenamente entendidos e absorvidos pela preparação da COP 31. Há uma conscientização de que as COPs entram numa nova fase, que é a que a gente está chamando de fase de implementação", explicou André do Lago em entrevista à Agência Brasil.

Segundo o diplomata, é necessário maximizar as ações no curto tempo indicado pela ciência.

Embaixador defende foco na implementação de acordos globais

Um dos pontos centrais do trabalho é a transição para longe dos combustíveis fósseis, tema que gera debates intensos no cenário internacional. O embaixador esclareceu que a proposta do roadmap (mapa do caminho) partiu de uma dimensão política lançada pelo presidente Lula. Embora uma iniciativa da Colômbia tenha reunido cerca de 85 países, o Brasil propôs o mapa formal para este ano visando cumprir o consenso estabelecido anteriormente em Dubai.

"O roadmap que nós estamos propondo é como implementação de uma decisão de Dubai, que apareceu no documento final da COP 28, que traz a ideia de transição. Para que nos esforços para cumprir com o consenso de Dubai sejam o mais construtivo possível, porque se você vai numa direção muito radical, você também dá argumentos para aqueles que não querem discutir sobre o assunto", afirmou o embaixador.

Divergência geopolítica entre potências trava debate sobre energia

O cenário geopolítico também influencia a velocidade das mudanças. Lago destacou a diferença de posturas entre as duas maiores potências econômicas mundiais: Estados Unidos e China. Enquanto o governo norte-americano atual mantém uma posição de preservação do status quo, baseada na sua força como potência de petróleo e gás, a China tem investido na transição energética como estratégia econômica.

"Há essa aposta muito clara da China na transição e a aposta do governo norte-americano de manter as formas tradicionais de produção de energia. Alguns autores dizem que você só pode entrar nessa transição se você tiver o domínio sobre esses materiais", relatou Corrêa do Lago. Essa divergência impacta diretamente as negociações globais sobre clima e energia.

Brasil busca US$ 1,3 trilhão para financiar transição global

Além dos mapas sobre desmatamento e fósseis, a presidência brasileira prioriza o aperfeiçoamento da estrutura de financiamento climático. A meta é atingir o valor de US$ 1,3 trilhão anuais para apoiar a transição em países em desenvolvimento. O trabalho envolve a identificação precisa de fontes de recursos e a distinção entre o que é verba climática e o que se destina à biodiversidade.

"Nós estamos agora, esse ano, complementando o trabalho do ano passado com um aperfeiçoamento de números sobre as fontes possíveis de recursos para chegar a US$ 1,3 trilhão em financiamento para a transição dos países em desenvolvimento. Essa imprecisão não está ajudando a confiança dos países", destacou o diplomata.

O Brasil trabalha em conjunto com o Grupo Independente de Especialistas de Alto Nível em Mudanças Climáticas (IHLEG) e um conselho de economistas criado especificamente para a COP 30.

A presidência brasileira mantém aberta, até o dia 31 de março, uma chamada global para receber contribuições de países, observadores e partes interessadas sobre os mapas do caminho. O legado de Belém é visto como uma etapa inovadora que busca transformar o processo multilateral de negociação em ações práticas de implementação climática.

Metas e prazos da agenda climática

Prazo para contribuições: até 31 de março para sugestões sobre os mapas do caminho

Meta de financiamento: US$ 1,3 trilhão por ano para países em desenvolvimento

COP 31 na Turquia: de 9 a 20 de novembro de 2026

Países na Convenção do Clima: 193 nações participantes

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