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ÁREAS PRESERVADAS

Belém: santuários verdes oferecem respiro na capital mundial do clima

Mangal, Utinga e Bosque Rodrigues Alves guardam fauna e flora amazônicas e estão abertos a visitantes com programações especiais durante a COP 30

Gabriel da Mota

20 de novembro de 2025 às 11:00

Mangal das Garças, em Belém

Mangal das Garças, em Belém ( Foto: Foto: Wagner Santana | O Liberal )

Belém, capital paraense e metrópole amazônica, prova que a natureza pode coexistir em harmonia com o cenário urbano. Em meio à efervescência da cidade que recebe a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), verdadeiros "santuários verdes" oferecem um refúgio para a fauna e flora locais, proporcionando um respiro essencial para seus moradores e visitantes. Com uma biodiversidade rica e paisagens de tirar o fôlego, esses pontos de encontro e conscientização oferecem programação especial durante a conferência.

Mangal das Garças é o encontro da cidade com a várzea

Localizado às margens do rio Guamá, no bairro da Cidade Velha, o Mangal das Garças é um dos cartões-postais mais queridos de Belém. O parque zoobotânico é um complexo que integra a beleza da flora nativa da várzea com arquitetura e equipamentos de lazer e contemplação. É um habitat vital para aves pernaltas, marrecas, quelônios e répteis, destacando-se a presença majestosa das garças-brancas-grandes e dos vibrantes guarás vermelhos, que fazem o espetáculo da revoada ao entardecer.

As atrações são variadas: o borboletário Reserva José Márcio Ayres é um viveiro dedicado à criação e conservação de borboletas e beija-flores, onde o público pode interagir de perto com mais de cinco mil borboletas adultas. O Viveiro das Aningas permite a observação de mais de 35 espécies de aves. 

Mangal das Garças
Foto: Wagner Santana | O Liberal
Foto: Wagner Santana | O Liberal

No coração do Mangal, há o complexo do Farol de Belém: uma torre de 47 metros de altura que oferece dois níveis de observação com uma vista panorâmica espetacular do parque, da cidade e do rio. Recentemente reaberto após reformas e modernização, o Mirante do Rio também proporciona uma visão ampla do rio Guamá e do centro histórico, avançando sobre a vegetação nativa da várzea.

Parque do Utinga é um dos pulmões de Belém

Com seus impressionantes 1,3 mil hectares de floresta amazônica, o Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna é um verdadeiro pulmão verde de Belém. Esta unidade de conservação é crucial não apenas por sua relevância ecológica e beleza cênica, mas também por proteger os mananciais que abastecem grande parte da capital. O parque oferece uma imersão na natureza com atividades que estimulam a saúde, o lazer e a educação ambiental.

O local usufruiu de uma área cheia de biodiversidade dentro da capital paraense.
O local usufruiu de uma área cheia de biodiversidade dentro da capital paraense (Foto: Ivan Duarte | Arquivo O Liberal)

Os visitantes podem desfrutar de uma extensa trilha principal pavimentada, com cerca de 4 km, perfeita para caminhadas, corridas e passeios de bicicleta. Para os mais aventureiros e amantes da natureza, há cerca de 11 trilhas ecológicas de mata mais fechada, onde a observação da fauna (incluindo mamíferos e répteis) e flora é intensa, muitas vezes exigindo o acompanhamento de um condutor ambiental. O parque também é palco de atividades esportivas contratadas, como rapel, boia-cross e tirolesa. 

O jardim zoobotânico Bosque Rodrigues Alves

Fundado há 142 anos, o Bosque Rodrigues Alves - Jardim Zoobotânico da Amazônia é um patrimônio histórico e ambiental com 15 hectares que preserva um fragmento de floresta nativa no bairro do Marco. É um dos parques urbanos mais antigos do Brasil, sendo classificado como jardim botânico e jardim zoológico.

Bosque comemora 407 anos de Belém com entrada gratuita.
Bosque fica localizado no bairro do Marco, bem próximo ao Parque da Cidade, onde ocorrem as principais discussões oficiais da COP 30 (Foto: Ivan Duarte | Arquivo O Liberal)

Com mais de 10 mil árvores e uma fauna diversificada, o bosque abriga cerca de 435 animais de 29 espécies em cativeiro (como o peixe-boi amazônico, jacarés e macacos) e outras em liberdade ou semiliberdade, incluindo araras. 

O espaço também é um ponto de efervescência cultural e educativa. Em sintonia com a conferência do clima, o Bosque sedia a exposição "Dando Voz à Amazônia: Arte, Ciência e Preservação na COP 30", que celebra os trabalhos da artista inglesa Margaret Mee e do paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, estabelecendo um diálogo direto entre a arte e a conservação da natureza. A programação especial de novembro inclui ainda demonstrações de técnicas de sobrevivência na selva por parte do Exército Brasileiro, reforçando o conhecimento e a importância da Amazônia. 

SERVIÇO

Mangal das Garças

Localização: passagem Carneiro da Rocha, s/n - Cidade Velha

Funcionamento especial: todos os dias da semana, das 8h às 18h.

Acesso: gratuito para visitação do parque e do Mirante do Rio.

Farol de Belém: ingresso de R$ 9 (inteira) e R$ 4,50 (meia).

Gratuidade: crianças até 7 anos, pessoas maiores de 60, autistas e PCDs

Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna

Localização: av. João Paulo II, S/N - Curió-Utinga

Funcionamento especial: aberto todos os dias de novembro, das 6h às 17h

Acesso: gratuito

Atividades: trilhas, passeios de bicicleta e a Feira da Biodiversidade

Bosque Rodrigues Alves

Localização: av. Almirante Barroso, 2305 - Marco

Funcionamento especial: todos os dias de novembro, das 8h às 16h

Ingresso: a entrada custa R$ 2 (inteira)

Meia-entrada: crianças de 7 a 12 anos pagam R$ 1

Gratuidade: crianças de até 6 anos, idosos e pessoas com deficiência (PCDs)

Eventos durante a COP 30

  • Exposição “Dando Voz à Amazônia: Arte, Ciência e Preservação na COP 30”, até o fim de novembro
  • Exposição do Exército Brasileiro, até o dia 21 de novembro