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EMPREENDEDORISMO

Renovação no mercado: aprendizado ganha força na formação de novos profissionais

Empresas juniores se tornam cada vez mais ambientes de pesquisa e experiência produtiva na criação de mão de obra qualificada no Pará

Abílio Dantas

18 de dezembro de 2020 às 20:27

Professor Franco Silva, da Unifesspa, diz que as empresas na cadeia da mineração estão se modernizando no Estado

Professor Franco Silva, da Unifesspa, diz que as empresas na cadeia da mineração estão se modernizando no Estado ( Foto: Patrício Rocha / Ascom Unifesspa )

Com o objetivo de fomentar o aprendizado prático de jovens universitários nas áreas em que escolheram atuar, as empresas juniores são um caminho de renovação e fortalecimento do setor produtivo brasileiro. São associações civis sem fins lucrativos, formadas e geridas por alunos de um curso superior, como informa o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com o intuito de aproximar o mercado de trabalho das universidades e da trajetória dos acadêmicos.

No Pará, a modalidade possui a Federação Paraense de Empresas Juniores (Pará Júnior) e iniciativas de sucesso em diversas regiões.

“É um ambiente de aprendizado para o empreendedorismo”, demarca o pesquisador e engenheiro aeronáutico e mecânico Franco Jefferds dos Santos Silva, professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

De acordo com ele, a relação entre iniciativa privada e academia deve ser vista como um encontro de expansão de conhecimentos. “A cooperação com a universidade constitui uma oportunidade de extensão junto à sociedade, principalmente, junto às empresas da região onde futuramente estes alunos poderão atuar como profissionais ou mesmo como novos empresários”, ressalta.

A empresa júnior deve funcionar com os mesmos desafios das outras empresas que estão no mercado prestando serviços em projetos e desenvolvimento de produtos, explica o professor. A diferença é a ligação do modelo de empreendimento com a universidade e a participação de um professor ou professora como orientador dos graduandos. O fato das empresas estarem ligadas aos cursos permite que haja a extensão tecnológica e social com suporte científico.

“Também é um ambiente com enormes oportunidades para a inovação. Por estarem diretamente atuando no mercado, os alunos, ainda durante seus cursos de graduação, já têm contato com profissionais que estão no mercado de trabalho e estabelecem as chamadas networks e cooperações. A partir daí desenvolvem competências que irão facilitar a entrada nesse mercado depois que se formarem”, demarca o professor Franco.

Para o pesquisador, a criação de modelos de negócios inovadores parece ser uma vocação natural do Pará, o que explica o surgimento de oportunidades características da região amazônica, que podem ser aproveitadas pelas empresas juniores.

“É difícil dizer onde devem investir nesse momento, mas penso que a chamada Economia do Conhecimento deve ser o norte. Nessa direção as empresas que estão trabalhando com energias renováveis estão tendo bons resultados, também as atuações que trazem aplicação de novas tecnologias para questões como saneamento, saúde pública e educação oferecem oportunidades interessantes”, alerta o especialista.

INOVAÇÃO

Em Marabá, onde leciona na Unifesspa, o professor Franco aponta que as empresas na cadeia da mineração estão se modernizando rapidamente e trazem muitas oportunidades para as empresas juniores. “É muito importante olhar para a inovação, sobretudo aquela que se associa às enormes oportunidades nas áreas ambiental e cultural da região amazônica. Por exemplo, uma bioeconomia que se beneficie do interesse na preservação e no desenvolvimento da região deve resultar na criação de novas e importantes empresas”, defende.

A principal dica para os jovens que pretendem se engajar em uma empresa júnior, para Franco, é ter perseverança. “Ter disposição, muita disposição, sempre encarar os desafios como oportunidades de aprendizados. É importante também conhecer as normas relacionadas a abertura de uma empresa júnior (EJ). A parte administrativa das EJs é sempre um desafio. Ser criativo e buscar novos métodos para alcançar os resultados desejados é importante. O Movimento das Empresas Juniores ajuda bastante nesse quesito no início das EJs”, aconselha.

No Brasil, o Movimento das Empresas Júniores (MJE) é representado pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores, a Brasil Júnior. De acordo com a entidade, em 2018, os jovens empreendedores foram responsáveis por faturamento de quase R$ 30 milhões em todo o país.

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