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Futuro: valor da floresta que não tem preço

Apoio científico a cooperativas de manejo reforça a sustentabilidade na Amazônia

Dilson Pimentel

Um projeto que tem como trunfo uma liderança feminina engajadora e transformadora - e que preserva a floresta. Assim é a Cooperativa dos Extrativistas da Flona de Carajás (Coex), iniciativa apoiada pela Vale. Criada em 2006 – quando foi batizada, inicialmente, de Cooperativa Jaborandi, até mudar de nome, em 2011 -, a Coex Carajás é hoje uma das mais atuantes cooperativas de manejo a contribuir para a preservação de áreas de floresta da Amazônia. E tudo isso com a força da coleta das folhas do jaborandi e de sementes nativas, que são usadas na indústria farmacêutica e para ações de reflorestamento.

Mas nem sempre o seu manejo teve experiências sustentáveis na Amazônia. A coleta, em geral, era feita sem a preocupação com a preservação. Retiradas de qualquer forma, as folhas eram vendidas para atravessadores a preços baixos. O jaborandi é considerado ouro verde. Mas também é assim para aqueles que conhecem a importância e o seu valor para a biodiversidade, muito além do econômico: é uma das espécies que, desde 1999, faz parte da lista de ameaçadas de extinção da flora brasileira. A junção da coleta inadequada à retirada da vegetação, para diferentes finalidades econômicas, contribuiu para este quadro.

Colheita folhas de jamborandi na Flona Carajás (Ascom ICMBio)

Uma economia das sementes

Por isso, o apoio científico da Vale e do Instituto Tecnológico Vale contribui para fortalecer o manejo adequado da espécie junto aos cooperados. A cooperativa atua mais recentemente com a coleta de sementes de várias outras espécies nativas, usadas em processos de reflorestamento pela Vale.

Desde que os cooperados começaram a exercer essa atividade, mais de 350 espécies de sementes já foram comercializadas. E essa é uma demanda com grande potencial no Brasil, já que existem cerca de 19 milhões de hectares que precisam ser recuperados. Com a criação do novo código florestal, e a necessidade de recuperação dessas áreas desmatadas, abriu-se uma nova oportunidade para os chamados povos da floresta: a economia das sementes.

Esse recurso já tem ajudado a complementar a renda de várias famílias de cooperados, exercendo um papel importante de geração de renda. As sementes coletadas na Flona de Carajás podem ser utilizadas em projetos de restauração com finalidade ecológica e em projetos de reflorestamento com fins econômicos, para produzir madeira de qualidade ou produtos florestais não madeireiros.

Floresta Nacional de Carajás (João Marcos Rosa Nitro)

As sementes e mudas seriam, assim, o primeiro elo na criação de uma economia florestal e agroflorestal que promove o desenvolvimento sustentável e ainda permite ao Brasil cumprir seus compromissos ambientais internacionais. Toda a variedade coletada pelos cooperados é adquirida pela Vale e empregada em ações de recuperação de áreas mineradas ou de compensação ambiental realizadas pela empresa.

Atividades geram renda e conservação no sudeste paraense

Além de gerar renda de forma sustentável, as atividades de cooperados com apoio técnico e científico têm contribuído para a conservação da Amazônia no sudeste do Pará. Em 2019, a Cooperativa dos Extrativistas da Flona de Carajás (Coex Carajás) também foi selecionada para o Programa de Aceleração de Negócios da PPA (Plataforma Parceiros pela Amazônia), apoiado pelo Fundo Vale, e recebeu mentorias em gestão financeira e administrativa de negócios, logística, comercialização, marketing e mensuração de impacto.

Além disso, recebeu investimento, por meio de empréstimo com condições facilitadas, para conseguir dar um salto em suas operações. O programa, que se desenvolveu e virou atualmente a AMAZ Aceleradora de Impacto, busca fortalecer o empreendedorismo na Amazônia e os negócios que trazem benefícios sociais e ambientais para a região.

Supervisor do Parque Zoobotânico Vale (PZV), Cesar de Sá Carvalho Neto destaca a histórica parceria da cooperativa com o ISES (Instituto de Socioeconomia Solidária), que permitiu o fortalecimento da gestão administrativa e financeira, a reformulação do estatuto, construção de um galpão e também o repasse, para os cooperados, de uma caminhonete.

Uma outra parceria com a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) também foi voltada ao conhecimento da biologia do jaborandi, com diversas linhas de pesquisas. Já a parceira com o ITV (Instituto Tecnológico Vale) ajuda o mapeamento de reboleiras (áreas com alta densidade de plantas de jaborandi) na Flona de Carajás. Além disso, pesquisas voltadas ao teor de pilocarpina, além de estudos genéticos e de fenótipos do jaborandi, reforçam as ações.

“Hoje 100% das mudas produzidas no viveiro florestal da Vale em Carajás são fornecidas pela Coex. Portanto, a Coex faz o extrativismo vegetal, principalmente folhas de jaborandi e sementes florestais”, ressalta Cesar de Sá Carvalho Neto.

As iniciativas de cooperados da Coex Carajás têm recebido ainda apoio do Instituto Tecnológico Vale para o trabalho de diversificação da matriz econômica, para a logística da retirada das folhas e no estabelecimento de contratos de compras de sementes florestais com a Vale.

Coex: bases para diversificar e criar novas matrizes econômicas

Presidente da Coex Carajás, Ana Paula Ferreira entrou na cooperativa como estagiária. Hoje em dia, é uma liderança reconhecida da instituição. São 40 cooperados. Ela é a única mulher. Segundo Ana Paula, o cooperativismo gera renda e traz resultados positivos para os cooperados - e também para as comunidades.

Ao falar do trabalho de coleta de sementes realizado na Floresta Nacional de Carajás, Ana Paula resume seu sentimento de restauração da vida, e de potência para contribuir com cenários que garantam dias melhores para a humanidade. A presidente da Coex diz que uma das funções da cooperativa é diversificar e criar novas matrizes econômicas e preparar os associados em diversas atividades. “Seja com a folha, semente ou qualquer outro produto florestal não madeireiro”, resume.

Reportagem
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