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Floresta amazônica: natureza no combate às mudanças do clima

Pesquisas relacionadas à conservação da biodiversidade na região, realizadas pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV), podem gerar impacto socioeconômico para a população

O Liberal

A floresta amazônica é um dos principais ativos do Brasil e representa uma das maiores soluções baseadas na natureza no combate às mudanças do clima, pelo sequestro de carbono promovido pela vegetação. E, para apoiar o desenvolvimento das comunidades locais e a Vale em seus compromissos, o Instituto Tecnológico Vale (ITV) gera pesquisas relacionadas à conservação da biodiversidade na região, recuperação florestal e monitoramento do carbono emitido e sequestrado pelas florestas presentes nas propriedades da empresa. “Estudamos ainda de que forma estas ações podem gerar impacto socioeconômico para a população, além dos impactos ambientais”, diz a engenheira florestal Sâmia Nunes, pesquisadora do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITV DS).

Unindo geração de renda para a comunidade, diversidade de espécies vegetais, retorno de fauna, melhoria do solo e, consequentemente, captura de carbono, a recuperação de florestas via sistemas agroflorestais (SAFs) têm sido uma das principais oportunidades identificadas pela empresa para atingir a meta de recuperação de florestas e apoiar o desenvolvimento sustentável da região, afirma Sâmia, que coordena as pesquisas relacionadas ao tema de recomposição florestal em propriedades rurais privadas.

Os SAFs são plantios mistos de espécies florestais e agrícolas que podem representar investimentos de impacto socioambiental positivo como estratégia para promoção do desenvolvimento local e, ao mesmo tempo, o alcance da meta de recuperação florestal da empresa.

Meta

Pensando no agora e no futuro, a Vale anunciou recentemente um compromisso de tornar-se neutra em emissões de carbono até 2050. Ou seja, a empresa precisa promover ações tanto de redução de suas emissões de gás carbônico, como de sequestro deste gás da atmosfera e de compensação de emissões. A meta voluntária é ainda recuperar 100 mil hectares de florestas, proteger outros 400 mil e reduzir em 33% a emissão de carbono até 2030.

Floresta amazônica (Agência Pará)

Segundo Rosane Cavalcante, também pesquisadora do Instituto Tecnológico Vale, a forma mais eficaz de mitigação das mudanças climáticas é evitar as emissões de carbono de todas as fontes. E isso inclui as emissões devido às mudanças de uso do solo, como desmatamento e degradação florestal, que correspondem a quase metade das emissões do Brasil.

De forma simplificada, as árvores sequestram dióxido de carbono do ar por meio da fotossíntese. Uma parte é usada para crescimento da biomassa (tronco, galhos, folhas e raízes) e outra é transportada pelas raízes até o solo, onde microrganismos são responsáveis por criar complexas e estáveis formas de carbono. No caso de desmatamento e incêndios, essa grande quantidade de carbono nas florestas é perdida, emitida para a atmosfera, agravando o aquecimento global.

Para ter noção da importância atual do problema, entre 2000 e 2020 a taxa de desmatamento mundial dobrou, principalmente de áreas de florestas tropicais. Adicionalmente, florestas jovens em recuperação podem sequestrar uma grande quantidade de carbono atmosférico à medida que crescem. “Portanto, reflorestar áreas anteriormente desmatadas é uma tecnologia já existente para capturar carbono atmosférico”, diz Rosane Cavalcante.

A pesquisadora ressalva que há limitações, principalmente relacionadas à grande extensão de área necessária. Mas aumentar esses estoques garante algum tempo para desenvolver uma economia de baixo carbono. Muitas áreas de florestas já estão crescendo (acumulando carbono) e continuarão por algumas décadas, desde que não sejam queimadas ou desmatadas para a pecuária, agricultura ou outros usos. Essas ações de reflorestar e conservar podem trazer ainda diversos benefícios adicionais, como proteção à biodiversidade, manutenção do ciclo hidrológico e aumento da resiliência das comunidades frente aos impactos das mudanças climáticas.

Rosane acrescenta que a Vale auxilia na proteção de unidades de conservação na Amazônia, o que irá auxiliar na manutenção dos estoques de carbono existentes nessas áreas, além do aumento dos estoques nas áreas recuperadas. A ação é feita de modo a gerar impacto socioambiental positivo e impulsionando negócios da região por meio da atuação do Fundo Vale.

Instituto Tecnológico Vale busca quantificar estoques de carbono

O Instituto Tecnológico Vale, localizado em Belém, trabalha diretamente buscando quantificar os estoques de carbono existentes nas florestas e outros serviços ecossistêmicos prestados por estes ambientes, analisando diferentes formas de recuperação florestal e identificando locais onde a recuperação traz mais benefícios, buscando formas de monitoramento dessas áreas, entre vários outros estudos.

Trecho da Floresta Amazônica na costa do Amapá (Ricardo Moraes / REUTERS)

O pesquisador Rafael Valadares, do ITV, diz que conservar a floresta em pé e explorar sistemas de manejo que sejam produtivos, porém conservativos, são importantes para manter o carbono estocado tanto nas árvores quanto no solo.

O carbono fica estocado na madeira das árvores, nas folhas, nas raízes e também na matéria orgânica. A fração mais escura do solo é chamada de húmus, um importante reservatório de carbono na sua forma orgânica. O incêndio nas florestas e o excesso de fertilizantes são práticas que aceleram a queima da matéria orgânica liberando CO2 para a atmosfera, importante gás do efeito estufa.

Pastagens com excesso de animais ou uso excessivo de máquinas também favorecem a compactação do solo, diminuindo o oxigênio disponível e favorecendo a liberação de carbono na forma de metano (CH4).

Solo responde por 75% do carbono estocado na terra

O solo responde por 75% do carbono estocado na terra - quase três vezes mais do que na biomassa de plantas vivas. Ou seja, solos bem manejados são uma excelente maneira de conservar carbono na forma orgânica, diminuindo a emissão de gases do efeito estufa e contribuindo para o mercado de crédito de C.

Fumaça proveniente de incêndio na floresta amazônica perto de Humaitá (AM) (REUTERS/Ueslei Marcelino)

As reações bioquímicas por trás da liberação de carbono (via dióxido de carbono ou metano) ou manutenção na forma de húmus são mediadas por microrganismos. “No laboratório de proteômica do Instituto Tecnológico Vale, nosso objetivo é identificar esses microrganismos e descobrir o que eles estão fazendo em cada tipo de solo, seja da floresta nativa, áreas de recuperação ou sistemas agroflorestais”, diz Rafael.

Para isso, são utilizadas técnicas moleculares capazes de identificar e quantificar genes e proteínas do solo. Essas proteínas são mapeadas em rotas bioquímicas para reconstruir os processos em cada tipo de ambiente. “Assim, podemos desvendar quais são os processos mais ativos em cada ambiente, identificar marcadores moleculares ligados à fixação de carbono no solo, reconhecer condições ambientais e indicar práticas de manejo que favorecem o estoque de carbono no solo em detrimento da perda”, completa.

Reportagem
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