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TANTO MAR: REGISTROS E IMPRESSÕES DE PORTUGAL

Por Anna Carla Ribeiro

Quinzenalmente, a jornalista paraense Anna Carla Ribeiro, que está residindo em Lisboa, irá apresentar locais, pessoas e tradições bem marcantes de Portugal, que tem íntima relação com o Brasil e os paraenses. O conteúdo também está disponível em Oliberal.com.| anna.ascom@gmail.com

Música paraense invade a noite de Lisboa

Show de Os Amantes e Lucas Estrela agitou público na famosa Pink Street

Anna Carla Ribeiro

Era uma terça-feira, 26, no meio da Rua Nova do Carvalho, a famosa Pink Street, em Lisboa. Do lado de fora da casa de shows Music Box, parecia ser um dia como qualquer outro: uma grande movimentação de pessoas em busca de diversão – afinal, a Pink Street é um ponto forte da boemia da capital portuguesa. Porém, do lado de dentro, um público ansioso aguardava para ouvir um som um tanto familiar para nós, paraenses. Era naquela noite que a Music Box receberia os papa-chibés Os Amantes junto com Lucas Estrela. 

“É a primeira vez que a gente toca aqui em Lisboa e estamos muito felizes”. Foi assim que o guitarrista Lucas Estrela, famoso pelos seus álbuns instrumentais que transmitem a experiência de viver na Amazônia, iniciou o show, acompanhado do guitarrista Leo Chermont e do baterista Arthur Kunz, que compõem a banda Strobo e que integram, junto com o vocalista Jaloo, o grupo Os Amantes. 

Música paraense em Portugal

Logo o público foi agraciado por uma sequência de sons instrumentais que tinham como matéria prima a guitarrada e uma boa pitada de tecnobrega. Porém, o Pará não estava ali apenas por aquele som singular, que logo agitou o público. Não, não, havia mais. O Pará estava ali estampado nas camisas de Arthur Kunz e Leo Chermont – que traziam na estampa diversas pequenas imagens do Mestre Verequete -, nas blusas de botão masculinas e nos vestidos recheados de flores e cores fortes, no grito de “égua tédoidé” que algum espectador soltou em meio ao público e que logo foi acompanhado por um “endoida você-sabe-o-quê”. 

Após o público ser agraciado por uma boa dose de guitarrada, surgiu o segundo momento da noite: saiu Lucas Estrela e entrou Jaloo no palco, para a apresentação de Os Amantes. Havia ali um fascínio de ver a naturalidade de um artista como ele, que une talento e presença de palco como se estivesse a brincar em algum canto de Castanhal, a sua cidade natal. “Aviso aos navegantes: o show só começou”, alertou Jaloo, que começou cantando “Linda”, uma das músicas mais famosas do trio.   

Enquanto paraense residente em Lisboa, muito me impressionou a empolgação do público que, em sua grande maioria, dificilmente já puseram os pés no nosso Estado. Porém, pareciam conhecer o swing de uma guitarrada original ou até mesmo alguns pontos turísticos únicos para nós, como Cotijuba, que virou tema de um dos hits de Os Amantes, intitulado com o mesmo nome da famosa ilha. Muitos sabiam – eu vi - a música toda de cor. Também percebi dois gringos de nacionalidade desconhecida – só constatei que falavam em inglês – comentando que ouviam naquela noite um som interessante justamente por ser completamente distinto das músicas que eles costumavam ouvir.  

O show dos Amantes conseguiu misturar com muita classe, agitação e doses de romantismo não só músicas do grupo, mas também sucessos autorais de Jaloo, como “Insight”, um clássico internacional - “I Wanna Fall In Love”, de Chris Isaak – e até uma pequena palhinha do famoso carimbó “Lua Luar”, que finaliza a música “Chuva”, também de Jaloo. Para completar, o público ainda ouviu em primeira mão a música “Além de um sonho bom”, que ainda será lançada oficialmente pelo trio. 

Era visível o orgulho de paraenses que, como eu, acompanharam desde o início a trajetória musical dos artistas envolvidos, tocando há anos em bares e shows de Belém. “Estamos há muito tempo numa batalha para fazer as coisas acontecerem. Logo no primeiro show, no Porto, tocamos uma música que nunca deixamos de tocar, desde o primeiro show. Naquele momento, lembrei quando estávamos em estúdio, todos lascados, lá no comércio de Belém, tocando essa mesma música. Eu acho que é sobre isso. Continuar numa batalha”, destacou Leo Chermont.       

Já Arthur Kunz ressaltou a responsabilidade de representar o Pará fora do país. “Às vezes a gente nem se sente digno a isso. Mas lembrando da nossa carreira, acho que fizemos um dever de casa para estar aqui”. Vale lembrar que os artistas que atualmente se lançaram em turnê pela Europa trazem em sua bagagem a experiência de trabalhos em parceria com grandes lendas da música paraense, como o “Rei da Guitarrada” Mestre Vieira, falecido em 2018. 

A turnê de Os Amantes e Lucas Estrela, promovida pela também paraense Se Rasgum Produções, antes de chegar em Lisboa, já tinha passado pela cidade do Porto, em Portugal, e pela Espanha. Depois de Lisboa, a turnê seguiu para a França e, no início de agosto, irá para a Alemanha. 

Uma coisa é certa: o Pará continua quente. Não só pelo seu clima altamente tropical ou pelas suas comidas fortemente apimentadas, mas também pela sua música facilmente contagiante, que atravessou o oceano Atlântico e invadiu a Europa para aquecer os corações e os quadris de estrangeiros e brasileiros que já aguardam ansiosamente o retorno de novas experiências musicais da região.

 

Tanto Mar: Registros e impressões de Portugal
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