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SILVIO NAVARRO

Formado em jornalismo, acompanhou os principais fatos políticos do país nas últimas duas décadas como repórter do jornal Folha de S.Paulo em Brasília e na capital paulista, editor de Veja e âncora da Jovem Pan. É comentarista político da RedeTV! e escreve para a revistaoeste.com e o jornal O Liberal. Autor do livro "Celso Daniel - Política, corrupção e morte no coração do PT". | silvionavarrojornalista@gmail.com

A via dos que não foram

Silvio Navarro

11 de maio de 2022. É inacreditável que a esta altura do calendário eleitoral alguns partidos ainda tentam emplacar manchetes de festim sobre uma terceira via capaz de furar a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e Lula. Já virou perda de tempo e pode ter um custo alto para siglas tradicionais como MDB e PSDB e o novo União Brasil – fusão de PSL e DEM.

O cálculo é simples: qual a chance de candidatos como João Doria (PSDB), Simone Tebet (MDB) e Luciano Bivar (União), ou até Eduardo Leite (PSDB), conseguirem uma decolagem meteórica e tirarem do páreo pelo menos um dos principais adversários em 90 dias? Como "jamais" e "sempre" são palavras proibidas no dicionário político, a chance é praticamente nula.

A esse grupo ainda se soma Ciro Gomes, do PDT. É sempre o favorito à medalha de bronze nas eleições que disputa. É provável que Ciro vá até o fim por dois motivos: 1) queimou pontes com Lula e o PT; 2) ele é daqueles políticos que realmente acreditam que nasceram para ser presidente e perseguirá isso até o término da carreira.

Das legendas que seguem em cima do muro, o MDB já deu sinais de que deve jogar a toalha primeiro. A tendência é que o comando da sigla apoie a reeleição de Bolsonaro apesar de dissidentes pontuais como Renan Calheiros (AL) e seus amigos no Senado. Sem líderes nacionais nem nos principais colégios eleitorais do país, o MDB decidiu se dedicar às bancadas do Congresso.

O União deve seguir um caminho similar. A grande praça estadual em jogo é a Bahia, onde ACM Neto tem caminho duro pela frente, mas chances de vitória. Em Mato Grosso, coração do agronegócio brasileiro, o partido apoiará Bolsonaro, e ele a reeleição do governador Mauro Mendes. No Amazonas, idem.

O drama é maior no PSDB. A agremiação saiu rachada como nunca da disputa interna entre Doria e Leite. Como o ex-governador paulista permanece estacionado nas pesquisas, a situação é de impasse. Parte dos dirigentes nacionais defendem que a sigla não tenha candidato à Presidência e concentre suas forças nas eleições estaduais – a possibilidade de perder o Palácio dos Bandeirantes depois de três décadas, por exemplo, tira o sono de muitos tucanos.

Resta ainda o Podemos, que tentou pavimentar a candidatura do ex-juiz Sergio Moro ao Palácio do Planalto, mas ficou à deriva com a súbita saída dele do partido. Moro vai tentar uma cadeira no Congresso.

O fato é que quanto mais as legendas derem corda à natimorta terceira via e a ambições individuais, mais os candidatos a deputado, governador e afins têm dificuldade para colocar suas campanhas na rua. Isso vale tanto para arranjos políticos locais, como apoio financeiro e alinhamento de discurso. Dia 2 de outubro está logo ali.

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Silvio Navarro
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