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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Pedagoga formada pela Faculdade Estácio de Sá - FCAT, Auditora e Consultora Empresarial e Técnica em Administração e Contabilidade, Mentora Feminina, Coaching, Formação em PNL e Oratória. Começou a carreira como Administradora, depois se apaixonou pela arte de treinar pessoas e desenvolvimento na área pessoal e emocional. É autora da coluna de Inteligência Emocional do O Liberal Castanhal. | patymops@gmail.com

inteligência emocional

As gambiarras da nossa vida

Patrícia Caetano

24 de julho de 2026 às 15:46

Lembro de, ainda criança, assistir ao seriado MacGyver. Eu ficava fascinada com sua capacidade de transformar um clipe, um pedaço de arame ou fita adesiva em soluções improváveis. O improviso era seu maior talento. Na ficção, quase sempre dava certo. Na vida real, nem sempre.

A gambiarra faz parte da nossa cultura. Nasce da criatividade, da necessidade e, muitas vezes, da falta de recursos. É o papel que firma a cadeira, a fita isolante que protege o fio, o balde sob a torneira que insiste em pingar. Em muitos momentos, ela resolve. O problema começa quando o improviso deixa de ser temporário e passa a substituir o conserto.

Percebi que fazemos exatamente isso com a vida. Criamos gambiarras emocionais para evitar o que exige coragem. Escondemos a tristeza atrás de um sorriso, adiamos conversas importantes, normalizamos relacionamentos desgastados e acreditamos que o tempo resolverá problemas que, na verdade, dependem de uma decisão.

Toda gambiarra tem prazo de validade. Ela não elimina a causa do problema; apenas adia suas consequências. E, quando falha, o prejuízo costuma ser maior do que teria sido se o reparo tivesse acontecido na hora certa.

A mesma lógica aparece nas empresas que resistem às mudanças até serem vencidas pela crise, nas famílias que aprendem a conviver com o silêncio, nas amizades mantidas apenas pelo hábito e nas pessoas que tratam sintomas, mas ignoram a origem de suas dores. O que não é resolvido na raiz dificilmente permanece firme.

Nossa sociedade valoriza soluções rápidas. Queremos respostas imediatas para problemas complexos. Mas nem a vida, nem os relacionamentos, nem o caráter se fortalecem com improvisos. Estruturas sólidas exigem manutenção, coragem e disposição para enfrentar aquilo que está quebrado.

Jesus contou a parábola de duas casas que pareciam iguais. A diferença só apareceu quando veio a tempestade. A construída sobre a rocha permaneceu de pé; a edificada sobre a areia desabou. O problema nunca foi a chuva, mas o alicerce.

Talvez essa seja a pergunta que todos deveríamos fazer de tempos em tempos: em quais áreas da minha vida estou construindo sobre a rocha e em quais estou apenas fazendo gambiarras? MacGyver nos ensinou que o improviso pode salvar uma emergência. A vida, porém, ensina que ninguém constrói uma história inteira sobre remendos.

Porque toda gambiarra tem seu limite. Mais cedo ou mais tarde, ela cede. E somente a verdade, o cuidado e a coragem de enfrentar a origem dos problemas são capazes de construir uma vida que permaneça firme quando as tempestades chegarem.

PATRÍCIA CAETANO 
patymops@gmail.com 
@patyccaetano