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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Pedagoga formada pela Faculdade Estácio de Sá - FCAT, Auditora e Consultora Empresarial e Técnica em Administração e Contabilidade, Mentora Feminina, Coaching, Formação em PNL e Oratória. Começou a carreira como Administradora, depois se apaixonou pela arte de treinar pessoas e desenvolvimento na área pessoal e emocional. É autora da coluna de Inteligência Emocional do O Liberal Castanhal. | patymops@gmail.com

inteligência emocional

Mexeram no seu hoje...não no seu amanhã

Patrícia Caetano

15 de setembro de 2026 às 17:00

Modificado em 16 de setembro de 2026 às 11:39

Outro dia me peguei pensando em como temos facilidade para transformar um dia ruim em uma previsão para a vida inteira. Alguma coisa acontece hoje e, em poucos minutos, nossa cabeça já visitou os próximos cinco anos. E, claro, quase nunca para imaginar coisas boas. Uma pessoa muda, uma porta se fecha, um projeto não acontece, alguém toma uma decisão que nos afeta sem sequer nos consultar e pronto: o que era um acontecimento vira uma sentença. Foi quando essa frase ficou martelando em mim: mexeram no seu hoje, não no seu amanhã. 

E talvez eu também precisasse ouvi-la. Porque uma coisa é alguém ou alguma circunstância alterar o que eu havia planejado. Outra, completamente diferente, é permitir que isso determine tudo o que ainda posso viver. Demorei para entender que ser forte não é não sentir. Hoje, força, para mim, é sentir sem deixar que aquilo que estou sentindo assuma a direção da minha vida. É chorar sem fazer da tristeza endereço. É se decepcionar sem transformar todo mundo em suspeito. É receber um “não” sem concluir que nunca haverá um “sim”.

Talvez a maturidade emocional comece quando paramos de perguntar apenas “por que fizeram isso comigo?” e passamos a perguntar: “o que eu vou fazer comigo depois disso?”. Essa pergunta muda o lugar que ocupamos na própria história. Há situações sobre as quais não teremos controle. Não decidimos quem fica, não impedimos todas as perdas e nem conseguimos manter abertas todas as portas. Por mais que tentemos organizar a vida, algumas mudanças chegam, puxam a cadeira e sentam à nossa mesa sem convite. Só não precisam ganhar a chave da casa. E eu não vou dizer simplesmente que “vai ficar tudo bem”, porque há momentos em que essa frase parece pequena demais. Algumas dores precisam de tempo, silêncio, coragem, oração e até lágrimas para encontrarem um novo lugar dentro da gente.

 Mas existe algo que aprendi: não se deve medir o tamanho do amanhã pela dor de hoje. Quando estamos machucados, temos uma péssima mania de escrever finais: “Nunca mais.” “Acabou.” “Não consigo.” “Perdi minha chance.” Será? Quantas vezes você já pensou que não suportaria alguma coisa e, tempos depois, percebeu que não apenas atravessou, mas saiu de lá sabendo coisas sobre si que jamais aprenderia em dias tranquilos? Talvez seja por isso que eu tenha tanto respeito pelos recomeços. Recomeçar não é voltar ao zero. Ninguém retorna de uma travessia do mesmo jeito que entrou. Levamos cicatrizes, mas também discernimento. Aprendemos limites, fazemos perguntas melhores e descobrimos uma coragem que talvez nem soubéssemos que existia. Então, se mexeram no seu hoje, cuide do hoje. Chore o que precisar, resolva o que estiver ao seu alcance, ore sobre aquilo que você não controla, reorganize os planos e mude a rota, se necessário. Mas não antecipe o luto de um futuro que ainda nem aconteceu. Talvez a vida não esteja acabando. 

Talvez esteja apenas deixando de acontecer do jeito que você imaginou. E perder o roteiro não significa perder a história. Há capítulos que terminam sem a nossa permissão e portas que se fecham quando ainda fazíamos planos para ficar. Dói. Mas não é o fim só porque não foi como você queria. O hoje pode ter sido atravessado por decisões que não foram suas. O amanhã, não. Por isso, não dê àquilo que feriu você um poder que nunca lhe pertenceu. Mexeram no seu hoje. Não entregue a eles também o direito de escrever o seu amanhã.

Patrícia Caetano
patymops@gmail.com 
@soupatriciaccaetan