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Océlio Moraes

O.J.C. MORAIS

PhD em Direitos Humanos e Democracia pelo IGC da Faculdade de Direito Coimbra; Doutor em Direito Social (PUC/SP) e Mestre em Direito Constitucional (UFPA); Idealizador-fundador e 1º presidente da Academia Brasileira de Direito da Seguridade Social (Cad. 01); Acadêmico perpétuo da Academia Paraense de Letras (Cad. 08), da Academia Paraense de Letras Jurídicas (Cad. 18) e da Academia Paranaense de Jornalismo (Cad. 29) e escritor amazônida. Contato com o escritor pelo Instagram: @oceliojcmorais.escritor

Océlio de Morais

As montanhas do bem e do mal; as flores e os beija-flores

Océlio de Morais

22 de setembro de 2026 às 08:06

Por que a flor atrai o beija-flor e as abelhas?  Não é por questão estética.  Nem é por acaso. A razão é outra. O sentido também é outro. Ambos estão na ordem da natureza das coisas. 

A botânica e ecologia reprodutiva das plantas têm uma explicação: as flores silvestres (ou ornamentais) atraem os beija-flores e as abelhas, porque oferecem néctar abundante e pólen. Isso é resultado do sofisticado e extraordinário processo evolutivo conhecido como síndrome de polinização, aquelas adaptações morfológicas — também chamados atratores florais e recompensas — para garantir o êxito  reprodutivo (a transferência de pólen entre indivíduos da mesma espécie).

Então, a razão é essa: a interdependência entre a natureza e os seus seres. E o sentido é este:  o êxito  reprodutivo, através das ações polinizadores. 

E assim a vida no ecossistema se  autossustenta e se renova: a flor depende das abelhas e dos beija-flores para a disseminação da sua espécie. Estes, por sua vez,  dependem  do néctar  (uma fonte energética de carboidratos) e pólen (que é rico em proteínas e lipídios para alimentar suas larvas) das flores  também para sobreviver. 

Assim corre  nas relações humanas. As pessoas se atraem e se relacionam conforme suas virtudes, aqui entendidas como valores  éticos ou, por viés, se relacionam de acordo com desvirtudes.  Por toda a caminhada da vida os relacionamentos nascem, se fortalecem e se perpetuam, nas conformidades dos objetivos comuns que edificam o bem. Por outro viés, os relacionamentos  se rompem ou se quebram devido aos choques entre valores antagônicos.  Ou, ainda, as pessoas podem se associar motivadas por  outros interesses que não regiamente éticos.

Na estrada da vida – podem observar – nossas escolhas (o nosso livre arbítrio) vão formatando duas espécies de montanhas: 
Uma  é a montanha do bem, que atrai como as flores, porque o seu “néctar” são as virtudes do amor, da fraternidade, da caridade, da solidariedade, da amizade, da honestidade.  São o néctar das virtudes. 

A outra é a montanha do  mal, que  – da sua base ao cume – é composta pela ira, inveja, orgulho, egoísmo,vingança, ódio e pelos desvios éticos. São o veneno que destroem a vida.

Os componentes de cada uma dessas montanhas resultam das escolhas humanas. Assim como os beija-flores e as abelhas são atraídos pelo néctar e pólen das flores, assim também as duas montanhas projetam suas referências à sociedade.

A montanha do bem é reluzente e atrai pessoas do bem. E o convívio entre pessoas íntegras promove a serenidade da alma, perpetuando frutos que o tempo não consome.

Por outro lado, a montanha  do mal atrai pessoas da mesma natureza e o convívio entre elas é sempre traiçoeiro, porque o mal gera desassossego, falta de paz, inquietação, aflição ou agitação à alma.  As duas montanhas nos colocam diante da filosofia moral e da condição existencial humana.

Por fim, observemos bem isso para refletirmos sobre qual  das montanhas é o nosso espelho, pois a  vida social é um ecossistema moral: colhemos exatamente o "néctar" que decidimos produzir e ofertar na estrada da existência.