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LUÍS ERNESTO LACOMBE

Formado em jornalismo, trabalha desde 1988 em televisão. Foram 20 anos na Rede Globo e passagens pela Rede Manchete e Bandeirantes. Hoje, tem dois programas na Rede TV!, dois projetos na internet e ainda é colunista de três grandes jornais do país. É autor de quatro livros, um deles best seller. Em 2021, venceu o prêmio Comunique-se, o mais importante da área de Comunicação no Brasil, em duas categorias. | lacombe@brasilmediahouse.com

SOBRE UM CARTAZ

Recebi a foto por aplicativo de mensagens durante a última edição do programa dominical que apresento na internet. Aliás, foram três fotos do mesmo cartaz em manifestações aparentemente em cidades diferentes. Mais um primeiro de maio em verde e amarelo... Um mesmo cartaz, com uma frase de Winston Churchill: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”. Abaixo dela, a foto de dez comunicadores, a foto de jornalistas! Eu estava entre eles, em companhia que muito me honra: Alexandre Garcia, Augusto Nunes, Cristina Graeml, Ana Paula Henkel, Rodrigo Constantino...

A frase de Churchill, proferida em discurso na Câmara dos Comuns em 1940, se referia aos aviadores britânicos que resistiam aos ataques nazistas durante a Segunda Guerra. Naquele cartaz nas manifestações pelo Brasil, nenhum de nós é um piloto de caça em meio a uma guerra. Não a que se trava com aparato bélico, com bombas e tiros. Porque, sim, há uma guerra. Ainda assim, não somos nós heróis de nada. Somos combatentes posicionados, não somos militantes. Talvez sejamos. Nossa militância eterna é pela única forma de jornalismo possível: aquela que respeita os fatos, que mergulha na realidade, que conta todos os lados da história. O jornalismo que respeita a curiosidade, a desconfiança, que pergunta e permite que perguntem, que preserva e estimula o senso crítico, o debate.

Legenda ()

A questão é que inventaram um conceito segundo o qual basta alguém enxergar meia qualidade no governo para se tornar “bolsonarista”. Daí a ser chamado de negacionista, genocida, fascista e nazista é um pulinho. A turma no cartaz é pacífica, mas não pacifista. Não foge à luta pela verdade, não apela para conjunções adversativas para diminuir acertos e conquistas. Fala de problemas reais, enxerga soluções a caminho e também os inevitáveis tropeços, que não são aumentados, desvirtuados e endereçados a um único culpado, numa guerra política suja.

Há uma turma grande que não relativiza o conceito de liberdade, que poderia estar em muitos cartazes, em muitas manifestações. Ainda que eu consiga estranhar a lembrança, a homenagem, o agradecimento feito no último primeiro de maio. Se o jornalista trabalha com histórias reais e ainda em movimento, mais do que ninguém, tem a obrigação de defender a democracia, a liberdade de expressão, o devido processo legal, a Constituição... É nosso dever, ou seremos militantes, seres passionais, cegos, intolerantes, reféns dos nossos próprios desejos.

O objetivo principal será sempre informar da maneira correta, com clareza, objetividade, coloquialidade. Qualquer posicionamento só pode ser aceito quando baseado no mundo real. E objetivos inaceitáveis são todos aqueles que, como escreveu Alexandre Garcia, “escapam da vocação natural e da obrigação do jornalismo: estar em defesa vigilante dos valores éticos, humanos e legais que nos mantêm em civilização, livres de qualquer tipo de totalitarismo”. Se há jornalistas homenageados em manifestações é porque há os que não merecem reconhecimento... E todo jornalista deveria ter o compromisso com a verdade, o único caminho para a liberdade.

Luis Ernesto Lacombe
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