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LUÍS ERNESTO LACOMBE

Formado em jornalismo, trabalha desde 1988 em televisão. Foram 20 anos na Rede Globo e passagens pela Rede Manchete e Bandeirantes. Hoje, tem dois programas na Rede TV!, dois projetos na internet e ainda é colunista de três grandes jornais do país. É autor de quatro livros, um deles best seller. Em 2021, venceu o prêmio Comunique-se, o mais importante da área de Comunicação no Brasil, em duas categorias. | lacombe@brasilmediahouse.com

OS DEUSES IMBECIS

Luis Ernesto Lacombe

Ah, os imbecis. Eles estão por aí, estão em toda parte, desde que o mundo é mundo. Podem atuar isoladamente, podem se agrupar, aos milhares, aos milhões, ou em grupos menores, de dez, onze pessoas. O pior imbecil, claro, é aquele que não se sabe imbecil, que inventa inimigos e os trata como imbecis. É o tolo que se acha inteligente, o petulante dado a covardias. A internet não os criou. Imbecis, já falei, sempre houve e sempre haverá.

Podemos não ouvi-los, não prestar atenção neles, mas, supondo que somos democratas, defensores da liberdade, não podemos tentar calar, aniquilar os imbecis. Democracia é também dar voz a todo tipo de gente, e os imbecis são gente. É preciso deixá-los em paz nas suas imbecilidades que não infringem as leis. Até que um imbecil rasga as leis! Alguém desprovido de inteligência, já que desconsidero a existência de uma “inteligência do mal”. Ser do mal nunca me pareceu inteligente.

A internet deu voz a todo mundo, incluindo os imbecis. Não que eles não tivessem voz antes. Insisto, os imbecis sempre estiveram entre nós, metidos em todo tipo de atividade. Eles também têm poder, são encontrados em cargos importantes, podem mergulhar em qualquer imbecilidade, tentando revesti-la de bom senso, de caminho inescapável para aquilo que eles próprios não querem atingir, mas dizem defender. O imbecil é, quase sempre, um sonso, um fingido.

Há discursos, há manchetes, há decisões jurídicas que são tolices irritantes, engodo. Em todos os poderes, em todas as áreas, na imprensa, na cultura, na mídia, no ensino, em todo canto, prosperam indigência moral e miséria intelectual. E os imbecis juram que trabalham por um mundo melhor. Querem dirigir consciências e têm desprezo pelo debate, por argumentos, provas, pelo que está expresso com clareza na lei. Os imbecis podem não dar satisfação a ninguém.

O imbecil tem seus próprios interesses, que ele jura que são os interesses de todos (exceto daqueles que o imbecil considera imbecis...). São, definitivamente, os seus critérios que definem o verdadeiro e o falso, o certo e o errado, o bem e o mal, o legal e o ilegal, o bandido e o mocinho... O imbecil erra muito. E o perdão, muitas vezes, pode ser perigoso e levar a novos erros.

Certo é que não há lei que suporte um imbecil poderoso e suas “aventuras autoritárias”, em que, aliás, ele não se enxerga, em que enxerga o inimigo. O que fazer, então? Olavo de Carvalho escreveu: “Para aqueles mesmos que não se enxergam e por não se enxergarem se mostram, quando deviam ocultar-se. Faze o trabalho do espírito: mostra-os a si mesmos, para que os humilhe o que os lisonjeou um dia, e, tombando de quanto mais alto subiram, conheçam que humanos são”.

Luis Ernesto Lacombe
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