Em 2026, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo celebra uma trajetória de 50 anos dedicados à difusão da cultura cinematográfica, à descoberta de novos realizadores e à aproximação do público com diferentes cinematografias do mundo. A Mostra consolidou-se como um dos mais importantes eventos do calendário cinematográfico brasileiro, mantendo viva a vocação de apresentar filmes que ampliam nossos horizontes estéticos, culturais e humanos. Chegar à sua 50ª edição, com uma programação ao longo de cinco décadas, é uma conquista significativa para a cinefilia brasileira.
A importância da Mostra vai muito além da dimensão de um grande festival. Ela representa uma oportunidade de descobrir cinematografias que nem sempre encontram espaço no circuito comercial, conhecer obras inéditas no Brasil e acompanhar o surgimento de novos talentos do cinema mundial. Ao colocar em diálogo cineastas consagrados e realizadores emergentes, a programação estimula a curiosidade, a reflexão crítica e o prazer da descoberta, valores fundamentais para quem compreende o cinema como uma arte em permanente transformação.
A edição comemorativa de 2026 reúne centenas de produções de dezenas de países, oferecendo um panorama plural da criação cinematográfica contemporânea. Entre os destaques estão Tigre de Papel, de James Gray; Feito Pipa (foto), de Allan Deberton, produção brasileira reconhecida na seção Generation Kplus do Festival de Berlim; Everytime, de Sandra Wollner, premiado na mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes; e O Diário de uma Camareira, do romeno Radu Jude. São títulos que exemplificam a diversidade de olhares, linguagens e propostas artísticas que fazem da Mostra um espaço privilegiado para acompanhar os caminhos do cinema contemporâneo.
Também merece destaque a presença de produções que desafiam as convenções narrativas e estéticas, renovam gêneros cinematográficos e propõem novas maneiras de observar o mundo. A possibilidade de assistir a filmes que ainda não chegaram ao circuito comercial constitui um dos grandes atrativos do evento. Para o cinéfilo, cada sessão pode representar um encontro inesperado com uma obra, um realizador ou uma cinematografia capaz de transformar sua maneira de perceber o cinema.
Essa dimensão formativa é especialmente importante em um momento em que o consumo audiovisual se encontra cada vez mais condicionado pelas plataformas digitais e seus algoritmos de recomendação. A experiência de uma mostra cinematográfica convida o espectador a sair de sua zona de conforto, explorar territórios desconhecidos e descobrir filmes que dificilmente apareceriam em suas escolhas habituais. É também uma oportunidade de reafirmar a importância das salas de cinema como espaços de convivência, debate, formação cultural e compartilhamento de experiências.
A celebração dos 50 anos da Mostra ganha ainda mais significado com sua programação itinerante, que permite a públicos de outras cidades brasileiras entrar em contato com parte dessa rica seleção internacional. Em Belém, o Cine Líbero Luxardo recebe, pela terceira vez, uma versão compacta do evento, com 17 filmes da edição de 2026, entre os dias 22 e 28 de outubro. A seleção inclui produções de diferentes países e obras que abordam questões sociais, relações familiares, memória, luto e meio ambiente.
O público paraense não deve perder essa oportunidade de vivenciar a cinefilia em uma de suas expressões mais estimulantes. Até o dia 28 de outubro, o Cine Líbero Luxardo oferece a possibilidade de descobrir novos filmes, conhecer diferentes culturas e ampliar a experiência de ver e pensar o cinema. Prestigiar essa programação é também valorizar a sala de exibição como espaço de encontro com a diversidade do cinema.
Em seus 50 anos de história, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo reafirma que a paixão pela sétima arte se alimenta da curiosidade, da diversidade e da descoberta. Que os cinéfilos de Belém aproveitem a programação para celebrar o cinema na tela grande onde cada filme pode abrir uma janela para outros mundos.
Festival de Cinema Francês do Brasil
A 17ª edição do Festival de Cinema Francês do Brasil acontece de 29 de outubro a 11 de novembro de 2026, reunindo 21 filmes, entre produções inéditas no país, lançamentos recentes e dois clássicos da cinematografia francesa. O evento percorre mais de 50 cidades brasileiras e chega a Belém com sessões no Cine Líbero Luxardo e no Moviecom, oferecendo ao público paraense uma oportunidade de conhecer a diversidade e a criatividade do cinema francês contemporâneo.
Entre os destaques estão O Beijo Elétrico, de Pierre Salvadori; O Sentido da Vida, de Ryūsuke Hamaguchi; A Casa das Mulheres, de Mélisa Godet; e O Canto da Floresta, de Vincent Munier. A programação também recupera dois clássicos importantes: A Grande Escapada, de Gérard Oury, e a animação O Rei e o Pássaro, de Paul Grimault.
Dicas da semana
Itinerância da 50º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Até dia 28/10. Cine Líbero Luxardo).
Fausto de F. W. Murnau. Com Emil Jannings, Frieda Richard, William Dieterle. Homenagem aos 100 anos do lançamento do filme nos cinemas. Acompanhamento musical ao vivo com Paulo José Campos de Melo (Cineclube SINDMEPA. Dia 27/10. Horário: 19h. Entrada gratuita)


