Maior que a missão tem que ser a fé, amanhã, para bicolores e azulinos. O Papão trata como desafio o que já foi tratado como milagre, o acesso à Série B. O Leão está na luta, mas em inevitável processo de resignação pelo iminente rebaixamento.
O Brusque só precisa vencer para subir. O Paysandu precisa vencer o Brusque e ser beneficiado por vitória da Ferroviária sobre a Inter de Limeira. Difícil? Improvável? Não para quem tem fé, em plena véspera do Círio de Nazaré. O Papão tem energia divina, ditada pela crença fervorosa da sua torcida. Resta saber se terá competência, se fará por si para merecer benção, amanhã, 17 horas, em Santa Catarina. Idem o Remo contra o Vasco, no Rio de Janeiro, 18 horas, também neste sábado. Serão dois jogos simultâneos à Transladação, para as emoções de fiéis nazarenos, azulinos e bicolores, torcedores e secadores.
A conta pra Santinha
Planejamento mal elaborado, mal executado, decisões estratégicas equivocadas, irresponsabilidades... O sofrimento foi construído em pecados. Na hora "h" a conta vai para a Santinha. Ela é a esperança!
A crença de um povo é expressão de cultura, como também é traço cultural a paixão por esse ou aquele clube de futebol. Nesse contexto, os comportamentos têm desconto. É muito o caso das torcidas de Remo e Paysandu nos apelos à Padroeira por seus anseios, na mais firme convicção de que o futebol é a mais importante das coisas menos relevantes da vida.
BAIXINHAS
* O medo de errar é o que mais pressiona os atletas em jogos decisivos como os de hoje, fadados a produzir heróis e vilões históricos. Veremos insegurança no Leão, no Papão e nos adversários. Jogos assim mostram quem tem inteligência emocional para manter concentração e esmero técnico sob pressão.
* Estudos mostram que um atleta toma mais de 40 decisões por minuto, mais de 3 mil ao longo de um jogo de futebol em alto rendimento. Erros, portanto, são inevitáveis. Por isso, exige-se cada vez mais do cognitivo e da inteligência emocional desses atletas.
* Gilmar Nascimento (oposição) vai disputar a presidência do Remo com Glauber Gonçalves (situação) no dia 8 de novembro. Bom para o clube que vai ser debatido ao longo da campanha sobre o que foi feito nos últimos anos e propostas para o próximo triênio.
* Italo Carvalho, 18 gols em 42 jogos. O atacante do Paysandu teve seis dias de xodó da torcida, mas anda em baixa cotação. O jogo contra o Brusque pode ser o último pelo Papão, a não ser que saia de campo como herói do acesso. Ele está cedido pelo Volta Redonda com os direitos econômicos estipulados em R$ 1 milhão.
* Eduardo Melo, apenas oito jogos na temporada e três gols. A história do atacante no Remo está mais associada a lesões do que a presença em campo. Mas, ao entrar no jogo contra o Grêmio, mostrou que pode ser útil na reta final da Série A. Se confirmar a utilidade, pode até ficar para 2027. Quem duvida?
* A lesão muscular de Kukri mostrou aos críticos de Mazola Júnior que o atleta realmente não estava fisicamente pronto para servir ao time principal do Paysandu. O volante indígena perdeu ritmo de jogo (resistência) e depende muito da sua intensidade para ser produtivo. Vale a pena prepará-lo para 2027. Goleiro Gabriel Mesquita e o volante Pedro Henrique são os desfalques principais.
* Jajá vai compor o banco do Leão contra o Vasco. É que o atacante ainda não está pronto para um jogo inteiro. Se estivesse, seria titular com autoridade. Jajá é o atacante mais agudo do Leão e artilheiro do time na Série A com sete gols.
* Marcelo Rangel, Zé Ricardo, Picco, Yago Pikachu, David Braga, Victor Bueno, Jajá, Galeano, Gabriel Taliari. Jogadores do Remo com dois cartões amarelos. Se alguém deles tomar o terceiro contra o Vasco será desfalque contra o Bragantino, dia 18, em Belém.

