O Paysandu viveu as primeiras rodadas da Série C no conforto. Passou a viver drama e agora resta só uma simples apreensão. Afinal, basta um empate, em casa, contra o Maringá, para o avanço ao quadrangular do acesso.
A vitória sobre o Ituano teve efeito gigante como quase tudo em Itu. O time bicolor renovou a alma e vai turbinado à última rodada desta fase, determinado a chegar mais turbinado ainda ao quadrangular. De repente, as mazelas viraram energia positiva, com o Papão religado à tomada. Que comece, então, uma fase de luz, e que a próxima etapa da viagem tenha desembarque na Série B, no fim de semana do Círio de Nazaré.
Leão, acreditar ou não acreditar?
Há uma tendência natural à descrença. Afinal, pelas limitações no universo da Série A, o time do Remo não empolga, nem transmite confiança, mesmo sendo valente e aplicado taticamente. Então, cada insucesso convence fácil os mais descrentes, assim como cada sinal positivo renova esperanças. A paixão sempre maior que a razão!
A campanha do Leão Azul está dentro de uma realidade previsível. O desafio é surpreender. Atletas e comissão técnica, esses sim, têm que acreditar até o último momento, até porque têm preparação mental para isso. E sabem que manter o Remo na Série A é uma missão, não um milagre. Segunda-feira o Leão Azul vai fechar a 25a rodada em Belém, contra o Coritiba. Uma vitória vai valer três pontos fundamentais e a reacender a esperança.
BAIXINHAS
* Dos times que concorrem com o Remo na luta contra o rebaixamento, o Mirassol é o menos pressionado e o que tem maior tendência de crescimento. Vasco, Grêmio, Internacional, Santos e São Paulo devem viver dias mais infernais que o próprio Remo. Para esses clubes, rebaixamento é muito mais impactante.
* Remo tem média de 1,6 gol tomado por jogo. Só fechou três jogos sem ser vazado, contra Grêmio, São Paulo e Vitória. É o segundo time mais vazado do campeonato, superado somente pela Chapecoense. O Paysandu, na Série C, também é o segundo mais vazado (1,4 gol por jogo) superado somente pelo Maringá, próximo adversário.
* Pendurados com dois cartões amarelos no Remo: Marcelo Rangel, Marcelinho, Matheus Felipe, Leonel Picco, Zé Ricardo, Jajá, Yago Pikachu, David Braga. Cinco titulares e três reservas. Suspensões vindo por aí. Problema do Leão Azul e de quase todos os times do campeonato.
* Gustavo Henrique chegou, estreou e emplacou como líder da última linha defensiva, agora com três zagueiros: Pedro Carrerete, ele e Bruno Bispo. Se Júnior Rocha mantiver o sistema, a tendência é o crescimento de Edilson na ala direita. Na esquerda não há tanto o que esperar de Facundo Bonafazi ou de Luciano Taboca.
* Em atitude oportuna, o Paysandu desafia a torcida à lotação máxima do Mangueirão no sábado, contra o Maringá, para marcar a grande arrancada para o acesso. O jogo que se desenhou para condições dramáticas, vai ser disputado no conforto para o Papão, que confirma a classificação com empate, podendo avançar até com derrota, dependendo de terceiros.
* Estatísticas acusam mais de 12 mil acidentes com motos, mais de 1 mil fatais, por ano, no Pará. Jogadores profissionais de futebol que nos últimos nove anos perderam a vida em acidentes com motos no Pará: Gil Cametá, Thiago Marabá, Lucas Caroço, Marcelinho, Ewerton Moraes e, semana passada, Rafinha, ex-Bragantino, Tuna e Capitão Poço. Lukinhas, ex-Bragantino, Remo, Paragominas e Tuna, sobreviveu, mas perdeu a carreira no futebol.
* Moto é o transporte mais acessível aos jogadores do interior, mas também o mais perigoso, como atestam os fatos e os números. Em clubes grandes, atletas são proibidos no contrato de usar moto, saltar de paraquedas e de outras atividades de risco à integridade física ou à vida. Clubes do interior deveriam, pelo menos, oferecer palestra aos atletas a respeito de insegurança sobre duas rodas.

