Recuperação Judicial, asfixiante permanência na Série C (ainda não totalmente confirmada), eleições batendo à porta, desarmonia interna... O futuro do Paysandu parece sombrio. No mínimo, reserva uma gestão muito desafiadora para quem vencer a disputa eleitoral do dia 3 de novembro. Gerir o clube sob cobranças veementes por conquistas em campo, sob rédeas da Assembleia dos Credores e da Justiça, vai exigir liderança para restabelecer laços internos rompidos. O Paysandu virou missão para esforço conjunto de gente competente, altruísta e muito disposta. O futuro do clube vai depender muito do que irá acontecer nos movimentos políticos dos próximos 35 dias, até os associados irem às urnas. O Leão e a queda Confirmando-se a queda para a Série B, o Remo terá uma redução orçamentária acima de 50%. Mas, mesmo tendo que passar por rigoroso realinhamento financeiro, o time manteria uma base já prevista em contratos, como Tchamba (direito de renovação automática), Maiky, Marlon Matheus, Picco, Zé Welison, David Braga, Pikachu, Galeano, Taliari, Jajá, Jaderson. Possibilidades para Marcelo Rangel, João Lucas, Matheus Felipe, Victor Bueno e o técnico Thigo Carpini. Fonte expressiva da coluna diz que as permanências já previstas em contrato significariam cerca de R\$ 2,5 milhões mensais de salários. Margem, portanto, para contratações e saúde financeira do clube preservada. Sendo assim, o novo presidente a ser eleito no dia 8 de novembro (Glauber Gonçalves, Milton Campos ou outro) vai assumir o cargo com o vento a favor, mesmo na Série B. BAIXINHAS * Embora as informações sejam animadoras para os azulinos quanto saúde financeira do clube, há expectativa formada pela venda de um ou dois atletas ao final da Série A, como no caso do atacante Jajá. Vai depender muito do rendimento nessa reta final do campeonato. * Como o Paysandu pode chegar à última rodada do quadrangular com chances de acesso? Tem que vencer a Ferroviária e ser favorecido por um empate entre Inter de Limeira e Brusque. Assim, na última rodada, teria que vencer o Brusque em Santa Catarina, torcer por vitória da Ferroviária sobre a Inter e superar a Inter nos critérios de desempate. * Menos 12 milhões/ano para o Leão e menos R\$ 5 milhões/ano para o Papão. Claro que a proibição das Bets impacta as finanças dos dois principais clubes paraenses, mas os engrandece no sacrifício pela saúde pública. Afinal, impacto mesmo é o que vinha sendo causado pela jogatina nas famílias brasileiras. * A questão, porém, não se resume à defesa da integridade moral, clínica e financeira das pessoas, assim como a causa e os efeitos políticos. Tem aspectos legais que precisam ser resolvidos com urgência nos contratos de publicidade das Bets com clubes e empresas de comunicação. Tudo indica que isso ainda vai render... * Ítalo Carvalho tirou do Paysandu a pressão pela compra dos seus direitos econômicos junto ao Volta Redonda, ao final do empréstimo, por R\$ 1 milhão. O atleta, já muito festejado este ano, se queimou com a torcida. Juninho já havia murchado. A rigor, dos xodós, só Marcinho segue em alta. * Goleiro Clemer, vindo do Moto Club, e o volante Luis Carlos Goiano, vindo do Novorizontino, foram os atletas que decokaram jogando pelo Remo na 1a divisão brasileira de 1994. Clemer, ídolo do Inter, chegou à Seleção Brasileira. Goiano tornou-se um gigante na história do Grêmio. * Desta vez, o Remo na Série A é propulsor do lateral Marcelinho, que deverá ser disputado no mercado por 2027, assim como o goleiro Marcelo Rangel, que já seria alvo do Santos. Ambos, porém, estarão livres ao final deste campeonato para sair sem gerar resultado financeiro para o Leão Azul.