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Carlos Ferreira

CARLOS FERREIRA

Jornalista, radialista e sociólogo. Começou a carreira em Castanhal (PA), em 1981, e fluiu para Belém no rádio, impresso e televisão, sempre na área esportiva. É autor do livro "Pisando na Bola", obra de irreverências casuais do jornalismo. Ganhador do prêmio Bola de Ouro (2004) pelo destaque no jornalismo esportivo brasileiro. | ferreiraliberal@yahoo.com.br

Carlos Ferreira

É preciso compreender as decisões de Condé

Carlos Ferreira

31 de julho de 2026 às 10:21

( Foto: Thiago Gomes / O Liberal )

De 23 de julho a 22 de agosto, oito jogos e as viagens ao sudeste e ao sul do país. Essa maratona, no nível atual de intensidade do futebol, torna indispensável o controle de carga para os atletas. Se o Remo não poupar os mais fadigados vai comprometer rendimento físico e permitir lesões musculares. Léo Condé tem total razão quando fala disso para explicar escolhas contestadas.

É preciso considerar também que os atletas acabaram de sair de férias e intertemporada. Ainda não voltaram à plenitude física. Não compreender é fazer a menor questão de ser justo nos julgamentos, que é nossa obrigação. Por enquanto, também veremos muitas oscilações. Pikachu e Marcelinho, por exemplo, contribuíram muito na vitória sobre o Vitória, mas cairam de rendimento contra o Mirassol. Natural que seja assim, até que atinjam o nível necessário de resistência. Todos eles.

Ganhando sem produzir 

Castro no Paysandu, Catarozzi, Tassano e Cufré no Remo são jogadores que estão ganhando sem produzir, amparados pelos contratos que não honram. 

Esses jogadores cumprem rotina de trabalho à margem dos elencos, e os clubes pagam pelo erro ao contratá-los. O Remo já rasgou uma fortuna este ano com Carlinhos, Rafael Monti, Freitas e outros de quem conseguiu se livrar recentemente.

BAIXINHAS 

* Dos atletas descartados pelo Remo, Nico Ferreira está em alta no Ceará, Carlinhos está entrando no time do Athletic, assim como Diego Hernandez no Sport. Patrick de Paula está desempregado. João Pedro ainda não estreou no Atlético Goianiense porque o clube está cumprindo punição da FIFA: transfer ban. 

* Remo terá dupla inédita na zaga amanhã, contra o Santos, com Marlon e Matheus Felipe, já que Zé Ivaldo está impedido por cláusula contratual e Tchamba por lesão. Léo Andrade é a outra opção, mas para o banco. O Remo fará amanhã o seu jogo 112 na Copa do Brasil. Como visitante será o jogo número 59 na história da competição.

* Por pagamentos antecipados e as melhores condições de trabalho nos limites da sua estrutura, o Paysandu é um clube não correspondido por parte do seu elenco. É possível, porém, que as cobranças preventivas não tenham sido suficientes para evitar as farras que derrubaram o time como um todo.

* Como disse o técnico Júnior Rocha, quando alguns precisam correr por outros, é quebrado o sentido de unidade do grupo. Foi assim que o Papão desabou. O time que era admiravelmente aguerrido passou a ser vergonhosamente apático. Agora em sério risco de não se classificar ao quadrangular do acesso.

* Treinador de bolas paradas. Essa é uma função em crescimento de importância no futebol. O Mirassol tem Ivan Baitello, cujo bom trabalho se refletiu nos dois gols da vitória sobre o Remo em escanteios. Estudos mostram que 25% dos gols no futebol profissional no mundo derivam de escanteios, faltas e pênaltis. 

* A fase atual da Copa do Brasil (oitavas de final) paga R$ 3 milhões. O Remo já faturou R$ 5 milhões e se passar pelo Santos garante mais R$ 4 milhões. Além do faturamento em cotas da CBF, o Leão Azul lucrou nas bilheterias quase R$ 500 mil e deve lucrar mais de R$ 1 milhão na terça-feira, se tiver bom resultado amanhã, em Santos.

* O jogo Remo x Santos, na terça, será às 21:30, horário que geralmente afugenta público, a não ser que o jogo tenha grande apelo. Amanhã, na Vila Belmiro, a bola vai rolar às 21 horas, com o Remo ainda instável e o Santos em clima de tensão.