O Paysandu inverte a ordem do ditado e recebe a tempestade depois da imensa bonança do primeiro semestre, quando foi campeão do Parazão, da Copa Norte e da Copa Verde. A história mostra que Paysandu e Remo funcionam exatamente assim. Glórias na primeira metade do ano indicam sofrimento na segunda, e vice versa. O Papão de 2001 e o Leão de 2003 são exceções emblemáticas: sucesso o ano inteiro. Lembremos daquele timaço do Paysandu que brilhou na Libertadores. Havia fracassado no Parazão. O Leão que quase foi rebaixado no estadual de 2000 foi um enorme sucesso na Copa João Havelange, competição que substituiu o Campeonato Brasileiro, e chegou a festejar acesso à Série A, mas foi expurgado em ações de bastidores na CBF. Por que é assim? O sucesso é véspera do fracasso pelo estrago que as vaidades produzem. Torcedores promovem afagos exagerados nas redes sociais, críticas da imprensa recebem ataques, dirigentes deixam de se entender, os atletas menos responsáveis caem na farra... Esse é o combo da perda de rumo. Aí está o Paysandu como prova presente. O fracasso é véspera do sucesso porque implica em cobranças veementes, união de forças em ambiente de humildade e superação. Papão e Leão subiram para a Série B (2023 e 2024) quando estiveram ameaçados de rebaixamento e reagiram. É assim que funciona. BAIXINHAS * A Série C tem agravante. É uma competição rejeitada pelos bons jogadores, por questão de vitrine, de calendário e de grife. Então, clubes pressionados a contratar atletas acima da média da Série C, contratam quem está em recomeço ou veteranos, que só correspondem quando são muito profissionais. * O Paysandu atual juntou a falta de profissionalismo de alguns ao veneno das vaidades. O time que parecia nos trilhos, fadado a atropelar os concorrentes e subir à Série B com autoridade, foi descarrilhando e perdendo competitividade. Ainda está no páreo, mas dependendo de “milagre”. * Os fatos deveriam ensinar os clubes a gerir o sucesso. É quando deveria haver maior rigor no monitoramento e cobranças por responsabilidade profissional e compromisso com a causa do clube. No Paysandu, o zagueiro Castro virou símbolo dos desacertos com os castigos e “perdões”. O jogador não foi responsável e o clube nada profissional. * Idas e vindas nas eleições do Remo. Glauber Gonçalves será candidato se o presidente Antônio Carlos Teixeira não for à reeleição, hipótese que era dada como descartada, mas "Tonhão" diz que vem sendo muito estimulado a se candidatar. Milton Campos anunciou desistência, mas já admite disputar o cargo por manifestações dos que rejeitam Glauber. Enfim, temperatura subindo. * Marcelo Rangel estuda proposta de renovação com o Remo por mais três ou quatro temporadas. MR tem 131 jogos, dois acessos e um título estadual. O antecessor dele, Vinícius, chegou a 258 jogos, com um acesso e três títulos estaduais. * Danilo Peu passou oito meses no Paysandu, fez oito jogos, só um integral. Foi na derrota do Papão para o Guaporé, em Rondônia. Assim mesmo, o atacante já está com novo emprego, na Ponte Preta, "lanterna" da Série B, rebaixada à Série C. * Eduardo Melo, baiano, 25 anos, que o Remo trouxe do Caxias/RS, está no clube desde o final de agosto de 2025. Nesse tempo todo fez 13 jogos (só dois integrais) e só marcou quatro gols em um ano e um mês. Eduardo Melo segue no Leão Azul por causa das lesões que obrigaram o clube a mantê-lo empregado. É uma opção no elenco para o técnico Thiago Carpini.