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Carlos Ferreira

CARLOS FERREIRA

Jornalista, radialista e sociólogo. Começou a carreira em Castanhal (PA), em 1981, e fluiu para Belém no rádio, impresso e televisão, sempre na área esportiva. É autor do livro "Pisando na Bola", obra de irreverências casuais do jornalismo. Ganhador do prêmio Bola de Ouro (2004) pelo destaque no jornalismo esportivo brasileiro. | ferreiraliberal@yahoo.com.br

Carlos Ferreira

Constatação! Nosso amadorismo é conjuntural

Carlos Ferreira

11 de junho de 2023 às 05:45

( Foto: Jorge Luís Totti/Paysandu e Cristino Martins/O Liberal )

Basta passear na história dos clubes paraenses para constatar que o sucesso é véspera do fracasso. Por quê? Por um amadorismo conjuntural, sobretudo de mentalidade, no que nós, imprensa, estamos inseridos. 

Todos precisamos avançar dos "ques" para os "por ques". Temos que entender futebol como processo (etapa por etapa) e exigir projetos, em vez de ideias desconectas. O Paysandu de 2023, por exemplo, começou e continuou a montagem do elenco a partir de convicções individuais, em vez de critérios claros e unificados. Virou farra de contratações e dispensas. Queima de dinheiro. Amadorismo pleno! 

Amadorismo a ponto de não saber ganhar nem perder

É consenso no Baenão que o time do Remo desaprumou depois da vitória sobre o Corinthians. Fogueira de vaidades! Nas derrotas, detonação geral. Terra arrasada! Esse extremismo ocorre porque a própria direção do clube se deixa levar pela euforia ou pela depressão. Essa falta de equilíbrio, de sobriedade, traduz a falta de mentalidade profissional, que implica em não saber ganhar nem perder.

Remo e Paysandu têm os mesmos pecados e estão cercados de pecadores, inclusive dos intérpretes dos fatos. Ser "esculhambativo" nos comentários atende bem a torcedores magoados. Mas podemos dar melhor contribuição consultando especialistas, como fisiologistas, psicólogos, experts em mercado do futebol e gestão de clubes, para explicação dos porques dos fatos, especialmente num período de tantas agruras, como agora. A coluna tem tentado cumprir esse papel. 

BAIXINHAS

* Entra ano, sai ano, e seguimos com as mesmas práticas. Remo, Paysandu e demais repetem o que já deu errado, todos fazem questão de acreditar que vai dar certo, as análises e as consequências também se repetem.

* O ambiente é de tanto amadorismo que não há clima para um debate franco. Agressividade de uns e suscetibilidades de outros prevalecem. Já é um atrevimento do colunista abordar esse tema. 

* Definitivamente, temos que entender que o amadorismo do nosso futebol é conjuntural. Está impregnado no ambiente! Antes de acusar, todos precisam descobrir como dar melhor contribuição para a virada deste ciclo vicioso para o sonhado ciclo virtuoso.

* Na questão do sucesso como véspera do fracasso, basta observar os rebaixamentos logo depois dos acessos. A história das últimas três décadas mostra, com algumas exceções, que o campeão paraense dá vexame em seguida no campeonato brasileiro. Que não seja o caso do Águia, agora!

* "Lanterna" da Série C, o Remo dá sinais de reação, mas não passa dos sinais. Quem sabe hoje, em Goiás, contra a Aparecidense, que também vai mal..! Quem sabe?

* O Papão tem o alento dos sinais de declínio do São Bernardo para o jogo de portões fechados, nesta segunda, na Curuzu. Sem motivos para confiança, resta esperança à torcida bicolor.

* Tuna x Princesa do Solimões no Souza às 15 horas, Trem x Águia em Macapá uma hora depois. Emoções da Série D neste domingo. Grupo tem Nacional/AM em 1°, Águia em 2°, Tuna em 3° , Princesa/AM e São Raimundo/RR empatados, ocupando 4° e 5°  lugares.