Às vésperas do Círio de Nazaré 2026, vendedores de camisas temáticas em Belém apostam no aumento da circulação de consumidores nos próximos dias para impulsionar as vendas. Entre os produtos oferecidos, estão modelos para quem acompanha a procissão na corda, vestidos customizados e roupas infantis.
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No canteiro da avenida Pedro Miranda, o vendedor Frank Ribeiro, 53, trabalha há cerca de 20 anos com a comercialização de camisas. Embora mantenha peças de diferentes clubes ao longo do ano, ele afirma que os produtos relacionados ao Círio passaram a concentrar a procura nesta semana. “Agora, o que tá saindo é a [camisa] do Círio. Fora isso, o que mais sai é do Remo e Paysandu”, conta. Por esse motivo, ele também possui modelos que agregam as duas temáticas: camisas dos clubes rivais, ambas com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré.
Frank calcula que poderá vender aproximadamente 500 camisas relacionadas ao Círio até o fim da semana. Os produtos custam entre R$ 25 e R$ 50, e, segundo ele, os valores não foram aumentados por causa do período de maior procura. O vendedor espera que o movimento atinja o ponto máximo na véspera da grande procissão. “No sábado, acaba tudo”, afirma.

Depois disso, ele pretende acompanhar a movimentação de outros pontos da cidade. “No domingo, fico na Praça da República desde 6h, até meio-dia. Segunda, levo o que sobrar para a Estação das Docas”, relata. A clientela é formada principalmente por consumidores que já compram com Frank há anos. O período do Círio também amplia o público com a chegada de visitantes de outras cidades e estados.
Comércio ainda espera reação
No Mercado da Pedreira, a comerciante Graça Viana, 78, trabalha há quase quatro décadas. A avaliação dela sobre o movimento atual é menos positiva, embora a expectativa seja de recuperação nos próximos dias. “As vendas de camisas para o Círio sempre são boas, mas agora tá um pouco devagar”, afirma. Os preços variam conforme o modelo, de R$ 20 a R$ 50. A comerciante também oferece vestidos temáticos, vendidos por cerca de R$ 100, além de regatas entre R$ 25 e R$ 30.
A diferença entre os produtos está também no acabamento. Graça compra alguns vestidos em modelos básicos e faz a customização por conta própria, acrescentando detalhes relacionados ao Círio. “Eu compro ele bem simpleszinho, mas eu customizo todo”, explica.
A comerciante também mantém peças voltadas para diferentes públicos, incluindo homens, mulheres e crianças. Entre os produtos estão roupas de anjo, com estruturas de asas para vestir crianças, além de peças com fitas e outros elementos utilizados durante a festividade.

Movimento deve crescer no fim de semana
Apesar da movimentação considerada lenta neste início da semana, Graça acredita que o comércio deverá reagir com a proximidade das principais atividades do Círio. A expectativa é de que sexta-feira, sábado e domingo concentrem a maior procura.

A experiência de anos trabalhando com vendas sazonais também influencia a estratégia da comerciante, que adapta o estoque conforme o período do ano. “Eu gosto de trabalhar com os produtos da época”, afirma. Na avaliação dela, o Círio pode representar um aumento de aproximadamente 50% nas vendas. A comerciante, porém, ressalta que essa estimativa é específica para o próprio negócio.
Graça pretende manter o ponto aberto durante o período, com jornada que começa às 6h e pode se estender até o início da noite. Mesmo assim, ela planeja realizar uma caminhada no trajeto da procissão, durante a madrugada de domingo. “Eu vou para lá meia-noite. Começo a caminhada passando ali pela Pedra [do Peixe], andando com o pessoal do Exército. Sigo a minha caminhada do meu jeito, e devo chegar na Basílica umas 7h30, 8h”, conta.
