Promessas tradicionais e inusitadas formam o Círio diferente

Romarias e símbolos pessoais marcaram o domingo em que tudo foi novo para cerca de 100 mil devotos nas ruas

Victor Furtado

Às 8h30 deste domingo (11), quem estava na Sé, saiu para fazer o trajeto original do Círio tradicional: avenida Portugal, boulevard Castilhos França, avenida Presidente Vargas e avenida Nazaré, num total de 3,6 quilômetros. Sem todos os elementos que fazem a romaria principal durar várias horas, alguns grupos de romeiros cumpriram o percurso em uma hora e meia. Outros demoraram o mesmo de sempre, pois fizeram uma das promessas mais tradicionais de sacrifício: ir de joelhos até a Basílica, algo que mobiliza várias pessoas em solidariedade, para ajudar os devotos a cumprir a promessa.

Procissão cumprida, de joelhos, da Sé à Basílica, é uma das mais tradicionais promessas de sacrifício de devotos. (Cristino Martins / O Liberal)

Claudionor Ramalho Júnior foi aprovado em Física, na Universidade Federal do Pará (UFPA). Para pagar a promessa, fez uma lousa branca com homenagens à família e com os livros de algumas das disciplinas, que considera mais difíceis, pregados no quadro: física, química e matemática. Mesmo com os riscos da pandemia de covid-19, a promessa dele incluía fazer o trajeto do Círio sem máscara. E confiava na fé para não haver nenhum problema para ele ou as outras pessoas que o cercavam.

Valentim dos Passos Filho mora no bairro da Cremação. Faz fretes com o carro de mão dele. Cedo saiu de casa, empurrando o carrinho, até a Catedral Metropolitana de Belém. De lá, após pegar a bênção da imagem peregrina da Virgem de Nazaré, saiu reproduzindo o trajeto do Círio com o carro. E uma imagem sendo conduzida. De máscara, disse que esse era um Círio diferente. "Todo ano acompanho, pedindo pra Nossa Senhora me ajudar com meu carrinho, pra ganhar um dinheiro e ajeitar minha casinha", comentou.

O grupo de promesseiros Amigos da Corda sempre esteve junto puxando a Berlinda da Virgem de Nazaré. Neste ano, como foi tudo fora do padrão, eles mesmos levaram um fragmento original da corda, seguido de outra corda improvisada. Quem chegava, fazia esticar o carretel. Todos de máscara, inclusive transmitiam, ao vivo, pela internet, a procissão pessoal com a corda particular. "Momento difícil. Tivemos familiares e amigos que não puderam estar aqui e nem se despedir de seus entes queridos. Estamos agradecendo à Nossa Senhora e a Deus porque somos sobreviventes", justificou Tom Vilhena, técnico em radiologia.

Chorando, o servidor estadual Alexandre Souza lamentava que o Círio estivesse tão diferente. Mas após 28 anos de romarias, disse que não conseguiria ficar em casa no domingo. Ele carregava um pedaço da corda de 2012, que foi quando fez 20 anos acompanhando. Por uma tia, que não podia estar nas ruas, levava uma promessa. "Estou puxando minha própria corda de esperança. Voltará tudo ao normal e estaremos acompanhando, novamente, sem máscaras, Nossa Senhora de Nazaré", declarou.

Círio
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