Peregrinações e novenas mobilizam as famílias cristãs

Em cada bairro, missionários garantem a visita da imagem às casas dos devotos, mantendo cuidados contra o coronavírus

VALÉRIA BARROS

“O Círio acontece dentro de nós. Este ano só não teremos as tradicionais procissões, mas viveremos o mesmo amor e a mesma emoção”, diz a engenheira civil Leidelene Costa, 47 anos. Devota, ela coordena há sete anos, pela Congregação do Cristo Rei, as peregrinações de Nossa Senhora de Nazaré, no bairro do Atalaia, em Ananindeua. “Mais do que nunca, em um ano onde milhares de vidas foram perdidas, temos muito a agradecer a Nossa Senhora de Nazaré e ao menino Jesus”, avalia.  

A partir de setembro de cada ano, os padres fazem o convite aos devotos e disponibilizam os kits para as novenas, de casa em casa, evangelizando famílias a partir do tema anual do Círio. “Apanho um kit e ligo para as minhas amigas. Elas são ótimas, elaboram os convites e começam a preencher a agenda. Me ajudam a organizar tudo. Criam grupo de whatsApp para enviar o convite e organizar os dias, passam na casa dos que não estão nos grupos e, assim, agendam os encontros na vizinhança”.

Por causa da pandemia, ela achou que este ano seria difícil. “Quando recebemos o material, vimos que, ao invés dos 16 encontros, teríamos nove. O vírus é uma realidade e precisamos evitar ao máximo reunir muitas pessoas num só lugar. E assim aconteceu. Com um número reduzido de pessoas em cada encontro, mas todos que quiseram participar foram em algum momento. E assim o Círio foi acontecendo na sua essência”, comenta.

CIDADE VELHA

Sebastiana Gemaque, 58 anos, costureira e ministra extraordinária da Sé, mora na Cidade Velha e todos os anos organiza os encontros da peregrinação. Este ano, as novenas começaram em 5 de setembro e se encerraram em 7 de outubro. Por causa do coronavírus, está sendo diferente.

“A Imagem percorre as casas dos fieis, como normalmente acontece todos os anos, mas nem todas as famílias estão recebendo gente de fora. Algumas realizam as novenas com o seu núcleo familiar e até mandam as fotos depois, pra gente se alegrar. Outras famílias, onde não há ninguém do grupo de risco, abrem suas portas e vamos concluindo o nosso trabalho de evangelização. Não é porque as procissões não podem acontecer este ano, que vamos deixar de lado a nossa missão. São 32 famílias participando”, comemora.

Sebastiana diz que este ano a procura foi maior do que o número de encontros disponíveis na programação. “É uma corrente de amor e oração. São muitas pastorais em movimento participando este ano. Só pela Catedral foram cerca de 20 imagens que saíram em procissão pelos bairros”.

Sebastiana conta a graça que recebeu, envolvendo dois membros da família. “Todos os anos convido a todos da família, mas duas pessoas nunca aceitavam. Este ano, os dois puderam conhecer o trabalho durante as novenas. O quanto é engrandecedor e nos faz bem estarmos reunidos falando de Cristo e da Virgem Maria. Hoje essas duas pessoas fazem questão de participar. Eu me sinto muito feliz com o fato e considero um merecimento muito grande ter recebido esta graça”.

VAL-DE-CANS

Em Val-de-Cans, muitas das peregrinações estão sendo realizadas também presencialmente, com os cuidados contra o coronavírus. Encarregada de serviços gerais, Rosilene Rodrigues Corrêa, 52 anos, participa das peregrinações da Paróquia de Nossa Senhora Mãe da Divina Providência e se diz feliz pela diretoria da festa ter permitido a peregrinação.

“O momento é de muita devoção. Até graças eu já recebi, do início das novenas até aqui. Eu estava desempregada há um ano e, desde o primeiro encontro, venho pedindo a Maria, mãe de Jesus, para interceder por mim. No final de setembro recebei um chamado para voltar para meu antigo emprego, de carteira assinada. Estou radiante de felicidade e muito grata por mais essa bênção”.

Rosilene conta que, no seu bairro, muitas famílias querem participar e, como alguns missionários estão afastados por serem do grupo de risco, eles estão se esforçando para atender a todas.

“A demanda aqui é grande. Já estamos realizando a segunda rodada dos 9 encontros, atendendo agora outras famílias que também nos pediram muito para receber em casa a imagem e realizar as orações. Aqui pela paróquia, são 35 imagens peregrinando de casa em casa. É o Círio acontecendo no coração de cada família cristã”.

Círio
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