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CÍRIO DE NAZARÉ 2026

Exército renova tradição no Círio e reforça atuação para segurança de fiéis

Presente desde os primeiros registros da maior manifestação religiosa da Amazônia, instituição já planeja as operações para as próximas edições e destaca o trabalho integrado que mobiliza militares em terra e na água durante a festividade

Jéssica Nascimento

9 de outubro de 2026 às 13:17

Muito além da atuação operacional, a presença do Exército Brasileiro no Círio de Nazaré representa uma tradição histórica que atravessa séculos e se renova a cada edição da maior manifestação religiosa da Amazônia. Integrando um amplo esquema de apoio com outras Forças Armadas e diversos órgãos públicos, os militares atuam para garantir a segurança, a organização e o atendimento aos milhões de romeiros que participam da programação, enquanto também vivenciam de perto a emoção e a fé que marcam a celebração.

Uma parceria construída ao longo da história

A participação do Exército Brasileiro no Círio de Nazaré remonta aos primeiros anos da festividade, ainda no final do século XVIII. Desde então, a colaboração entre a instituição e a organização da celebração tem sido renovada anualmente, consolidando uma tradição que acompanha a evolução daquele que se tornou um dos maiores eventos religiosos do Brasil.

Coronel Sérgio Munck, subchefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar da Amazônia Oriental (CMAO).
Coronel Sérgio Munck, subchefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar da Amazônia Oriental (CMAO). (Foto: Igor Mota)

De acordo com o subchefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar da Amazônia Oriental (CMAO), coronel Sérgio Munck, preservar esse legado histórico também significa manter um planejamento permanente para assegurar o apoio às futuras edições.

"O Exército Brasileiro participa desde o primeiro Círio, lá no final do século XVIII. De lá para cá, ano a ano, a gente renova essa parceria devido à sua importância e à religiosidade do nosso povo", afirmou.

Segundo o coronel, os preparativos para a próxima edição já estão em andamento, em articulação com a Diretoria da Festa de Nazaré, a Guarda de Nazaré e os demais órgãos envolvidos na organização.

"Nós já estamos trabalhando nos planejamentos e em algumas definições para que, em 2026, novamente estejamos juntos com a Comissão Organizadora da Festa do Círio, com a Guarda do Círio e todas as demais agências e entidades que participam desse grande evento", destacou.

Operação integrada reúne Forças Armadas e diversos órgãos públicos

A atuação do Exército durante o Círio faz parte de uma grande operação conjunta e interagências, que reúne militares da Marinha do Brasil, da Força Aérea Brasileira e representantes de instituições das áreas de segurança pública, saúde e atendimento de emergência.

"O Círio tem uma particularidade muito interessante. Na verdade, a nossa atuação é conjunta e há interagências", explicou o coronel Sérgio Munck.

Entre as principais missões desempenhadas pelo Exército estão o apoio ao Círio Fluvial, à Trasladação e à grande procissão de domingo, que reúne milhões de pessoas pelas ruas de Belém.

No Círio Fluvial, um dos principais recursos empregados é o Ferry Boat Marechal Bittencourt, embarcação que funciona como uma importante estrutura de atendimento médico.

Coronel Sérgio Munck, subchefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar da Amazônia Oriental (CMAO).
Coronel Sérgio Munck, subchefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar da Amazônia Oriental (CMAO). (Foto: Igor Mota)

"Além dos próprios médicos do Exército, temos equipes da Cruz Vermelha, do SUS e do SAMU. A nossa embarcação se presta ao atendimento de saúde das pessoas que participam da atividade fluvial. Havendo necessidade, seremos os primeiros a prestar esse apoio", disse.

Durante a Trasladação, os militares realizam o isolamento da Berlinda e auxiliam na organização do percurso para garantir a segurança dos fiéis.

Já na procissão principal, realizada no domingo pela manhã, o efetivo é ampliado para acompanhar a intensa movimentação de público. Segundo estimativas citadas pelo coronel, cerca de 2,6 milhões de pessoas participaram do trajeto na edição anterior.

"Nós conseguimos, por meio de cordões humanos, fazer a segurança e providenciar a passagem da Berlinda, de maneira que tudo ocorra dentro da paz, da ordem e também garantindo a segurança dos fiéis", ressaltou.

Planejamento permanente para uma missão de apoio à sociedade

Embora o Círio seja um dos maiores eventos do calendário anual do Exército na região, a preparação dos militares integra a rotina de treinamento da instituição.

Segundo o coronel Sérgio Munck, o trabalho está inserido no princípio da "Mão Amiga", que orienta o apoio prestado pelo Exército à população em diferentes situações, desde grandes celebrações até operações de resposta a desastres naturais e calamidades públicas.

"A preparação que nós temos já ocorre para esse tipo de manifestação. Não é uma preparação específica; é mais uma atividade da qual tomamos parte ao longo do nosso ano", explicou.

O planejamento, entretanto, nunca é interrompido.

"Nós já estamos preparando o Círio de 2026 e essa atividade já foi inserida no planejamento de 2027. Ou seja, ela é constante, está sempre em nossos olhares, de maneira que, quando chegarmos ao evento, todas as coordenações necessárias já tenham sido realizadas", afirmou.

A missão de proteger também aproxima os militares da fé dos romeiros

Além das responsabilidades operacionais, os militares vivenciam de perto um dos aspectos mais marcantes da festividade: a manifestação de fé dos milhões de devotos de Nossa Senhora de Nazaré.

Para o coronel Sérgio Munck, participar do Círio significa também compartilhar da emoção que toma conta das ruas de Belém durante a passagem da imagem peregrina.

"Essa manifestação de fé é singular. Ela extrapola os limites do Pará e se tornou uma festa religiosa brasileira. Quando estamos apoiando essa atividade, somos agraciados também com as orações, com a fé e com as promessas das pessoas", declarou.

Segundo ele, o contato direto com os romeiros transforma a experiência dos próprios militares.

"Quando a imagem passa e o nosso pessoal está fazendo o cordão humano de proteção, nós também somos abençoados pelas pessoas que se ajoelham e elevam seus pensamentos aos céus", destacou.

Ao final da missão, afirma o coronel, permanece um sentimento compartilhado por quem participa da operação.

"Eu posso dizer que nós saímos dali carregados de energia positiva. Nós saímos dali muito melhores do que entramos, porque recebemos tudo aquilo que vem do povo naquela manifestação de religiosidade que não tem preço", concluiu.