A fé levou Fabrício Corrêa, de 28 anos, a participar do Círio de Nazaré 2026, realizado no último domingo (11/10), em Belém, para agradecer pela recuperação da mãe, Creonice Ferreira, de 62 anos. O bombeiro civil, que é evangélico, cumpriu a promessa feita após a mãe escapar de uma amputação do pé, considerada pelos médicos devido a complicações provocadas pelo diabetes. A história repercutiu nas redes sociais e gerou debates sobre fé e religião.
Natural de Belém, Fabrício contou que a família viveu momentos de angústia quando um ferimento no pé da mãe se agravou. Em março deste ano, diante da possibilidade de amputação, ele recorreu à fé para pedir pela recuperação de Creonice. Além de orar a Deus, foi à Basílica Santuário de Nazaré para pedir a intercessão da Virgem Maria.
“Eu sou evangélico e pedi para Deus que pudesse curar ela, mas fui à Basílica e pedi para Nossa Senhora que pudesse interceder por Jesus, para que ela pudesse dar essa cura para minha mãe”, relatou Fabrício à reportagem de O LIBERAL.
Fabrício contou que cerca de uma semana depois, a família recebeu a notícia de que a amputação não seria necessária. Embora Creonice tenha perdido um dos dedos do pé, ela conseguiu evitar o procedimento inicialmente considerado pelos médicos. Diante da melhora da mãe, ele decidiu cumprir a promessa durante a procissão deste ano.
“Eu prometi que, se ela fizesse essa intercessão, eu ia pagar essa promessa. Isso ficou guardado para mim”, afirmou. A mãe, que é católica, não sabia que o filho havia feito a promessa e só tomou conhecimento da participação dele no Círio após a repercussão do vídeo nas redes sociais.
Repercussão nas redes sociais
A participação de Fabrício provocou comentários de pessoas que questionaram sua devoção a Nossa Senhora por ele ser evangélico. Ele disse que ficou triste com as críticas, principalmente com as manifestações de quem afirmava que Maria não poderia fazer milagres. Para o bombeiro, os comentários demonstraram falta de compreensão sobre o significado da intercessão.
“Eu fiquei muito triste de ver essas pessoas me julgando, falando que não aceitavam porque Maria não faz milagre. Mas, no vídeo, eu comentei que não pedi o milagre dela, mas sim a intercessão dela”, explicou.
Fabrício cresceu em uma família católica, estudou em uma instituição salesiana, foi coroinha e passou três anos em um seminário salesiano. Posteriormente, decidiu seguir a religião evangélica e atualmente frequenta a Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ). Apesar da mudança, ele afirma conhecer a tradição católica e respeitar as diferentes manifestações de fé.
Para explicar o que entende por intercessão, o bombeiro fez uma comparação com a bênção dos pais. “Quando a gente pede uma bênção para a nossa mãe, ela fala: ‘Deus te abençoe’. Então, ela intercede pela bênção de Deus. Ela não faz o milagre, ela é intercessora”, disse.
Apesar das críticas, Fabrício também recebeu apoio de pessoas de diferentes religiões. Para ele, a repercussão mostrou que a solidariedade e o respeito devem estar acima das divergências religiosas. “Na verdade, isso não se trata de religião, mas sim de fé. Eu agradeço muito às pessoas que me apoiaram, que estiveram comigo e me deram força”, declarou.
Promessa cumprida
Durante a caminhada, Fabrício também enfrentou dificuldades físicas. A dor no joelho chegou a fazê-lo pensar em desistir na avenida Nazaré. Nesse momento, recebeu atendimento de voluntários da instituição Guardião da Vida, que atua no acolhimento dos romeiros durante o Círio e a Trasladação, com serviços como curativos e outros cuidados.

“Eu estava querendo desistir ali na Presidente Vargas, porque é muito doloroso. A gente pensa que é fácil, mas não é. Na metade do caminho, eu estava querendo desistir porque estava doendo muito o meu joelho”, contou. O bombeiro destacou que os voluntários fizeram curativos e massagens, ajudando-o a continuar o percurso. Ele já conhecia o trabalho da instituição por atuar como voluntário e ressaltou a importância da assistência oferecida aos devotos.
“O Guardião da Vida estava ali naquele momento certo, chegou me dando cuidado, fazendo os curativos. Foi uma coisa muito importante para mim, principalmente porque não me deixou desistir”, afirmou. Ao concluir a caminhada, Fabrício cumpriu a promessa feita pela recuperação da mãe. Para ele, a experiência foi marcada tanto pela gratidão quanto pelo acolhimento recebido ao longo da procissão.

