A fé e a gratidão a Nossa Senhora de Nazaré marcaram a Romaria da Acessibilidade, realizada na manhã deste sábado (24), em Belém. Entre os participantes, devotos aproveitaram a procissão para agradecer por graças alcançadas, especialmente relacionadas à saúde, e renovar promessas feitas à Virgem de Nazaré. Para algumas famílias, a romaria também representa a oportunidade de participar do Círio com mais segurança e tranquilidade.
Aos 87 anos, a costureira Maria Engrácia voltou a participar de uma procissão do Círio após seis anos afastada. Ela sofreu uma queda no banheiro de casa e quebrou a perna, o que a impediu de acompanhar as celebrações como fazia anteriormente.
Neste ano, incentivada pela família, participou da Missa da Acessibilidade e seguiu para a romaria acompanhada da filha e da neta.
“É a primeira vez que participo da Romaria da Acessibilidade. Eu vim com a minha filha e minha neta. Todos os anos eu vinha acompanhar o Círio. Mas, depois que caí e quebrei a perna, não consegui mais vir. Mas essa semana minha família disse que queria que eu viesse, então estamos aqui”, contou. A participação também foi uma oportunidade de agradecer pela saúde e retomar uma tradição que fazia parte da vida da idosa antes do acidente.

A gratidão pela saúde da filha é o que leva, todos os anos, a monitora Dilcilene Oliveira, de 58 anos, e o professor Lucide Mota, também de 58, a participarem da romaria com Ingrid Oliveira, de 28 anos. Para a família, o percurso mais curto e a estrutura de acolhimento permitem que a jovem participe das homenagens a Nossa Senhora de Nazaré sem enfrentar a grande concentração de pessoas da procissão principal.
“Todos os anos nós participamos. Para a nossa família, é uma graça poder participar da Romaria da Acessibilidade, pois não temos como participar da grande procissão do Círio devido à grande quantidade de pessoas. Essa é uma maneira que temos de agradecer por tudo, pela paz e pela saúde dela, principalmente”, afirmou Dilcilene.

A emoção de acompanhar a filha também marca a primeira participação de Pamela Marques, de 35 anos, empreendedora e mãe de Melina Marques, de 2 anos, que é autista. Pamela foi à romaria para cumprir uma promessa relacionada ao nascimento da menina, que enfrentou dificuldades durante o parto. Com a filha nos braços, ela relatou a emoção de estar perto da Imagem Peregrina e agradeceu pela vida da criança.
“É o meu primeiro ano. Estou cumprindo uma promessa, pois a minha filha teve dificuldade ao nascer. Hoje eu trouxe ela para acompanhar e pagar a ‘promessinha’ dela. Esse é um momento muito emocionante. É um projeto novo do Círio e acho bem viável para trazer crianças, pois não tem muito ‘sufoco’. É um percurso bem curto, mas agradável e de felicidade por estar perto de Nossa Senhora”, disse.
Inclusão
Além de possibilitar o agradecimento dos devotos, a Romaria da Acessibilidade foi organizada para garantir a participação de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Segundo Mário Tuma Jr., diretor de Procissões da Diretoria da Festa de Nazaré (DFN), mais de dez entidades parceiras participaram da preparação da procissão, em conjunto com a organização do Círio e a Guarda de Nossa Senhora de Nazaré.
“É uma romaria que foi criada com o intuito de poder agraciar as pessoas que têm alguma deficiência e mobilidade reduzida. Nós contamos com o apoio de mais de dez entidades que trabalham somente com esse tipo de pessoas. Estão aqui conosco, elaboraram conosco esse momento e estão realizando a romaria também”, explicou.

De acordo com o diretor, o trajeto tem aproximadamente 1,5 quilômetro e conta com pontos de hidratação, espaços para descanso e suporte para crianças, além de uma estrutura preparada para oferecer mais segurança aos participantes.
“Não só a Diretoria do Círio, como também a Guarda de Nazaré e todos esses órgãos estão juntos para oferecer acessibilidade aos devotos. É um percurso pequeno, 1,5 km no máximo, uma hora e meia de duração e totalmente estruturado com apoio de ponto de hidratação, descanso e suporte para as crianças”, acrescentou.

