Coronavírus não conseguiu sufocar a fé

GRATIDÃO – De carro ou a pé, eles percorrem quilômetros pela BR-316 para agradecer e louvar a padroeira

EDUARDO ROCHA

A pandemia de Covid-19 alterou tudo, menos a fé. Romeiros que costumam sair em peregrinação do interior até o centro de Belém, para agradecer graças alcançadas e louvar a Nossa Senhora de Nazaré, no Círio, manterão a tradição este ano, com adaptações contra o coronavírus.

“A fé sempre vai estar conosco”, resume o professor universitário José Nazareno Abraçado Henriques, 66 anos. Na quarta-feira (7), eles cumpriram 79 quilômetros de Castanhal a Belém, na Carreata da Fé / 41ª Romaria de Nossa Senhora de Nazaré Castanhal-Belém. 

Em grupo de 320 pessoas, em 80 carros, os romeiros saíram da área do Cristo Redentor, na entrada de Castanhal, às 19 horas, até a frente da Basílica Santuário, onde chegaram às 21h30.

 “Nós adotamos somente quatro pessoas por carro, uso de álcool em gel e de máscaras, o distanciamento social, sem paradas no percurso e água e alimentação própria”, relatou José Nazareno, da Associação dos Devotos e Romeiros de Nossa Senhora de Nazaré de Castanhal (Aderca), responsável pela carreata de duas horas e meia de percurso.

CAMINHADA

O funcionário público Anselmo Costa, 59 anos, e mais cinco pessoas, saíram a pé de Castanhal a Belém, também na quarta-feira (7), para pagar promessa e louvar a santa padroeira dos paraenses. A chegada do grupo de duas mulheres e quatro homens, com um carro de apoio, foi ao meio-dia de quinta-feira (8). Foi a primeira caminhada para todos eles.

“Eu decidi pagar uma promessa de saúde”, relatou Anselmo. Os romeiros usavam máscaras e álcool em gel, adotaram o distanciamento, levaram a própria alimentação e poucas pessoas, como prevenção à Covid-19.

ASSISTÊNCIA

Os romeiros receberam assistência, na BR-316, no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HUME), em Ananindeua, onde um ponto de acolhimento aos romeiros foi instalado pelo sétimo ano consecutivo, em frente à unidade.

“Se os romeiros consideram que vão concretizar a promessa, com todos os cuidados, a gente está aqui para ajudá-los”, disse a coordenadora de Projetos Sociais do HMUE, Roberta Cardins. Coordenador de Ensino e Pesquisa do Hospital, Leonardo Costa disse que os romeiros costumavam entrar na unidade em busca de atendimento, e, então, passou-se a garantir assistência médica e nutricional a essas pessoas na frente do hospital.

Iniciativas particulares de apoio aos romeiros também ganham corpo no Círio. “Pelo sexto ano, estamos prontos para ajudar os romeiros. A gente se programou para estar com 1.500 copos em um dia dessa semana para distribuir para as pessoas. O meu marido foi romeiro, e, depois, nós passamos a distribuir água aos romeiros”, destacou a economista Maria Goreti Gomes, 62 anos, ao lado do marido professor Antônio Carlos Gomes.

Círio
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