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CÍRIO DE NAZARÉ 2026

Círio transforma fé em renda para pequenos empreendedores em Belém

Comerciantes tradicionais e vendedores que trabalham no entorno do Santuário de Nazaré aproveitam o aumento no movimento durante a festividade, enquanto mantêm uma relação de devoção com Nossa Senhora de Nazaré

Jéssica Nascimento

10 de outubro de 2026 às 10:10

Para quem trabalha nas proximidades do Santuário de Nazaré, em Belém, o Círio representa mais do que uma das maiores manifestações de fé do Pará. A festividade também é um período de maior movimento e oportunidade de renda. Entre artigos religiosos e alimentos vendidos na praça, trabalhadores que há décadas acompanham a celebração encontram no fluxo de fiéis e turistas uma chance de melhorar o faturamento e, ao mesmo tempo, permanecer próximos da devoção a Nossa Senhora de Nazaré.

Uma vida entre terços e berlindas

Aos 69 anos, Maria de Lourdes Ferreira já soma quatro décadas de trabalho com a venda de objetos religiosos na praça do Santuário de Nazaré. A relação com o comércio começou ao lado da irmã, mas continuou mesmo depois que ela deixou a atividade.

“Tenho 40 anos de venda. Sempre vendi objetos do Círio. Tudo que é artigo religioso sempre vendi. Eu comecei a trabalhar com a minha irmã. Aí ela não veio mais trabalhar, eu comecei com o material e comecei a vender”, contou.

Maria de Lourdes Ferreira, vendedora de objetos religiosos na praça do Santuário de Nazaré.
Maria de Lourdes Ferreira, vendedora de objetos religiosos na praça do Santuário de Nazaré. (Foto: Carmem Helena)

Entre os produtos comercializados por Maria estão os terços de açaí, além de berlindas e outras peças religiosas. Durante o Círio, ela percebe uma procura maior, principalmente com a chegada de visitantes de fora de Belém.

“Muitos turistas vêm e a venda fica melhor. Os itens que eu mais vendo na época do Círio são os terços, são os terços de açaí que saem muito, são as berlindas, saem muito. E as novidades diferentes que eu mando fazer, aí eu vendo”, explicou.

O aumento da procura se reflete diretamente no faturamento. Segundo a comerciante, a renda durante o período da festividade é cerca de 20% maior.

“É uma renda melhor no Círio. Durante o Círio, meu faturamento aumenta em 20%”, afirmou.

Mas a permanência de Maria de Lourdes no comércio não é explicada apenas pela necessidade de renda. A atividade também está ligada à fé. Ela conta que fez pedidos a Nossa Senhora de Nazaré pela família e considera ter recebido a graça que esperava.

“O que fez eu ficar durante todo esse tempo vendendo e continuar a minha venda? A vontade, né? Dá uma alegria muito grande. Eu pedia muito para ela, Nossa Senhora de Nazaré, dar a casa dos meus filhos. E cada um tem suas casas. Consegui essa graça e agradeci muito a ela”, revelou.

27 anos vendendo pipoca

Na mesma praça, José Andrade, de 49 anos, também transformou o entorno do Santuário em local de trabalho. Há 27 anos, ele vende pipoca em frente à igreja. A rotina, segundo ele, já faz parte de sua vida.

“Eu gosto de trabalhar aqui. Eu prefiro estar mais aqui do que dentro de casa. Fico na frente da igreja”, disse.

Para José, estar no local durante o Círio significa acompanhar de perto a manifestação religiosa. O trabalho e a devoção se misturam na experiência de quem passa os dias em frente à igreja.

José Andrade, vendedor de pipoca na praça do Santuário de Nazaré há 27 anos.
José Andrade, vendedor de pipoca na praça do Santuário de Nazaré há 27 anos. (Foto: Carmem Helena)

“A importância do Círio pra mim é a alegria. Trabalhando. Vendo a homenagem da Senhora Nazaré. E me sinto muito bem perto dela”, destacou.

Durante a festividade, o público vindo de outras localidades também ajuda a movimentar as vendas. José afirma que são principalmente essas pessoas que compram seus produtos no período.

“Eu vendo mais para pessoas de fora. É o povo de fora que traz coisa para a gente. Pode vender para eles e ter alegria junto com eles”, afirmou.

O Círio é considerado por ele o melhor período do ano para as vendas. Em um dia de trabalho, o vendedor de pipoca chega a faturar cerca de R$ 200.

“O Círio é o melhor período pras minhas vendas. Chego a vender uns 200 reais por dia”, detalhou.

Fé que também movimenta o comércio

As histórias dos dois trabalhadores mostram como a movimentação provocada pelo Círio chega a pequenos negócios instalados no entorno do Santuário. O aumento no número de fiéis e turistas amplia a procura por produtos ligados à celebração e também por itens de consumo cotidiano, como a pipoca.

Para Maria de Lourdes, o período representa um crescimento de 20% no faturamento. Para José, pode significar vendas de aproximadamente R$ 200 em um único dia. Em comum, os dois encontram na festividade uma oportunidade de trabalho que se conecta diretamente às próprias histórias de fé.