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CÍRIO DE NAZARÉ 2026

Caloura enfrenta desafio antes do Enem e encontra a vitória em Nossa Senhora

Devota desde a infância, Maria Luisa Oliveira, de 19 anos, fez uma promessa pela aprovação em Medicina e, horas antes da prova, precisou levar pontos na cabeça após um acidente

Jéssica Nascimento

11 de outubro de 2026 às 05:00

Para muitos estudantes paraenses, a preparação para o vestibular é marcada por horas de estudo, ansiedade e incertezas. Mas, para alguns, a busca pela aprovação também passa pela fé. Em Belém, a devoção a Nossa Senhora de Nazaré acompanha vestibulandos que encontram nas orações e nas promessas uma forma de alimentar a esperança durante a caminhada rumo à universidade.

A caloura de Medicina da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Maria Luisa Oliveira, de 19 anos, conhece de perto essa relação entre fé e vestibular. Devota de Nossa Senhora de Nazaré desde a infância, ela cresceu acompanhando o Círio, as trasladações e as procissões.

Maria Luisa Oliveira,19 anos, caloura de Medicina na UEPA.
Maria Luisa Oliveira,19 anos, caloura de Medicina na UEPA. (Foto: Adriano Nascimento | Especial para O Liberal)

Quando decidiu disputar uma vaga em Medicina em uma universidade pública, Maria Luisa sabia que teria pela frente uma preparação longa e concorrida. Foi nesse período que intensificou a confiança na santa.

“Eu sabia que o trajeto ia ser muito largo, muito difícil, mas eu sempre mantive minha fé acesa em Nossa Senhora, confiando de que eu, como uma filha dela, ela iria guiar todo o caminho para que, no final, eu conseguisse conquistar minha aprovação em Medicina”, conta.

No Círio do ano passado, enquanto fazia o primeiro ano de cursinho, Maria Luisa fez uma promessa. Caso conseguisse a aprovação, faria a pé o percurso de Castanhal até Belém durante a Romaria, em outubro.

A aprovação veio em 2025. No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ela alcançou média de 872 pontos e 940 na redação. Agora, como caloura de Medicina, prepara-se para cumprir a promessa feita durante o período de preparação.

Um obstáculo poucas horas antes da prova

A trajetória até a aprovação, porém, teve um episódio que poderia ter impedido Maria Luisa de realizar o exame. No segundo dia do Enem, poucas horas antes da prova, ela bateu a cabeça em uma bancada de granito na casa de uma tia, em Castanhal.

O impacto provocou um corte profundo. Segundo ela, houve muito sangramento, dor intensa e até um desmaio. Faltavam cerca de três horas para o início da prova.

“Eu tinha certeza que eu não ia conseguir fazer a prova. Já era o segundo dia de prova, eu tinha certeza que, infelizmente, eu ia ter que fazer mais um ano de cursinho”, lembra.

Maria Luisa foi levada a uma unidade de pronto atendimento, onde recebeu pontos na cabeça. Mesmo com o ferimento e o mal-estar, decidiu seguir para o local de prova.

Na sala, antes do início do exame, encontrou na oração uma maneira de controlar a ansiedade. Como já tinha o hábito de levar um terço para as provas, aproveitou os minutos de espera para rezar.

“Eu rezei o terço inteiro, dedicado à Nossa Senhora. E depois disso, parece que tudo se acalmou e eu consegui fazer uma boa prova”, relata.

Para Maria Luisa, a experiência reforçou uma relação com a fé que já fazia parte de sua vida. A aprovação, segundo ela, também não foi encarada como uma conquista individual.

Um sonho compartilhado pela família

A preparação para Medicina envolveu toda a família. Mãe, avó, tios e primos acompanharam o processo e participaram das orações.

“Esse sonho, a partir do momento que a gente vai trilhando, ele não é só meu, mas ele é da minha mãe, ele é da minha avó, meus primos, meus tios. Ele vira de toda a família”, afirma.

Durante o período de preparação, a família participava de momentos de adoração e mantinha as orações como parte da rotina.

A aprovação transformou a expectativa em realidade. Hoje, ao entrar na UEPA, Maria Luisa diz lembrar do desejo que tinha no ano anterior — e também dos estudantes que ainda percorrem o mesmo caminho.

“Eu acho que todos os dias, quando eu entro aqui na Uepa ou quando eu acordo, eu agradeço, porque o que eu estou vivendo hoje era o meu sonho do ano passado e é o sonho ainda de muita gente que ainda não passou”, diz.