As arquibancadas montadas na Praça da República para o Círio de Nazaré ainda não foram liberadas pelo Corpo de Bombeiros para receber o público. Durante a vistoria realizada na manhã desta quinta-feira (8), a equipe encontrou pendências em parte da estrutura, principalmente na área coberta onde serão realizados os corais. Os responsáveis foram orientados a fazer os ajustes necessários e os bombeiros retornarão nesta sexta-feira (9) para uma nova avaliação.

A vistoria verificou itens como saídas de emergência, largura e espaçamento dos degraus, guarda-corpos, corrimãos, estabilidade da estrutura e instalações elétricas. Segundo o tenente-coronel Moura, subchefe do Departamento de Segurança contra Incêndio e Emergência do Corpo de Bombeiros, um dos principais pontos analisados é se o que foi montado está de acordo com o projeto aprovado. “O principal critério que a gente verifica é a compatibilidade do projeto que foi aprovado da estrutura com o que foi montado”, explicou.
Entre os itens observados estão as saídas de emergência, a largura dos degraus, o espaçamento entre eles e as condições dos guarda-corpos e corrimãos. A equipe também verifica a estabilidade da estrutura e as condições do local onde as arquibancadas foram instaladas.
Outro ponto analisado é a proteção contra descargas elétricas. De acordo com o tenente-coronel, a estrutura precisa contar com aterramento adequado para reduzir riscos relacionados à eletricidade.
A vistoria também inclui a conferência de documentos técnicos. Os bombeiros verificam as chamadas Anotações de Responsabilidade Técnica, conhecidas como ART, dos profissionais responsáveis pela estrutura e pela montagem metálica, além da parte de iluminação, som e instalações elétricas.
Pendências impedem liberação
Apesar de as demais estruturas vistoriadas estarem em condições consideradas adequadas, alguns itens ainda precisam ser corrigidos antes da liberação. A principal pendência apontada está na área coberta onde serão realizados os corais.
“Esses itens que verificamos ainda estão pendentes, e nós vamos notificar para correções. Isso terá que ser corrigido e, logo depois, a equipe retorna para fazer a vistoria. Se tudo estiver apto, o espaço será liberado para o público”, afirmou o tenente-coronel Moura.
Segundo ele, entre os pontos que precisam de correção estão documentos relacionados à parte elétrica e à instalação de componentes, como os disjuntores.
Com isso, as arquibancadas não foram liberadas nesta quinta-feira. Os responsáveis deverão fazer os ajustes solicitados e a equipe do Corpo de Bombeiros retornará ao local nesta sexta-feira (9) para verificar se as pendências foram resolvidas.

Arquibancadas podem receber até 8 mil pessoas
De acordo com Fabrizio Gonçalves, engenheiro civil da Diretoria de Patrimônio do Círio, as arquibancadas foram montadas seguindo o projeto apresentado ao Corpo de Bombeiros. A estrutura é formada por dois módulos, com capacidade de aproximadamente 4 mil pessoas cada, totalizando até 8 mil pessoas.
O engenheiro também afirmou que as rotas de fuga e os acessos foram executados conforme o projeto apresentado para a fiscalização. “No projeto existem as rotas de fuga, a gente chama a rota de escoamento, que estão todas realizadas conforme o planejamento”, disse.
Segundo Fabrizio, a vistoria dos Bombeiros ocorre depois da apresentação e execução do projeto. Nesta etapa, os técnicos verificam se aquilo que foi planejado e aprovado foi realmente executado no local.

Segurança durante o Círio
Além do Corpo de Bombeiros, outros órgãos participam das avaliações das estruturas utilizadas durante o Círio. A ação desta quinta-feira também contou com uma vistoria integrada envolvendo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Defesa Civil e outras secretarias municipais.
Segundo Cristina Vasconcelos, superintendente do Iphan, o órgão acompanha a preparação das estruturas desde o início do ano. O objetivo é verificar se os equipamentos instalados ao longo do percurso estão adequados e possuem as autorizações necessárias.
“O Círio de Nazaré é um patrimônio cultural brasileiro e reconhecido como patrimônio da humanidade pela Unesco. Então, toda essa articulação de salvaguarda é de competência do Iphan”, afirmou.
Cristina destacou que a segurança dos romeiros é uma das prioridades durante as procissões. Ela explicou que as estruturas são importantes principalmente para as pessoas que não conseguem acompanhar todo o percurso a pé, mas precisam estar em condições adequadas para receber o público.
A superintendente também explicou que as estruturas precisam passar pelas avaliações dos órgãos responsáveis antes de serem utilizadas.
“Por isso que essas estruturas precisam estar em perfeita ordem, autorizadas por todos os órgãos de inspeção, feitas todas essas avaliações de adequações”, afirmou.
A liberação das arquibancadas dependerá da correção das pendências apontadas durante a vistoria desta quinta-feira e da avaliação que será realizada pelos Bombeiros na sexta-feira (9). Até a conclusão dessa nova fiscalização, as estruturas permanecem sem autorização para receber o público.
