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Fitinhas nas grades da Basílica de Nazaré renovam pedidos e agradecimentos às vésperas do Círio 2026

Os pequenos laços coloridos carregam histórias de fé que ajudam a contar a relação dos devotos com a Rainha da Amazônia

O Liberal
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À medida que o Círio de Nossa Senhora de Nazaré se aproxima, Belém começa a respirar cada vez mais o clima de uma das maiores manifestações religiosas do mundo. Entre as tradições que se renovam ano após ano está a de amarrar fitinhas nas grades da Basílica Santuário e da Praça Santuário de Nazaré. Os pequenos laços coloridos carregam pedidos, agradecimentos e histórias de fé que ajudam a contar a relação dos devotos com a Rainha da Amazônia.

Embora ainda seja possível encontrar espaços vazios nas grades, a expectativa é que, nas próximas semanas, o cenário mude completamente. A movimentação já começou a crescer e deve se intensificar até outubro, quando milhares de fiéis passarão pelo local para registrar suas intenções.

image O padre Edvando Barros explica o significado da tradição de amarrar fitinhas nas grades do templo. Para ele, o gesto, que ganha força com a proximidade do Círio, representa pedidos, agradecimentos e a expressão da fé popular dos devotos de Nossa Senhora de Nazaré. (Wagner Santana | O Liberal)

De acordo com o padre Edvando Barros, da Basílica Santuário de Nazaré, o costume não faz parte das obrigações da doutrina católica, mas surgiu espontaneamente da devoção popular e da relação afetiva dos fiéis com Nossa Senhora. “O costume de atar uma fitinha, especialmente na grade da Basílica, no braço, é algo que nasce do sentimento coletivo da comunidade dos fiéis. É algo que não faz parte exatamente daquilo que é doutrina ou obrigação ou dogmática dentro do catolicismo, mas nasce do sentimento de amor, de fidelidade, de devoção que o fiel devoto sente para com Nossa Senhora”, afirmou.

Segundo o sacerdote, cada fita representa uma história. Algumas simbolizam súplicas por uma graça, enquanto outras registram o agradecimento por um pedido atendido. “Tanto essas fitinhas representam um pedido, uma oração, uma súplica, como elas também representam um agradecimento, uma ação de graças por uma graça alcançada. Como agradecimento pela graça alcançada se registra aquele momento atando uma fitinha. É algo que brota justamente desse sentimento do catolicismo popular, da vivência popular da fé”, declarou.

Para o padre, mais do que um gesto cultural, a prática possui profundo significado religioso e devocional. “Não é uma coisa apenas meramente cultural, mas é justamente devocional. É algo que une o devoto à Virgem Maria e recorda a quem passa de que ali houve alguém que pediu uma graça e foi atendido”, comentou.

Com a aproximação do Círio, o religioso explica que as grades da Basílica costumam ficar tomadas não apenas por fitinhas, mas também por outros objetos que representam promessas e agradecimentos. “A medida que vai se aproximando do Círio, isso aqui estará muito mais lotado de fitinhas, de placas de papelão pedindo graça ou agradecendo por ter passado no vestibular. Essas coisas vão aparecendo gradualmente, sempre com maior intensidade”, disse.

Após a festividade, todo o material é recolhido pela Basílica. “Chega o momento em que, após passar toda a festividade, é necessário fazer a retirada. Tudo aquilo será incinerado como uma entrega de todas aquelas intenções que foram colocadas aqui diante da casa da Rainha da Amazônia”, explicou.

Pedidos pela paz

Entre os devotos que passaram pela Basílica nesta semana estava a aposentada Rosa de Lima Batista, de 81 anos. Após amarrar uma fitinha na grade, ela revelou que seu principal pedido é pela paz.

A aposentada contou que a oração foi dedicada ao mundo inteiro e às relações entre as pessoas. “Hoje em dia, nós estamos precisando de paz. Não dessas guerras que estão acontecendo por aí, com pessoas morrendo. Então, a paz entre todos é tudo o que eu peço para Nossa Senhora de Nazaré, para que a gente possa ter fé em dias melhores. De mais amor ao próximo e solidariedade”, falou.

Antes de participar da missa, ela explicou que continuaria rezando por diferentes intenções. “Ainda vou pedir mais pela intercessão da paz, do amor, a saúde para todos nós. Eu fico rezando, pedindo para os meus irmãos doentes, pela minha família, pela convivência, pela paz. Enfim, tudo que vem de Deus é bom”, declarou.

Questionada sobre suas expectativas para o Círio deste ano, Rosa desejou que a festividade ocorra em tranquilidade. “Que seja tudo na paz de Deus, que não aconteça acidente. Nós temos que viver na paz de Deus, unidos como irmãos”, falou.

Fé que atravessa gerações

A assistente social Thaís Ribeiro Araújo, de 29 anos, também esteve na Basílica para agradecer graças alcançadas e renovar pedidos por saúde e proteção para a família. Ela conta que a visita faz parte da rotina familiar durante todo o ano, especialmente em períodos próximos ao Círio. “Todo ano a gente vem agradecer. Não só perto do Círio, mas pelas graças alcançadas, para pedir e agradecer”, disse.

image Thaís Ribeiro Araújo mantém viva a tradição familiar de amarrar fitinhas na Basílica de Nazaré, renovando pedidos de saúde, proteção e agradecimentos pelas graças alcançadas. (Wagner Santana | O Liberal)

Entre as intenções deixadas na fitinha estão a saúde da mãe, dos familiares e dos amigos. “Saúde para a minha mãe, família, amigos, proteção. A gente está precisando muito nas situações que a gente passa no cotidiano”, afirmou.

Neste ano, porém, o Círio terá um significado diferente para Thaís. Pela primeira vez, ela e a família estarão fora de Belém durante a festividade. “Dá um aperto. Nossa Senhora já abençoou tanta gente. Viajar sem vir agradecer dá um aperto no coração. A gente passou por muita coisa ao longo do tempo, mas a gente agradece de alguma forma”, comentou.

A devoção à Virgem de Nazaré também é transmitida à filha desde a infância. Thaís lembra que a menina participa das celebrações desde muito pequena. “O primeiro Círio dela foi com dois anos, no Círio das Crianças. Sempre trazendo ela, colocando na catequese, para aproximar da fé. A gente não pode perder a fé e a esperança”, declarou.

A própria história da família é marcada por promessas e agradecimentos. Em 2019, Thaís cumpriu uma promessa relacionada à recuperação da saúde da mãe. “Em 2019 eu paguei uma promessa porque a minha mãe não conseguia andar. Eu saí de Mosqueiro e vim a pé com os romeiros. Hoje a minha mãe está bem de saúde, graças a Deus”, contou.

Agora, a assistente social faz novos pedidos relacionados à própria saúde. “Eu pedi para mim, porque estou adoentada do rim, mas já tenho fé em Nossa Senhora que não vou precisar passar por cirurgia. A gente precisa rezar pelo próximo, pedir forças. Tirando a saúde, a gente já tem tudo”, afirmou.

Um cantinho para rezar

A tradição também já faz parte da vida de Cecília Araújo Martins, de 9 anos, filha de Thaís. Após amarrar suas fitinhas, a menina explicou que aproveitou a visita para rezar por pessoas que passam por dificuldades e por sua própria família. “Quando eu venho aqui eu sempre vejo uma pessoa na rua pedindo. Aí eu pedi que eles ajudassem essa pessoa a melhorar, para ela ter fé. E também pela minha família, pela saúde, para nada acontecer de mal”, disse.

Cecília contou que costuma rezar diariamente e que pretende levar a fé para dentro de casa. “Eu sempre continuo abençoando minha família todo dia”, afirmou. Durante a visita à Basílica, a menina também escolheu uma Bíblia para montar um espaço de oração em casa. “Eu comprei aqui mesmo. Agora vou levar para casa e montar o meu cantinho da oração”, declarou.

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Círio de Nazaré
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