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Estilista paraense transforma mantos de Nossa Senhora em missão de vida

Antônio José Araújo de Souza revela os bastidores da produção de mantos e fala sobre os 23 anos de dedicação à confecção das peças

Ana Laura Carvalho

O movimento das mãos é preciso. Uma a uma, as pedrarias são escolhidas, posicionadas e bordadas cuidadosamente sobre o tecido. O trabalho exige paciência, técnica e muitas horas de dedicação. No ateliê de Antônio José Araújo de Souza, em Belém, cada ponto carrega também um significado que vai muito além da estética: a fé em Nossa Senhora de Nazaré.

Natural de São Domingos do Capim, no nordeste do Pará, Antônio trabalha há mais de 30 anos com bordados e, há 23 anos, tem uma relação ainda mais especial com a produção de mantos para imagens de Nossa Senhora. Ao longo dessa trajetória, já participou da confecção de cerca de 15 mantos oficiais para a Imagem Peregrina do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, além de produzir peças para outros municípios paraenses, outros Estados, grupos religiosos e até celebrações fora do Brasil.

image No ateliê, Antônio transforma cristais, pérolas, vidrilhos e miçangas em peças marcadas pela fé e pela devoção a Nossa Senhora de Nazaré. (Cristino Martins | O Liberal)

A história de Antônio com os mantos começou em 2003, quando ele trabalhava com a esposa, que já atuava na área de bordados. Naquele ano, ela foi convidada por uma estilista para participar da produção de um manto oficial do Círio e chamou o marido para fazer o trabalho com pedrarias. O que começou como uma encomenda acabou se transformando em uma trajetória de mais de duas décadas. Ao relembrar o início dessa caminhada, o estilista afirmou que nunca mais deixou de produzir as peças. “Desde então, eu não parei mais nessa confecção. É algo que me encanta. É muito além de um trabalho. É uma missão mesmo, confeccionar os mantos de Nossa Senhora”, afirmou.

Desde então, Antônio passou a ser chamado por estilistas responsáveis pelos mantos oficiais do Círio e também começou a receber encomendas de outras localidades. Em alguns trabalhos, ele atua em parceria com estilistas convidados pela diretoria do Círio. Em outros, desenvolve sozinho o projeto, desde a concepção até a execução. “Geralmente, eu conheço as estilistas. Elas são convidadas pela diretoria para assinar os mantos e me chamam para bordar. Nessa história, já são 14, 15 mantos oficiais. Mas também faço por convite de outros municípios do Pará e até de outros Estados”, explicou.

A experiência também levou o trabalho do estilista para além das fronteiras do Pará. Antônio já confeccionou mantos para celebrações em Estados como Alagoas, Tocantins e Maranhão. Um dos trabalhos que ganhou destaque foi o manto utilizado no primeiro Círio de Nossa Senhora de Nazaré realizado em Miami, nos Estados Unidos, em 2023.

image Estilista Antônio José Araújo de Souza já participou da confecção de cerca de 15 mantos oficiais para a Imagem Peregrina do Círio de Nazaré. (Cristino Martins | O Liberal)

O convite surgiu por meio da estilista Letícia Nassar, que encontrou o trabalho de Antônio pelas redes sociais. O desafio, porém, era grande: havia apenas 28 dias para confeccionar uma peça que normalmente exige meses de dedicação. Mesmo diante do prazo reduzido, ele aceitou a missão. “Nós tínhamos 28 dias para confeccionar o manto. Eu tinha acabado de trabalhar no manto de 2023 quando ela me chamou. Quando disse que era para os Estados Unidos, eu até ri um pouco, porque normalmente levamos três meses. Mas eu disse: vamos lá, a gente consegue”, relembrou.

O trabalho foi concluído dentro do prazo e acabou abrindo novas portas para a parceria entre os dois profissionais. Antônio conta que a experiência com o manto de Miami também contribuiu para que Letícia Nassar fosse convidada a participar da confecção do manto oficial de 2024 do Círio de Belém, trabalho do qual ele também participou. “Foi uma viagem incrível. Em 28 dias nós entregamos o manto. Foi um trabalho muito apaixonante e deu tudo certo, graças a Deus. E foi a partir desse manto que a Letícia foi convidada para confeccionar o manto de 2024, e eu também ajudei na confecção”, destacou.

Um processo que começa na oração

Antes das pedrarias, existe a ideia. E, antes mesmo dela, segundo Antônio, existe a oração. O processo de criação de um manto começa a partir do tema da festividade, apresentado por paróquias, padres ou doadores. A partir daí, são discutidas cores, símbolos e elementos que devem estar presentes na peça.

Com as informações em mãos, o estilista inicia uma etapa de pesquisa e estudo para transformar o tema em formas, desenhos e movimentos no tecido. A inspiração, porém, não está apenas em referências de moda ou em trabalhos anteriores. Para Antônio, a natureza, as igrejas e a própria espiritualidade são fontes constantes de criação. “As paróquias, os padres ou os doadores me procuram e dão um tema da festividade. A partir do tema, temos uma conversa sobre as cores e os elementos que eles gostariam que fossem retratados. Aí começa um estudo, realmente. Muita oração, acima de tudo. Estudar o tema e muita oração”, contou.

No cotidiano do estilista, elementos simples também podem se transformar em inspiração. O movimento da água, o vento nas árvores e até as formas encontradas nas folhas ajudam a construir os desenhos que posteriormente serão reproduzidos nos mantos. “Para a confecção dos mantos eu busco muito a natureza, os movimentos da natureza, os tons da natureza. O movimento da água, o vento, o movimento do vento nas árvores e nas folhas me trazem inspiração para dar movimento aos mantos. E também busco inspiração em Deus e nas igrejas”, explicou.

image Entre tecidos e pedrarias, Antônio desenvolve trabalhos que unem técnica, criatividade e espiritualidade. (Cristino Martins | O Liberal)

A escolha dos materiais é outra etapa fundamental. Cristais de vidro, cristais de rivoli, vidrilhos, miçangas e pérolas estão entre os itens utilizados pelo estilista. A combinação entre diferentes tamanhos, formatos, cores e brilhos permite criar desenhos e efeitos que mudam de acordo com a iluminação e com o movimento da peça. “É uma infinidade de materiais que a gente busca para fazer o melhor sempre para Nossa Senhora”, destacou.

Atualmente, entre os trabalhos realizados por Antônio está um manto destinado a uma comunidade de Viseu, no Pará. A peça foi desenvolvida com arabescos que remetem à arquitetura de uma igreja e reúne diferentes tipos de pedrarias. O trabalho é fruto de uma parceria que começou no ano anterior, quando a comunidade recebeu outro manto produzido pelo estilista e decidiu fazer uma nova encomenda. “É um manto em arabescos que lembra a igreja. Ele é trabalhado com cristais, vidrilhos, miçangas e cristais de rivoli. Eles gostaram muito do trabalho do ano passado e me chamaram novamente”, contou.

Outro trabalho recém-finalizado é o manto oficial da Guarda Mirim da Basílica Santuário de Nazaré. Diferentemente de outras peças, a proposta para esse manto apostou em uma composição mais colorida e alegre, inspirada nas cores presentes no interior da Basílica. “É um manto bem alegre, tem cores. Eu me inspirei nas cores da Basílica, ali do altar da Basílica. São essas cores especificamente. Ele está aqui pronto para ser apresentado aos mirins”, explicou.

Meses de trabalho para uma única peça

Embora o resultado final possa ser visto em poucos minutos durante uma apresentação, a confecção de um manto é um processo longo. Desde o primeiro contato até a finalização, são necessários, em média, três a quatro meses de trabalho. O período, no entanto, não significa dedicação contínua todos os dias, já que a produção é intercalada com outras encomendas.

Quando o prazo é menor, como ocorreu com o manto de Miami, Antônio reorganiza a rotina e mobiliza outras pessoas para conseguir entregar a peça. Mesmo assim, ele afirma que a prioridade é preservar a qualidade do trabalho. “Desde o primeiro contato até a finalização, demora em média de três a quatro meses para confeccionar o manto. Às vezes, uma paróquia precisa de um tempo menor e a gente coloca toda uma força para desenvolver em menos tempo. Mas esses três, quatro meses não são diretos. O importante é fazer com tranquilidade e com a máxima perfeição que Nossa Senhora merece”, afirmou.

A produção também não é feita necessariamente de forma individual. Antônio conta que chama outras pessoas para ajudá-lo em determinadas etapas e que, durante a confecção, costuma receber pedidos de oração de pessoas que acompanham seu trabalho. Para ele, o manto começa a cumprir sua função religiosa antes mesmo de chegar à imagem. “Eu não trabalho sozinho. Chamo pessoas para me ajudar. E também tem as orações. As pessoas me pedem oração para que, quando eu esteja confeccionando, eu possa rezar por elas”, disse.

image Natural de São Domingos do Capim, Antônio construiu em Belém uma trajetória de mais de três décadas dedicada ao bordado. (Cristino Martins | O Liberal)

O manto que virou símbolo de fé e superação

Entre tantos trabalhos realizados ao longo de mais de duas décadas, um ocupa um lugar especial na memória de Antônio: o manto oficial do Círio de Belém de 2018. Naquele ano, enquanto finalizava a peça, o estilista sofreu um acidente e posteriormente foi diagnosticado com tétano. O quadro se agravou rapidamente e ele entrou em coma. Segundo Antônio, os médicos chegaram a dizer à família que não havia mais o que fazer e que apenas um milagre poderia mudar o cenário.

Enquanto ele estava internado, amigos da Guarda de Nazaré levaram a Imagem Peregrina até o hospital. Antônio conta que, naquele momento, começou a apresentar sinais de recuperação. A experiência se tornou um dos episódios mais marcantes de sua vida e fortaleceu ainda mais a relação de fé que ele mantém com Nossa Senhora. “Quando a imagem chegou, eles começaram a rezar. Os médicos perceberam que, quando a imagem saiu, eu comecei a ter sinais de vida novamente. Então eles voltaram a investir no tratamento e, nas palavras deles, viram naquele momento o milagre acontecer”, relembrou.

Antônio passou cerca de 30 dias em coma, outros dez na UTI e permaneceu 47 dias no hospital. Depois da internação, enfrentou sequelas e um longo processo de recuperação. Quando finalmente despertou, estava justamente no período de apresentação do manto que havia ajudado a confeccionar. Médicos e profissionais que conheciam a história mostraram a ele vídeos, fotos e imagens da apresentação da peça. “Eu saí bastante sequelado, mas com a certeza de que eu ia ficar bem, porque eu sentia a presença de Nossa Senhora. Naquele tempo em que eu estava na UTI, ela dizia para mim que eu ia ficar bem. E fiquei, graças a Deus”, afirmou.

A experiência fez com que o manto de 2018 ganhasse um significado particular. Não era apenas uma peça que ele havia ajudado a produzir, mas o trabalho que estava sendo finalizado enquanto ele enfrentava uma das situações mais difíceis de sua vida. “Aquele manto realmente marcou por tudo que eu vivi, pelas orações. Eu estava na UTI, os médicos sabiam da história e, quando acordei, vieram me mostrar vídeos, fotos e imagens da apresentação do manto. Com certeza, é um manto que me marcou muito”, destacou.

Formação acadêmica se soma à experiência

Apesar da longa experiência profissional, Antônio continua estudando. Atualmente, é universitário do curso de Moda de uma faculdade particular de Belém e está no quinto semestre. A formação acadêmica se soma a mais de três décadas de experiência prática com bordados e amplia as possibilidades de criação dentro do ateliê.

Além dos mantos, ele trabalha com bordados para vestidos de noivas, roupas de festa, debutantes, formandas, toalhas, adereços, fantasias, cartazes do Círio e outros tipos de peças. Para ele, cada encomenda é encarada com o mesmo comprometimento. “Eu trabalho com bordado em roupas de festa, de noiva há 15 anos. Todo tipo de evento que me procura, eu consigo desenvolver. Todo trabalho é feito com paixão. Eu já tenho mais de 30 anos trabalhando com bordado”, afirmou.

Mas é nos mantos de Nossa Senhora que Antônio diz encontrar uma realização diferente. O trabalho, segundo ele, transformou não apenas sua trajetória profissional, mas também sua maneira de enxergar a própria vida. “O que me traz realização, por gratidão e por amor, são os mantos de Nossa Senhora. Cada vez que recebo uma encomenda, é como se fosse a primeira vez. A paixão e a alegria de desenvolver um trabalho são muito fortes”, declarou.

Uma missão que também transforma quem faz

Para Antônio, a produção de um manto não termina quando a última pedraria é fixada. Durante o processo, ele diz que costuma rezar pelas pessoas e entende que a peça começa a cumprir uma função de evangelização ainda dentro do ateliê.

Essa percepção ficou ainda mais forte durante a pandemia, quando pessoas passaram a procurá-lo não apenas para falar sobre mantos, mas também para pedir orações. A partir dessas experiências, o estilista passou a compreender o trabalho como uma responsabilidade espiritual. “Durante a pandemia, eu senti uma responsabilidade muito grande de entender o que esse trabalho era. Não era somente um trabalho. As pessoas me pediam oração, vinham muito debilitadas, muito enfraquecidas. Diziam: ‘Conversa com Nossa Senhora. Ela te ouve. Fala com ela que ela vai te ouvir’”, relembrou.

A relação com Nossa Senhora, segundo Antônio, também provocou mudanças pessoais. Ele afirma que passou a desenvolver mais paciência, amor e disposição para ajudar outras pessoas. A transformação, para ele, está diretamente relacionada aos anos dedicados à produção dos mantos. “Eu não sou a mesma pessoa de antes de fazer os mantos. Hoje sou outra pessoa, completamente diferente. Consigo ter muito mais amor e também consigo ajudar outras pessoas a partir disso”, afirmou.

E é justamente esse sentimento que acompanha o estilista toda vez que recebe um novo convite. Mesmo depois de mais de 20 anos produzindo mantos, a emoção permanece. Antônio conta que ainda sente as mãos tremerem diante de cada novo desafio, como se fosse a primeira vez.

Ao falar sobre o que sente quando está diante de um tecido ainda sem bordados, imaginando como ele ficará depois de meses de trabalho, o estilista não encontra uma única palavra para definir a experiência. Para ele, o processo reúne fé, gratidão, devoção e amor. “Quando eu recebo um convite, é gratidão. Quando estou ali confeccionando, estou rezando e pedindo pelas pessoas. O que me passa é uma profunda gratidão. Confeccionar o manto de Nossa Senhora acaba sendo um alimento espiritual para mim. É algo que me realiza completamente”, destacou.

À medida que o Círio de Nazaré se aproxima, o trabalho no ateliê ganha ainda mais significado. Entre tecidos, linhas, cristais, pérolas e miçangas, Antônio continua dando forma às peças que posteriormente serão vistas por milhares de pessoas. Para ele, cada manto é único e representa uma oportunidade renovada de servir à sua fé. “É algo muito forte, muito poderoso, que vem dos céus”, afirmou Antônio ao tentar traduzir em palavras a relação que construiu com os mantos de Nossa Senhora.

Peça é um dos elementos mais aguardados pelos fiéis

Muito além de uma peça que veste a Imagem Peregrina durante as procissões, o manto de Nossa Senhora de Nazaré é considerado um dos principais símbolos do Círio. A cada ano, a peça é renovada e apresentada aos fiéis em um dos momentos mais aguardados da festividade. Para Antônio Sousa, coordenador do Círio 2026, o manto pode ser entendido como uma verdadeira “veste de honra” para Nossa Senhora e carrega consigo a fé e a devoção de milhares de pessoas.

Segundo ele, a peça também estabelece uma conexão visual entre a Imagem Peregrina e o tema espiritual escolhido para cada edição do Círio. “O manto é um dos símbolos mais aguardados pelos fiéis. Ele funciona como uma veste de honra, renovada a cada ano, e carrega em si a fé de todo um povo. Para quem acompanha a Imagem Peregrina, ele reforça essa sensação de proximidade com o sagrado e marca visualmente o tema espiritual daquele ano”, explicou.

A escolha dos elementos que compõem o manto, porém, não ocorre de maneira aleatória. Antônio destaca que a criação precisa seguir critérios relacionados ao tema do Círio, desde as cores até os desenhos, adereços e materiais utilizados. Cada detalhe deve contribuir para transmitir uma mensagem aos devotos e estabelecer uma relação com a espiritualidade mariana.

“O manto precisa estar de acordo com o tema do Círio de cada ano. As cores, os adereços e os desenhos precisam passar uma mensagem. Então, nada é aleatório. Cada cor, cada forma e cada material dialogam com o tema da festividade e com passagens marianas”, afirmou.

Entre os exemplos citados pelo coordenador está o manto de 2023, que teve o verde como cor predominante e incorporou elementos relacionados à Basílica Santuário de Nazaré. As ramificações presentes na peça faziam referência aos mosaicos da Basílica, enquanto cristais incolores simbolizavam a luz. O desenho também trouxe a representação da flor de lótus esculpida no teto do templo, associada à simbologia da Trindade Divina.

Outro exemplo foi o manto de 2022. Na peça, o azul suave na parte superior representava o Caminho do Céu, alcançado por meio de Jesus, enquanto o branco ao redor da Rosa fazia referência à Eucaristia. Para Antônio, a utilização de materiais nobres, bordados e pedrarias também contribui para a mensagem transmitida pela peça, remetendo à realeza espiritual atribuída a Nossa Senhora.

“Existe todo um significado por trás daquilo que é colocado no manto. Os materiais nobres, os bordados e as pedrarias não estão ali apenas para deixar a peça mais bonita. Eles também ajudam a traduzir essa ideia da realeza espiritual de Nossa Senhora e a transmitir a mensagem daquele Círio”, destacou.

Todo esse processo é cercado de sigilo e reverência. A escolha dos profissionais responsáveis pela criação (normalmente um estilista e um designer) é feita pelo casal coordenador da Festa de Nazaré. A partir daí, o desenvolvimento do manto segue de forma restrita, justamente para preservar uma tradição que envolve fé, expectativa e emoção.

De acordo com Antônio, o trabalho dos profissionais responsáveis pela peça também deve ser compreendido como uma missão. “O processo de criação é sempre muito restrito e sigiloso. O estilista e o designer são escolhidos pelo casal coordenador da Festa de Nazaré. Não é um projeto de moda comum. É uma missão de fé, quase como um ato de devoção pessoal”, afirmou.

O resultado desse trabalho é revelado diante de milhares de pessoas e costuma provocar forte emoção entre os devotos. Quando finalmente é colocado sobre a Imagem Peregrina, o manto deixa de ser apenas uma criação artística e passa a assumir uma dimensão coletiva, tornando-se parte da experiência de fé vivida durante o Círio. “Quando o manto é colocado sobre a Imagem Peregrina, ele ganha um significado ainda maior. A emoção das pessoas na apresentação mostra que aquela peça passa a representar algo muito maior do que a própria criação artística. Ela passa a carregar a fé, a devoção e o sentimento coletivo de um povo”, ressaltou Antônio Sousa.

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