Corda do Círio 2026 recebe bênção em Castanhal antes de seguir a Belém nesta quarta-feira (23)
Entrega oficial é feita empresa de Castanhal que confeccionou o item
Depois de sete meses de planejamento e produção, a corda do Círio 2026 está pronta para seguir de Castanhal para Belém. A entrega oficial foi realizada a partir das 9h desta quarta-feira (23), pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), responsável pela fabricação do material que será utilizado no Círio e na Trasladação deste ano.
Pelo quarto ano consecutivo, a empresa castanhalense produz a corda que acompanha milhares de devotos durante as procissões. O trabalho envolveu mais de 480 trabalhadores entre as etapas de planejamento e fabricação.
A entrega marca mais uma participação de Castanhal em uma das principais tradições religiosas do Pará. O bispo da Diocese de Castanhal, Dom Manoel Oliveira, destaca a importância da corda para os moradores do município, especialmente para os castanhalenses.
Corda do Círio segue para Belém após entrega em Castanhal
Após a solenidade e a benção, às 9h a corda deixou Castanhal em um caminhão acompanhado pela Guarda de Nazaré, com destino a Belém. A previsão de chegada à capital paraense é às 11h30.
Durante a cerimônia na CTC, participaram do momento de agradecimento os colaboradores da empresa, representantes da Diretoria da Festa de Nazaré (DFN), da Guarda de Nazaré e a diretoria da companhia. Para o coordenador do Círio 2026, Antonio Sousa, que acompanhou a entrega em Castanhal, a solenidade representa a aproximação da festividade e o encerramento de uma das etapas de preparação.
"É o quarto ano que a corda é fabricada aqui. É a fabricação para o Círio de Nazaré, fabricação no Pará, e a cada ano é uma emoção diferente. Esse momento da entrega tem um significado novo, um significado de renovo para o Círio de Nazaré", afirmou.
Antonio destacou ainda o simbolismo de a corda ser produzida no próprio Estado e com matéria-prima da Amazônia. "Com certeza, a corda do Círio é um dos ícones mais fortes que nós temos, uma das maiores demonstrações de fé do povo na condução da corda durante o Círio e a Trasladação. A gente fica muito feliz com essa parceria há quatro anos, por a nossa corda ser feita por mãos paraenses, pela população de Castanhal, pela empresa do Pará, pela fibra da Amazônia, que é a malva. Então, tudo isso representa muito."
O coordenador também relacionou a entrega ao avanço da preparação para as procissões. "Esse momento é muito importante, é quando a gente recebe a corda, que é um dos ícones que a gente tem mais cuidado de preparar. Tira um peso da gente, quando a gente já recebe ela, já guarda, já faz a parte de inspeção, medição. É o Círio chegando. Então, a emoção é cada vez maior, ficamos felizes."
Para Antonio Sousa, a saída da corda de Castanhal reforça a sensação de que a festividade já entrou na reta final de preparação. "Podemos dizer que hoje começa um pouquinho do Círio. É como eu digo, a resposta pode ser começa, sim, mas, praticamente, o Círio já está acontecendo. A corda, como se diz, faz aquele pulsar mais forte. A gente está numa reta final, então todos esses momentos que a gente está vivendo agora são o nosso Círio na veia, ali no sangue, no ar que está se respirando. E a corda veio para justamente começar toda essa emoção."
Para Hélio Meireles, diretor geral da CTC, a participação da empresa na fabricação da corda já se transformou em uma tradição. Ele ressaltou que o material que segue para Belém também carrega a participação dos trabalhadores envolvidos na produção.
"Hoje entregamos algo que estará nas mãos de pessoas que farão pedidos, agradecerão por graças recebidas e milagres. A CTC, fazendo parte da grande festa, já se tornou uma tradição. A corda do Círio ser produzida aqui leva um pedacinho de cada colaborador para esta grande procissão", afirmou.
A produção deste ano levou sete meses, sendo três de planejamento e quatro de fabricação, e envolveu mais de 480 trabalhadores. A corda é feita integralmente no Pará desde 2023, quando a produção deixou de ser realizada em Santa Catarina. A matéria-prima é a fibra de malva, cultivada em mais de 20 municípios paraenses e cuja cadeia produtiva envolve mais de mil famílias da agricultura familiar.
"Para nós é sempre um orgulho e eu considero que é uma tradição já, o quarto ano. Eu acho que a CTC se comprometeu e está comprometida em, pelas próximas décadas, poder continuar sendo a fornecedora da corda", disse Hélio.
A corda possui 800 metros de comprimento, divididos em dois trechos de 400 metros, destinados ao Círio e à Trasladação, e tem 60 milímetros de diâmetro. Os pontos submetidos a maior força durante as procissões, principalmente nós e argolas, são reforçados e passam por testes de resistência e tração.
A sustentabilidade também é apontada pela CTC como parte da cadeia de produção do material, que utiliza uma fibra de origem amazônica e envolve agricultores familiares paraenses.
"É um evento magnífico, de muita fé, muita gratidão, de muita esperança, e eu entendo que os colaboradores da CTC se sentem muito orgulhosos de poder participar com um pedacinho que é a corda na procissão do Círio", afirmou Hélio.
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