Às vésperas do Círio de Nazaré, crianças e jovens se preparam para mais uma edição do concerto “Um Canto para Maria”, que há 26 anos reúne música, fé e devoção em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré. A apresentação será realizada no dia 9 de outubro, às 20h, na Basílica Santuário de Nazaré, em Belém. A preparação para o concerto envolve ensaios, trabalho vocal e a construção de um repertório especialmente pensado para a ocasião. No último sábado (26), o coral participou de mais um ensaio no Núcleo de Projetos Sociais da Basílica Santuário de Nazaré (NUPS). O ensaio geral está marcado para o dia 1º de outubro, quando o grupo entra na etapa final de preparação para a apresentação.
O trabalho com as crianças e os jovens, no entanto, não se restringe ao período do Círio. Ao longo do ano, o projeto promove o contato com a música, a convivência em grupo e a formação dos participantes por meio da experiência musical e coletiva. Tradicionalmente realizado na semana que antecede a grande procissão do Círio, o “Um Canto para Maria” contará, neste ano, com repertório especial, diferentes instrumentos e participações, em uma noite dedicada à Rainha da Amazônia.
Para o regente do coral e educador musical Gabriel Catete, porta-voz do grupo, a preparação envolve desde o aquecimento até o trabalho específico com cada naipe. “A escolha do repertório é feita em conjunto com as pessoas que são responsáveis do pelo Canto para Maria, no caso a Patrícia, que é a responsável. A escolha do repertório foi feita alinhada com eles, para cada um ter a sua parte lá na apresentação”, disse.
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“A gente começa com aquecimento, depois a gente vai vendo parte a parte da música em naipes diferentes. Eles são divididos em quatro vozes diferentes, duas vozes masculinas, duas vozes femininas. E eles são preparados assim nas unidades e aí a gente chega aqui no, no grande ensaio de sábado e junta todas as vozes para a gente ouvir como é que fica, naquela organização bonita do coral”, explicou.
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Recomeço para os participantes
Gabriel também falou sobre o significado de o coral cantar em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré às vésperas do Círio e sobre a maneira como música e evangelização se encontram nesse trabalho. “Eles já participaram antes de vários eventos. O coral existe desde 2024 e aí ele estava parado um tempo e voltou agora nesse semestre”, contou. “Então, para eles, como vai ser a primeira apresentação, eu acho que vai significar um recomeço, significa uma chance de mostrar o que que eles têm. A capacidade deles e o aprendizado que eles tiveram até agora musical. Dentro dos projetos sociais a gente não evangeliza, mas eu acho que as músicas que a gente vai trazer no Canto para Maria evidenciam o momento do Círio. Eles são quase que uma abertura, porque na, sexta-feira antes do Círio, vai ser um momento bem bonito para celebrar a Virgem de Nazaré. Vai ser bem bacana”, afirmou.
O regente também explicou como funciona o trabalho musical realizado com crianças e jovens ao longo do ano e falou sobre as transformações percebidas nos participantes a partir da convivência com o coral e com a música. “Os educadores itinerantes visitam unidade por unidade, uma unidade por dia. E aí a gente faz atividades musicais que, que envolvem instrumentos, envolvem canto”, contou.
Sobre as transformações percebidas nos participantes, Gabriel destacou a concentração e a evolução musical ao longo do tempo. “É engraçado perceber que eles ficam mais atentos, eles saem um pouco daquela questão de telas e celulares e ficam muito focados na música. Eles vão melhorando com o tempo. Dá para ver uma evolução de quem não conseguia tocar uma corda do violão para estar tocando um acorde; quem tocava bateria só com uma mão agora já consegue tocar com duas mãos e fazer ritmos diferentes. Então, eles têm uma evolução gradual com a participação das aulas de música. Eles gostam muito, eu percebo que eles se divertem muito nesse dia”, observou.
Repertório
Para o concerto deste ano, o coral prepara músicas que serão apresentadas durante o “Um Canto para Maria”. Gabriel também adiantou parte do repertório e contou que haverá uma surpresa no encerramento. “O nosso coral vai cantar Virgem de Nazaré, do padre Vitaliano, que dá o nome ao nosso coral. Ele compôs a versão da Hermelinda. E vai cantar também Alma de Cristo, uma música um pouco mais solene, como se fosse uma oração. E, no final, vai ter um grande encontro de todas os, os participantes, todos os corais, todos os cantores, para fazer três músicas muito especiais, que eu vou deixar de surpresa para para quem for assistir o Canto para Maria”, destacou.
Entre os participantes está Amanda Martins, soprano do coral. Ela contou que a música passou a ocupar um espaço importante em sua vida e que ficou triste quando o coral interrompeu as atividades, mas voltou a se sentir feliz com a retomada do trabalho. “Eu entrei no coral ano passado, em 2025, e me sinto muito feliz no coral. Eu me sinto mais alegre. Eu canto. Isso é uma coisa que me deixa muito feliz. É uma coisa que já faz parte de mim. Eu não consigo ficar sem. E, quando o coral deu uma parada, eu fiquei muito triste, mas agora já tem o novo professor e a gente consegue desenvolver o coral. E eu fico muito feliz”, afirmou.
Para Amanda, participar de um concerto dedicado a Nossa Senhora de Nazaré durante o período do Círio é uma experiência marcada pela fé. “Isso representa muita fé. A gente canta com o coração. A gente canta e ensaia muito, com muito desempenho. A gente é muito empenhada. A gente tem muita fé. E isso ajuda a gente a poder cantar melhor, a poder desenvolver as músicas”, acrescentou.
Ela contou que já tinha vontade de participar do coral, mas estava indecisa. A decisão veio depois que percebeu que poderia desenvolver sua voz. “Eu já queria participar do coral, mas eu estava meio indecisa. Mas, quando eu vi que eu tinha um potencial na minha voz, eu escolhi participar. Fiz o teste, entrei no coral e até hoje estou aqui”, afirmou. A experiência também trouxe novos aprendizados musicais “Já aprendi a alcançar notas diferentes que eu não conseguia antes. Já consegui desenvolver melhor, ler as partituras bem. A dicção fica melhor também quando a gente canta”, disse.

Nazinha e o Círio
Outro participante é José Augusto Silva, barítono do coral. Ele explicou a função de sua voz dentro do conjunto e faz uma comparação para explicar como o barítono contribui para a música. “E eu sou um barítono, que são as vozes mais graves de um coral. E é a função é basicamente fazer um aquele efeito especial”, disse. José Augusto também contou que a participação no coral ajudou a mudar seu comportamento. No começo, disse, ele era muito nervoso e fechado, mas foi ganhando confiança com os ensaios e apresentações.
“E acabou que eu fui começando a me soltar mais, justamente porque eu fui praticando. E, como a gente ia para as apresentações, eu fui me soltando mais. E nisso daí eu acabei me interessando muito pela música, pelos corais também. Tanto que eu já estou seguindo um pouco mais um pouco mais profissional na música”, contou.
Para José Augusto, cantar para Nossa Senhora de Nazaré durante o período do Círio tem um significado especial. “É de grande valor. Nazinha, Círio... É uma emoção só, que é inexplicável. Cantar para ela, dedicar músicas a ela. É muito gratificante ver que todo o meu desenvolvimento está sendo usado da melhor maneira possível”, disse. O jovem contou ainda que chegou ao coral por incentivo do projeto Unidade Casulo. “Foi um incentivo do meu projeto, o Unidade Casulo. Aí eu acabei entrando, não estava gostando tanto, mas aí eu acabei me continuaram me incentivando, continuaram me incentivando e acabei ficando”, disse.
Desde que entrou no coral, José Augusto afirmou ter descoberto que a música vai muito além de instrumentos e voz. Ele passou a compreender também a importância das diferentes vozes e harmonias dentro de um coral. “Eu aprendi muitas coisas sobre a música em si - que a música também não é tanto só sobre um violão ou um teclado e a voz, uma letra. Eu descobri um pouco sobre as harmonias”, contou.