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Círio 2026: 'A corda veio para começar toda essa emoção', diz coordenador antes da chegada a Belém

A corda está em Castanhal e será enviada a Belém nesta quarta-feira (23)

O Liberal
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A entrega da corda que será utilizada no Círio e na Trasladação de 2026 é um dos momentos mais esperados que antecedem a grande celebração. O material será entregue pela Companhia Têxtil de Castanhal (CTC) à Diretoria da Festa de Nazaré (DFN) a partir das 9h desta quarta-feira (23), em Castanhal, e seguirá para a capital paraense. O coordenador do Círio 2026, Antonio Sousa, que acompanha a entrega, fala sobre como toda essa organização representa uma renovação.

Esta é a quarta vez consecutiva que a CTC produz a corda no Pará, após a fabricação ter sido transferida de Santa Catarina para Castanhal, em 2023.

“A cada ano é uma emoção diferente. Esse momento da entrega tem um significado novo, um significado de renovo para o Círio de Nazaré", afirmou.

Segundo o coordenador, a produção paraense também reforça a relação da corda com elementos da própria Amazônia. O material é feito com fibra de malva cultivada no Estado, em áreas de agricultura familiar que envolvem mais de mil famílias de mais de 20 municípios.

"Com certeza, a corda do Círio é um dos ícones mais fortes que nós temos, uma das maiores demonstrações de fé do povo na condução da corda durante o Círio e a Trasladação. A gente fica muito feliz com essa parceria há quatro anos, por a nossa corda ser feita por mãos paraenses, pela população de Castanhal, pela empresa do Pará, pela fibra da Amazônia, que é a malva. Então, tudo isso representa muito", disse Antonio.

A corda deste ano tem 800 metros de comprimento, divididos em duas partes de 400 metros, uma destinada ao Círio e outra à Trasladação. O material possui 60 milímetros de diâmetro e passou por sete meses de preparação, sendo três meses de planejamento e quatro de fabricação. Mais de 480 trabalhadores participaram das diferentes etapas.

“Se Deus quis dar o Círio para o nosso Estado, para a cidade de Belém, por que não ser um ícone do Círio confeccionado no nosso Estado? Então, a gente é muito feliz por isso. E esse momento é muito importante, porque é quando recebemos a corda, que a gente tem mais cuidado de preparar", destacou o coordenador.

Envio para Belém

Depois da entrega em Castanhal, o material seguirá para Belém, com chegada prevista para as 11h30. A corda ficará armazenada na Estação Luciano Brambilla até a vistoria oficial, marcada para sábado (26), às 15h, no Colégio Santa Catarina de Sena, no bairro de Nazaré.

A equipe da DFN e a Guarda de Nazaré vão verificar as condições do material, incluindo nós, argolas e estações metálicas, além de conferir novamente os 800 metros de extensão. Os pontos submetidos à maior força durante as procissões recebem reforço e passam por testes de resistência e tração.

Para Antonio Sousa, receber a corda representa também a proximidade concreta das procissões. "Tira um peso da gente quando a recebemos. Já guardamos a corda e realizamos a parte de inspeção e medição. É o Círio chegando. Então, a emoção é cada vez maior. Ficamos felizes. Podemos dizer que hoje começa um pouquinho do Círio."

Questionado se a chegada da corda poderia ser considerada o início da festividade, o coordenador afirmou que a preparação já está em andamento, mas destacou o peso simbólico do momento.

"É como eu digo, a resposta pode ser: começa. Mas, praticamente, o Círio já está acontecendo. A corda faz aquele pulsar mais forte. A gente está numa reta final, então todos esses momentos que a gente está vivendo agora são o nosso Círio na veia, ali no sangue, no ar que está se respirando. E a corda veio para justamente começar toda essa emoção", diz.

Após a vistoria, a parte destinada à Trasladação ficará exposta na Estação Luciano Brambilla, enquanto a corda que será utilizada no Círio será levada para a Estação das Docas. Os dois materiais permanecerão nos locais até 11 de outubro.

A corda faz parte da história do Círio desde 1855, quando foi utilizada para ajudar a movimentar a berlinda após uma enchente deixar o trajeto entre o Ver-o-Peso e as Mercês tomado por lama. Em 1885, o objeto foi incorporado oficialmente à procissão. Ao longo dos anos, passou por mudanças até chegar ao formato linear utilizado atualmente, dividido em cinco estações de duralumínio por questões de segurança. Desde então, a corda se consolidou como um dos principais símbolos da festividade e como o elo físico entre os devotos e a berlinda de Nossa Senhora de Nazaré.

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Círio de Nazaré
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