Circulando em Belém promove imersão aos bairros onde a capital paraense começou

Dominik Giusti

Você já experimentou sair por Belém, especialmente nos bairros onde a capital paraense iniciou, para exercitar seu olhar e pensamento crítico sobre a cidade? O projeto Circular Campina-Cidade Velha se propõe a reapresentar esses locais para olhares habituados (e não acostumados também).

Criado em dezembro de 2013, inicialmente, para estimular a circulação de pessoas em espaços artísticos do centro histórico de Belém, o projeto Circular Campina - Cidade Velha (que leva o nome dos bairros onde a capital paraense foi originada) tomou outras proporções, com desdobramentos essenciais para se pensar cultura e espaço público. Tudo começou quando Makiko Akao, gerente da Kamara Kó Galeria, localizada na travessa Frutuoso Guimarães - em pleno comércio - passou a se incomodar com a degradação dos prédios e da falta de estímulos para que se visitasse a região para além da questão comercial.

Makito Akao (Naiara Jinknss / Troppo)

 

Ela também notou que uma série de artistas e produtores, mesmo com essa lacuna, passaram a abrir estabelecimentos culturais apostando na conexão com o lugar, pela vocação histórica, social, arquitetônica. E decidiu chamá-los para apresentar o projeto e começar a realizá-lo. De pouco a pouco, o projeto foi crescendo e tomando corpo, com novos parceiros e com apoios institucionais. De um grupo de apenas seis espaços, hoje o projeto conta com mais de 40 espaços artísticos, gastronômicos e sociais, inclusive dos bairros do Reduto, Nazaré, Batista Campos. 

Ao longo dos anos, novos formatos foram sendo pensados, como por exemplo a inclusão de atividades pelas ruas do bairro da Campina, com cortejos cênico-musicais, e a interlocução com comunidades onde dificilmente se chega uma ação de política pública, com ocupação de espaço municipal, no caso do projeto realizado pelo Coletivo Aparelho no Mercado do Porto do Sal, na Cidade Velha. Esse espraiamento das ações e a constante inquietação sobre o lugar e sobre as pessoas foram se tornando cada vez mais preponderantes, ao ponto de no ano passado, o projeto ter realizado um Fórum para se discutir o patrimônio social e cultural do centro histórico, com interlocução com a Universidade Federal do Pará (UFPA) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e com patrocínio há quatro anos do Banco da Amazônia, via Lei Rouanet, dentre outros. 

“Há muito tempo, frequento o bairro da Campina, quase 30 anos. Acho que antes era até um pouco melhor do que é hoje.  Então, o ‘Circular’ surgiu quando percebi que os bairros estavam se transformando em uma área de cultura e que os espaços poderiam servir de atrativos. Nesses cinco anos, com muitos esforços e com muitas críticas também, conseguimos passar da etapa de realizar eventos, exposições, etc, para um movimento para ressignificar o centro histórico”, declara Makiko Akao - que destaca o empenho significativo da sociedade civil nessa construção do projeto.

Reconhecimento


Em novembro de 2018, o projeto levou o ‘Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade’, do Iphan, pelo mérito de suscitar a transformação do centro histórico de Belém. “Hoje vejo o ‘Circular’ como um canal de diálogo. A participação da sociedade civil é fundamental, precisamos questionar, nos unir e usar esse canal aberto para propor soluções. Ainda temos muito a caminhar; não é algo para cinco ou 10 anos. Temos ações educativas, culturais, de participação efetiva das pessoas. É um trabalho que vale a pena olhar para trás e ver o que aconteceu”, completa Makiko.

Desafios para 2019
Para este ano, a coordenadora geral do Circular Campina-Cidade Velha destaca que o objetivo é aproximar-se das “comunidades” dos bairros do centro histórico - local lembrado quase sempre pela herança cultural e pelos casarões, mas que também possui uma complexidade e diversidade de fatores que não fazem parte apenas desse viés histórico. Os dois bairros que são logradouros primeiros da capital são como um microcosmo da realidade social de Belém: existem diferenças sociais, área com palafitas (como as que se localizam ao longo do Beco do Carmo, logo atrás da Igreja do Carmo, na Cidade Velha), problemas com lixo, com moradores de rua - só para citar algumas mazelas latentes. 

“Acho que qualquer projeto dessa natureza tem um amadurecimento e para isso é preciso tempo para evoluir para outros patamares. Foi um tempo necessário para se fazer a passagem para um outro estágio, com novas dimensões. Isso possibilitou também um amadurecimento em rede. Agora queremos ser como vizinhos, estar na porta do morador, do comerciante, do empresário, com ferramentas de aproximação e de estímulo, com escuta, cumplicidade e para que a gente divida momentos alegres e aqueles nem tão felizes”, comenta Tamara Saré, informando ainda que serão realizadas oficinas e outras atividades abertas aos interessados. 

Tamara Saré (Naiara Jinknss)

 

E é justamente esse sentimento que estimulou a editora Andrea Sanjad a se envolver com as ações. Primeiramente, como cidadã, e agora também como colaboradora. Ela diz que uma das coisas que mais gosta de fazer é caminhar pelas ruas da cidade, para se ter proximidade com o espaço onde se mora, e destaca que o projeto Circular faz justamente isso: convida ao convívio com as pessoas daqueles bairros. 

“Em qualquer lugar do mundo, nas cidades mais bacanas pelo menos, o centro histórico é valorizado e priorizado nas políticas públicas de conservação. Me chamou a atenção que um grupo de pessoas tenha tomado a iniciativa de promover o movimento para a reabilitação desses espaços para convívio não só dos moradores, mas de todos. Participo de rever lugares, pessoas queridas e de mostrar as coisas que gosto para meus filhos, também”, diz. 

Andrea acredita que revitalizar o centro histórico é voltar a viver e acredita que é muito importante compreender o papel das cidades para a construção do futuro das cidades e das pessoas que a habitam. “É o cidadão que faz a cidade, é responsabilidade dele a defesa da cidade. Sou convicta de uma ideia defendida pelo arquiteto Jaime Lerner há muitos anos atrás. Em uma entrevista, ele disse: ‘a cidade é o último refúgio da solidariedade’, pois é nela que se encontram o coletivo e o individual. Se não lutarmos por isso, que futuro podemos esperar?”, questiona, numa excelente oportunidade de reflexão.

 

#VemCircularBelém!

A 25ª edição do Circular Campina Cidade Velha reúne mais de 40 espaços culturais e ações para o domingo dia 7 de abril, das 8h às 20h, nos bairros da Capina, Cidade Velha e Reduto. A programação completa com todos os detalhes pode ser acessada no site do projeto (www.projetocircular.com.br), mas a Troppo + Mulher adianta aqui algumas coisas que você não pode perder. Confira.

BAIRRO DA CAMPINA

ASSEMBLEIA PARAENSE (SEDE SOCIAL) - Av. Presidente Vargas, 762 – Tem exposição fotográfica na Varanda da Sede Social, das 10h às 18h. Trabalhos dos fotógrafos do CLUB DO URUBU – STREETPHOTO.

BIKE ANJO BELÉM – Vai rolar na Praça da Bandeira - Trav. Padre Eutíquio com João Diogo - das  9h às 12h. Ótimo para levar a garotada interessada em aprender a pedalar da forma correta e segura. Chegue cedo e se inscreva.

CENTRO DE CULTURA E TURISMO SESC VER-O-PESO - Av. Boulevard Castilhos França, 522/523. Das 9h às 18h – Além da exposição “Cigarras Elétricas”, será exibido o longa metragem “Para ter onde ir”, da cineasta Jorane Castro.

DISCOSAOLEO – Um porão charmoso na Trav. Campos Sales, 628, entre Riachuelo e General Gurjão. Das 10h às 18h – Pockets show das bandas Enfim Nós (11h30), Pelé do Manifesto e Everton MC - Preto e Branco (15h30) e Loxodonta Groove (17h).

ESPAÇO CULTURAL VALMIR BISPO SANTOS – Um Casarão muito antigo na Trav. Padre Prudêncio, nº 681, entre Carlos Gomes e Gama Abreu – Das 9h às 15h, haverá várias exposições além de comida orgânica da Toró - Gastronomia Sustentável com o cardápio "Aproveitamento total do Alimento" para veganos, vegetarianos e não veganos.

ESPAÇO CULTURAL BANCO DA AMAZÔNIA – Das 9h às 15h, aberto com a exposição “Nós Inteiras”, das fotógrafas e artistas visuais Ana Catarina, Elza Lima, Evna Moura, Fatinha Silva, Luciana Magno, Marise Maués, Paula Giordano, Tília Koudela e Úrsula Bahia.

FOTOATIVA - Portas Abertas Circular – Das 8h às 20h – Com atividades de yoga, café da manhã, sebo, economia criativa, feira Marca D’Água, micro oficinas para crianças e adultos, apresentação da dupla Palhaços Estelares, Janela Para o audiovisual Amazônico, mostra bimestral e Ação Retratos, com Mireille Pic.

ISHTAR BELÉM ESPACO PARA GESTANTES – Realiza uma oficina de elaboração de plano de parto e exposição fotográfica – Na Rua Ferreira Cantão, 61. Apenas 25 vagas. Das 9h às 11h. 

KAMARA KÓ GALERIA – Tv. Frutuoso Guimarães, 61 – Um casarão lindo que abre com a exposição Timeline - Alberto Bitar, das 10h - 18h.
ROTEIRO GEO TURISTICO – Passeio pelas entranhas do bairro da Campina – Saída às 8h30 do Museu do Bonde, na Avenida Portugal.

BAIRRO DA CIDADE VELHA

ATELIÊ JUPATI – É outro casarão antigo só que na Trav. Gurupá? N. 250, Cidade Velha entre Trav. Dr. Rodrigues dos Santos e Trav. Cametá. Das 9h às 18h. Iniciando com delicioso café da manhã segue o dia com Feirinha de Artesanato e Exposições de Arte, apresentação Musical de Nicobates e Bate-Papo com as Artistas da Exposição “Os tempos das deusas”.

ESPAÇO VEM – Trav. Joaquim Távora, 214, entre Doutor Assis e Doutor Malcher. Horário: 10h às 19h. A programação é das 10h às 19h e traz loja autoral, bazar e oficina de Jardinagem para crianças. O espaço traz o Quintal Paraense, com comidinhas bem nossas e música ao vivo.

MUSEUS DO SIM – Museu de Arte Sacra, Galeria Fidanza, Forte do Presépio e Museu do Círio abrem com entrada franca de 09h às 17h,  exceto a Corveta Museu Solimões que funcionará de 9 às 13h e a área externa do forte que funcionará até as 18h. 

BAIRRO DO REDUTO

CASA DO FAUNO – Casarão antigo, aconchegante, na Rua Aristides Lobo, n?1061, entre Benjamim e Rui Barbosa. Café da manhã, a partir das 8h. No almoço, música do Forró das Três e Meia - sabores do Norte e Nordeste. De tarde, às 17h, tem Café Filosófico Especial com Alice M., Mestra em filosofia pela UFMG, sobre estilo de vida.

O Liberal
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