Casal dança durante trabalho de parto em maternidade pública do Pará

Parto humanizado é uma das práticas na Fundação Santa Casa de Misericórdia

Com informações da Agência Pará

Potyara Carvalho, de 21 anos, e o marido, Márcio Lopes, dançaram durante o trabalho de parto para o nascimento de Pérola, primeira filha do casal. A experiência foi vivida no mês passado em uma maternidade pública do Pará. Em mais de 45 horas em que esteve na Fundação Santa Casa de Misericórdia, aguardando pelo nascimento, o casal - que dança profissionalmente - foi estimulado pela equipe assistencial a compartilhar a arte durante este momento. 

“Durante toda a gestação a gente continuou dançando por saber dos benefícios para a saúde como a melhoria da respiração e para que eu não ficasse sedentária. Claro que não podia exagerar, fazer movimentos aéreos. Mas se não fosse a dança, talvez eu tivesse sofrido mais no parto. A dança faz parte da minha vida, é um trabalho que amamos fazer”, conta Potyara. “No hospital eu esqueci do mundo, era só eu, minha filha e ele. Nem tenho palavras para descrever, foi algo natural, que fluiu espontaneamente”, complementou. 

A criança que já tem um mês fora do útero sentiu a dança antes mesmo de os pais confirmarem a gravidez. “Estávamos em uma competição no Rio de Janeiro e nosso técnico suspeitou”, lembra Márcio, que teve que substituir a parceira no concurso e ainda assim garantiu o terceiro lugar. Hoje Pérola só dorme quando a colocam para dançar. 

A identificação do talento do casal foi uma das estratégias para alívio da dor. Na Santa Casa, a equipe obstétrica utiliza também outras tecnologias não invasivas como musicoterapia, aromaterapia, banho quente, além de instrumentos como cavalinho, bola, barra de ling e banqueta em forma de lua. De acordo com a enfermeira obstétrica Conceição Barros, o parto humanizado não está relacionado à via de nascimento -  natural, induzido ou por cirurgia cesariana. “É acolher de tal forma que a parturiente consiga dizer o que quer. É respeitar o protagonismo da paciente”, afirmou Conceição.

Entre as formas de atendimento humanizado estão a substituição de apelidos como ‘mãezinha’ e ‘florzinha’ pelo próprio nome da parturiente; e a promoção do contato pele a pele, de acordo com a profissional que já acompanhou mais de 20 mil partos em duas décadas de atuação. “A Potyara veio bem informada, com um plano de parto pronto, ela sabia dizer o que queria e a equipe acatou. É importante esclarecer o processo e pactuar com a paciente ”, lembra a enfermeira obstétrica.

Por ser um hospital de porta aberta, a Santa Casa recebe pacientes de diversos municípios. Cerca de 1.000 nascimentos são registrados mensalmente, sendo 53% cesáreas e 47% partos vaginais. “Realizamos até 40 partos por dia, as cirurgias são mais frequentes devido a algum risco materno ou fetal, já que o perfil da Santa Casa é de casos mais graves e as situações de risco habitual são encaminhadas para Unidades de retaguarda. As cesarianas são bem recebidas quando bem indicadas, mas oferecem maiores complicações com anestesia, cicatrização ou infecção”, explica a gerente do Centro Obstétrico, Clélia Salustrino. Por isso, a instituição objetiva reduzir para 45% o número de cirurgias desse tipo até o final de 2020.

O Liberal
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