No último grito de Carnaval, bloco Chulé de Pato comemora 25 anos pelas ruas do Guamá
A concentração iniciou na travessa Castelo Branco, entre as ruas dos Pariquis e Paes e Souza, a partir das 13h
Em meio ao último grito de Carnaval em Belém, o bloco Chulé de Pato deste ano marcou os seus 25 anos com um cortejo especial pelas ruas do bairro do Guamá nesta quarta-feira (18). A concentração iniciou na travessa Castelo Branco, entre as ruas dos Pariquis e Paes e Souza, a partir das 13h. O festejo também é marcado pela distribuição de sopa. Segundo a organização, a sopa é servida a cerca de 1.500 foliões, para ajudar na recuperação da ressaca no outro dia pós-folia.
Logo após o “Parabéns”, com direito a bolo, os foliões iniciaram o cortejo por volta das 16h. O trajeto começou na travessa Castelo Branco com a Caripunas, seguiu até a Silva Castro, depois até a José Bonifácio, entrando em direção à área da Feira para acessar a Barão de Igarapé-Miri. De lá, o bloco continuou pela Barão de Mamoré até a Silva Castro, retornando à José Bonifácio, entrando na Pariquis e subindo novamente a Castelo Branco, até o ponto de concentração, entre as ruas Caripunas e Paes e Souza.
O presidente e organizador do bloco, Paulinho Mururé, relembra que a folia nasceu em 2001 como uma brincadeira entre amigos, no bairro do Guamá. Ele conta que decidiram fundar o grupo ao perceberem que muitas pessoas não tinham condições de comprar fantasias de escolas de samba. Por isso, o bloco nasceu com a proposta de permitir que, na Quarta-Feira de Cinzas, todos pudessem brincar gratuitamente, da forma que quisessem: com maizena na cabeça, uma florzinha ou qualquer outra fantasia simples.
“E, ao mesmo tempo, mostramos para os jovens como eram os antigos carnavais, aqueles carnavais dos anos 50 e 60, em que você ouvia marchinhas. Um dos objetivos do Chulé de Pato é fazer com que essa cultura não morra, que essa cultura permaneça viva através do Chulé de Pato e de outros blocos aqui. Hoje, nós temos uma sopa para 28 foliões, nós temos um bolo de 5 metros, e esse bolo está sendo distribuído. E temos uma bandinha cantando marchinhas de Carnaval”, relata Paulinho.
Motivo especial
Paulinho explica, ainda, o motivo do bloco sair sempre na quarta-feira: “Na quarta se dá um destaque melhor. Na terça-feira, as pessoas vão para outros lugares. E, a quarta-feira, para mim, será exclusiva para o Chulé de Pato. Em 2027, estaremos aqui novamente. Para o tema do bloco, no próximo ano, vamos trabalhar na questão da Amazônia, a biodiversidade, a destruição, para que as pessoas poluam menos e para que não destruam nossas matas”, relata o organizador do bloco ao lembrar da importância de unir conscientização e folia.
Homenagem
Morador do bairro do Guamá, o cantor paraense Pinduca compareceu à festa na tarde desta quarta-feira e, em uma homenagem simbólica da organização do evento, ganhou um abadá. Ele mora nas proximidades do cortejo do bloco e, em um breve pronunciamento, agradeceu por ter sido chamado para esse momento. “Chulé de Pato é quem representa aqui o nosso bairro, eu estou contente pela homenagem que o Chulé de Pato está prestando aqui na porta da minha casa. Aqui é a casa do Chulé de Pato também”, diz.
Diversão
A costureira Jamile Oliveira, 52 anos, relata que mora no Castanheira e sempre participa do bloco Chulé de Pato. Ela conta que morou por anos na Cremação e, por isso, sempre frequenta o evento. E, mesmo após se mudar, continua participando e afirma que faz questão de participar porque gosta da festa. “Sempre venho para o Chulé de Pato porque meus amigos moram aqui perto, e aí é um encontro. Eu sempre venho fantasiada, e este ano foi de Medusa. É um bloco que não tem perigo, só vem família, e eu me sinto segura. Vim fantasiada de Medusa”, relata.
E há foliões de longa data. A aposentada Regina Furtado, 59, relata que curte o Chulé de Pato há 20 anos. Ela conta que foi morar na travessa Castelo Branco, onde o bloco é realizado, aos 11 anos, quando passou a morar no bairro. “Começou numa brincadeira muito gostosa no final de Carnaval, e o Paulo Mururé, que estudou comigo e é meu grande amigo, e eu começamos a brincar. E ele nunca imaginou que seria um bloco, que ia se formar. E é tão contagiante que a rua toda e o Guamá todo participa. Eles deixam até de ir trabalhar para participar do Chulé de Pato”, lembra.
Regina também conta que a presença no bloco é indispensável e que, para ela, essa é a única opção de diversão no Carnaval: “Eu me guardo só para o Chulé de Pato. Aqui a gente brinca com toda a vizinhança e com todo o guamaense. E a gente gosta disso, é uma coisa assim como contra uma família. Isso é tradição. É uma união tão incrível, uma confraternização tão linda, que tem aquele respeito. Todo mundo brinca igual, como se fosse irmão”, comenta Regina.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA