A ativista Lourdes Barreto, pioneira na luta pelos direitos das trabalhadoras sexuais, foi uma das homenageadas no desfile da Unidos do Porto da Pedra no último sábado (14). Com o enredo “Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite”, a agremiação desfilou no segundo dia da Série Ouro do Carnaval 2026. Lourdes nasceu na Paraíba, mas fixou residência em Belém nos anos 50. Aos 83 anos, ela é uma das primeiras ativistas dos direitos das trabalhadoras sexuais e foi eleita uma das 100 mulheres mais influentes do mundo pela BBC.
A Unidos do Porto da Pedra levou para a Marquês de Sapucaí cerca de 70 profissionais e ex-profissionais do sexo, como Raquel Pacheco, conhecida pelo pseudônimo Bruna Surfistinha, que ficou famosa ao narrar sua trajetória como prostituta de luxo; Elisa Sanches, influenciadora e produtora de conteúdo adulto; e a modelo Andressa Urach. No encerramento, em seu último carro alegórico, a agremiação transformou o desfile em um ato político com a alegoria “Uma Puta Mulher!”, que propôs a ressignificação da palavra “puta” — até hoje usada como xingamento — para uma expressão de orgulho, força e luta pelos direitos das mulheres.
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O carro trouxe uma escultura da ativista Lourdes Barreto e também homenageou Gabriela Leite, fundadora da grife Daspu. Ambas foram pioneiras na criação do movimento das trabalhadoras do sexo no Brasil, que luta por direitos civis e trabalhistas, além de combater a estigmatização. Estavam também as ativistas Indianarae Siqueira e Raquel Pacheco como destaques. A alegoria reuniu ainda representantes de ONGs e coletivos de trabalhadoras sexuais de diferentes regiões do país. Juma Santos representou a Tulipas do Cerrado, movimento do Distrito Federal, e comentou a emoção de participar do momento.
Cleide Almeida, que também estava na alegoria e integra a Vila Mimosa, famoso reduto de prostituição do Rio de Janeiro, ressaltou a importância de Lourdes e Gabriela para o movimento. “A figura de ambas começou toda essa história. Elas são como as nossas ancestrais e nós estamos dando continuidade a essa luta, que é de resistência e de empoderamento, pela justiça social e direitos humanos”, comenta Cleide. Amiga de Cleide, Betânia Santos, profissional em São Paulo, completou: “Para a gente, essa homenagem é muito forte. Lourdes Barreto e Gabriela Leite são as protagonistas na defesa do trabalho sexual e das prostitutas do Brasil”.
Sobre a ressignificação do slogan “Lute como uma puta”, Cleide leva uma certeza consigo: “A Gabriela sempre achou que tínhamos que quebrar esse tabu. Quanto mais as pessoas se acostumarem a falar ‘eu sou uma puta’, a sociedade vai aceitar um pouco mais, com mais respeito e dignidade”. Betânia enfatizou o poder de levar essa mensagem para uma vitrine mundial como a Sapucaí: “É para que mais pessoas entendam que a profissional, assim como qualquer outro cidadão, tem direito, além das necessidades básicas, ao lazer, ao trabalho e à cultura”, completa.
