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CASO MASTER

Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso, diz jornal

Mensagens obtidas pela PF mostram banqueiro questionando ministro do STF sobre investigação do Banco Master e possíveis medidas contra ele

O Liberal

1 de setembro de 2026 às 15:54

Vorcaro e Alexandre de Moraes

Vorcaro e Alexandre de Moraes ( Foto: Esfera Brasil / Divulgação / CP e Agência Brasil )

O banqueiro Daniel Vorcaro perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal (PF), em novembro de 2025. A mensagem foi enviada em 15 de novembro, quando Vorcaro questionou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. As conversas foram reveladas nesta terça-feira (1º) pelos jornalistas Felipe de Paula, Fausto Macedo e Aguirre Talento, do jornal O Estado de S. Paulo. As mensagens fazem parte da investigação da PF sobre o Banco Master.

Dois dias após a pergunta, em 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela PF no Aeroporto Internacional de São Paulo. Ele se preparava para embarcar em um jato particular com destino inicial a Malta e, depois, a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Na ocasião, investigadores levantaram a suspeita de que o banqueiro tentava deixar o país para escapar da prisão.

Segundo o Estadão, mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que ele e Moraes conversaram sobre o avanço das investigações e possíveis medidas contra o dono do Banco Master nos dias anteriores à prisão.

A avaliação de investigadores citada pelo jornal é de que os diálogos podem indicar o compartilhamento de informações sensíveis sobre a investigação, incluindo possíveis datas e horários de diligências da PF. Parte das respostas de Moraes, porém, não foi recuperada pelos investigadores.

Questionamentos

Em 4 de novembro de 2025, Vorcaro já questionava Moraes sobre possíveis medidas cautelares. “Médio a grave seria busca ou quebra de sigilo?”, perguntou. Na sequência, insistiu: “Mas pedido deferido por parte deles? Algo que dê pra bloquear?”.

Segundo o Estadão, as mensagens podem indicar que Vorcaro tinha informações sobre possíveis ações contra ele. Em outro momento, o banqueiro escreveu: “Só vai saber qdo ele chamar né”.

Em 6 de novembro, Vorcaro voltou a procurar Moraes e perguntou: “Como estamos aí? Conseguiu bloquear a maldade? Isso é Brasília? Sabe o tema? Está seguro ou tem que entrar agora urgente?”.

Naquele período, Vorcaro negociava a venda do Banco Master para um consórcio formado pela Fictor Holding Financeira e investidores dos Emirados Árabes Unidos. A operação não foi concluída após a prisão do banqueiro e a liquidação do banco pelo Banco Central, em 18 de novembro.

Prisão

Na véspera da prisão, em 16 de novembro, Vorcaro perguntou a Moraes: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”. Naquele momento, a ordem de prisão preventiva ainda não havia sido assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. A decisão foi assinada às 15h29 do dia seguinte, horas antes da prisão.

No dia 17, já durante a operação, Vorcaro voltou a perguntar a Moraes se havia alguma novidade e escreveu: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Também informou que tentava antecipar investidores para concluir parte das negociações envolvendo o Banco Master.

Pedidos

As mensagens mostram ainda pedidos de Vorcaro para que Moraes tentasse evitar medidas que poderiam afetar o banco. Em uma das conversas, o banqueiro afirmou que uma eventual medida contra ele poderia comprometer os negócios: “conseguem medida contra agora, vai tudo por água abaixo”. Em seguida, escreveu: “Essa minha maior preocupação”.

Mais tarde, pediu a Moraes que impedisse uma eventual ação: “Pelo amor de Deus, veja se você consegue bloquear toda maldade. Como eu disse não temos nada, nem o Banco Central abriu sequer um processo administrativo, e eles me auditam todos os dias”. Vorcaro também afirmou estar disposto a prestar esclarecimentos e pediu que o ministro o avisasse depois de conversar com outras autoridades.

Mensagens

Outras mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que o advogado Walfrido Warde manteve contato telefônico com o juiz responsável pelo caso horas antes da prisão. “Estamos infernizando o cara”, escreveu Warde ao banqueiro.

O então advogado de Vorcaro, Pierpaolo Cruz Bottini, também aparece nas conversas. Segundo o banqueiro, Bottini avaliava medidas jurídicas para tentar direcionar o caso a determinada vara.

Os investigadores não conseguiram reconstruir toda a comunicação entre Vorcaro e Moraes. Segundo o Estadão, os dois utilizavam mensagens em modo de visualização única. Vorcaro também fazia capturas de textos escritos no aplicativo de notas e as enviava ao ministro. Com isso, a extração do celular recuperou mensagens enviadas pelo banqueiro, mas não necessariamente as respostas de Moraes.

A investigação sobre o Banco Master tramitava inicialmente na primeira instância. Em dezembro de 2025, o caso foi enviado ao STF por determinação do ministro Dias Toffoli, após a identificação de transações imobiliárias envolvendo Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem foro privilegiado.

Posteriormente, Toffoli deixou a relatoria, que passou ao ministro André Mendonça. Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março de 2026. Antes disso, havia sido solto em 29 de novembro de 2025 por decisão da Justiça Federal.