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INTOLERÂNCIA

Universitários do Paraná atacam bolsistas e compartilham mensagens nazistas

As conversas foram divulgadas no domingo (25), após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O Liberal

2 de novembro de 2026 às 21:44

Mensagens ganharam repercussão nas redes sociais

Mensagens ganharam repercussão nas redes sociais ( Foto: Reprodução / g1 )

Alunos do curso de Medicina de uma faculdade particular de Maringá, no norte do Paraná, foram expulsos após compartilharem mensagens com ataques a bolsistas e referências ao nazismo em um grupo de WhatsApp da turma. As conversas foram divulgadas no domingo (25), após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República.

A instituição informou, no sábado (31), que concluiu uma sindicância interna e aplicou medidas disciplinares aos estudantes envolvidos. Além dos desligamentos, foram determinadas suspensões e advertências, conforme a gravidade das condutas. A universidade, no entanto, não informou quantos alunos receberam cada punição. As informações sobre o caso foram divulgadas pelo g1.

O portal de notícias optou por não identificar os estudantes envolvidos, uma vez que o caso ainda está sob investigação e pode envolver menores de idade.

Em uma das conversas, um estudante fez comentários de superioridade em relação aos bolsistas, estabelecendo uma comparação entre aqueles que pagam mensalidades e os que conquistaram vagas por meio de processos seletivos vinculados a programas sociais.

"Quem paga trabalhou e tem 15 mil [reais] por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha", escreveu outro estudante.

Além dos ataques aos bolsistas, imagens e expressões associadas ao nazismo também foram compartilhadas no grupo. Em uma das mensagens, um aluno publicou uma fotografia do exército nazista acompanhada de referências ao "leite cru", expressão utilizada por grupos na internet que defendem a supremacia branca.

Após a repercussão das mensagens, estudantes da instituição apresentaram uma denúncia ao Ministério Público Federal (MPF). O órgão confirmou o recebimento da denúncia e informou que apura o caso.

Um estudante relatou que tanto os universitários responsáveis pelas ofensas quanto aqueles que foram alvo das mensagens deixaram de frequentar a instituição desde que o caso ganhou repercussão.

"É um clima hostil na faculdade, um clima hostil nos grupos, que vai muito além de divergências políticas. Parece que o contexto da eleição foi apenas um pretexto para eles extravasarem o ódio às pessoas mais pobres", afirmou o estudante, que preferiu não ser identificado.

O que diz a instituição de ensino?

Em nota, a UniCesumar informou que concluiu, em 30 de outubro, a sindicância interna aberta para investigar as mensagens compartilhadas pelos alunos. A decisão da Reitoria foi baseada nas recomendações da comissão responsável pela apuração.

A instituição confirmou a aplicação de desligamentos, advertências e suspensões, conforme a gravidade de cada conduta.

A universidade também reafirmou o compromisso com a ética, o respeito à vida e a formação dos estudantes, além de repudiar qualquer forma de discriminação ou preconceito.

O que diz o CRM?

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) afirmou que as atitudes atribuídas aos estudantes contrariam os princípios do Código de Ética do Estudante de Medicina.

Segundo o conselho, a formação médica exige compromisso com a saúde e o bem-estar da população, sem discriminação de qualquer natureza. O órgão também destacou que manifestações preconceituosas são incompatíveis com os valores que devem orientar o ambiente de formação profissional.

O CRM-PR informou que adotará as providências cabíveis dentro de suas atribuições e acompanhará o caso, contribuindo para uma apuração rigorosa e transparente pelas instâncias competentes.

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