O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, que aborda a valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal, coloca em discussão a importância histórica da assistência pública e os desafios para garantir o acesso à saúde a toda a população brasileira. Para professoras de Língua Portuguesa de Belém, a proposta é acessível aos candidatos, mas exige atenção ao recorte temático para que a discussão não se distancie do que foi solicitado pelo exame.
Um dos principais aspectos que podem ser explorados na discussão é a trajetória histórica do SUS e sua relação com a Constituição Federal de 1988. Segundo a professora Chimênia Pinheiro, a criação do sistema representou uma mudança importante na garantia do direito à saúde no país, rompendo com um modelo em que a assistência médica estava condicionada ao vínculo formal de trabalho.
“O SUS é reflexo da Constituição Cidadã, de 1988, tornando-se, apesar dos desafios, o maior sistema público de saúde universal e em desenvolvimento”, afirma a professora.
A docente destaca que a consolidação do sistema é resultado de mobilizações sociais e da Reforma Sanitária, movimento que contribuiu para estabelecer a saúde como direito de todos e dever do Estado. Para ela, essa transformação representa uma conquista histórica, especialmente por garantir que o acesso à assistência médica não esteja restrito à condição profissional ou financeira dos cidadãos.
A professora Cindy Hage também chama atenção para as desigualdades históricas no acesso à saúde: "Durante muito tempo, o atendimento médico de qualidade esteve concentrado nas camadas economicamente privilegiadas da sociedade, enquanto a população de baixa renda enfrentava dificuldades para conseguir assistência".
Nesse contexto, Cindy destaca a importância do SUS para ampliar o acesso à assistência médica e atender grupos historicamente marginalizados.
Valorização do SUS é um dos principais desafios do tema
Apesar da variedade de possibilidades de discussão, Chimênia considera que um dos principais cuidados relacionados à proposta está na compreensão do recorte apresentado pelo exame. Segundo ela, o foco não está apenas nos problemas da saúde pública brasileira, mas na valorização do SUS como um direito universal.
“Compreender o recorte do tema é fundamental para não tangenciar ou fugir do assunto. A abordagem tem como foco o SUS e sua valorização como direito universal”, explica.
A professora ressalta que a universalidade do sistema está relacionada à garantia de acesso à saúde para todas as pessoas, de maneira igualitária. Dessa forma, a discussão sobre a valorização do SUS também envolve o reconhecimento de que a assistência pública é um direito constitucional.
O sistema também permite discutir diferentes áreas da saúde, como vacinação, atendimento à população idosa e assistência em saúde mental.
Na mesma linha, Cindy cita, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) como exemplo da contribuição do sistema para ampliar o atendimento à população. “Na área da saúde mental, a criação, por exemplo, dos CAPS é um avanço que demonstra como a implementação do SUS é ampla”, diz a professora.
Tema da redação do Enem é considerado acessível
Na avaliação de Chimênia Pinheiro, a proposta é acessível e oportuna por tratar de um assunto presente no cotidiano dos brasileiros. A professora observa que boa parte da população já utilizou algum serviço oferecido pelo SUS, o que aproxima os candidatos da discussão.
“A vacinação no contexto da pandemia, por exemplo, legitima a vivência dos brasileiros com o SUS”, afirma.
Cindy Hage também considera que o tema apresenta dificuldade entre fácil e média. Para ela, a amplitude do assunto permite que os estudantes mobilizem conhecimentos adquiridos em diferentes disciplinas e experiências sociais.
“Quando a gente fala em saúde, SUS, é algo amplo que eles podem falar sobre saúde mental, sobre a saúde do idoso, sobre as campanhas de vacinação, sobre o combate ao câncer”, avalia.
A professora compara a proposta a temas mais específicos, que exigiriam conhecimentos direcionados a determinados grupos sociais. Nesse sentido, a discussão sobre o sistema público de saúde oferece um repertório mais abrangente.
