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investigação

Milton Leite é considerado foragido em operação contra PCC

Ex-vereador e presidente do União Brasil em São Paulo é alvo de mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta

O Liberal

17 de setembro de 2026 às 07:40

Milton Leite

Milton Leite ( Foto: Afonso Braga / Secom )

A Polícia Civil de São Paulo declarou o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil), como foragido nesta quinta-feira (17). Ele é alvo de um mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo.

Milton Leite não foi localizado pelos policiais em sua residência para o cumprimento do mandado. Conforme apurado pela GloboNews, a polícia o considera foragido devido às circunstâncias encontradas no imóvel. Agentes permanecem no local para cumprir mandado de busca e apreensão.

Em nota, o ex-vereador afirmou estar viajando e negou a condição de foragido. "Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações", declarou.

De acordo com informações obtidas durante a diligência policial, Milton Leite estava em casa até a tarde de quarta-feira (16). Uma funcionária relatou aos policiais que ele havia saído à noite para um compromisso de campanha.

Além de Milton Leite, foram presos Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da São Paulo Transporte (SPTrans), e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual.

No total, a operação visa cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. As ações ocorrem em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Suposta Influência de Milton Leite no Setor de Ônibus

Segundo apuração da GloboNews, a investigação indica que decisões estratégicas envolvendo empresas de transporte com suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite. Essa conclusão é sustentada, conforme investigadores, pela análise de interceptações e por elementos de outras investigações sobre o papel decisório do ex-vereador.

No pedido que embasou a operação, Milton Leite é apontado como responsável direto pela operação de algumas das empresas que, segundo a apuração, seriam controladas pela facção. O documento também cita declarações de policiais militares, prestadas ao Tribunal de Justiça Militar, que o identificam como o dono de fato da Transwolff.

Milton Leite encerrou sua vida pública no ano passado, após sete mandatos como vereador e quatro presidências na Câmara Municipal. Atualmente, ele preside o União Brasil na capital paulista e, em julho, foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista (UP), que engloba o União Brasil e o Progressistas (PP).

A Operação Vectura Corrupta é conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Mogi das Cruzes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.

Prisão do Ex-Presidente da SPTrans

Entre os detidos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Investigadores afirmam que, embora Levi não apareça como interlocutor direto de José Daniel Satilite – apontado como figura central do esquema –, ambos teriam realizado encontros periódicos.

A investigação sustenta que essas reuniões tinham como objetivo tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transporte, especialmente após a deflagração da Operação Fim da Linha pelo Ministério Público de São Paulo, em 2024.

Outra linha da operação levou à prisão de Danilo Marco Morgado Silva, que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024 e era candidato a deputado estadual, tendo seu registro cassado. Ele foi detido nesta quinta-feira.

Danilo já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Decurio. A Polícia Civil indica que esta nova etapa da investigação identificou um "forte vínculo" dele com integrantes do PCC e indícios de que sua campanha à prefeitura teria sido financiada pela organização criminosa.

Empresas de Ônibus Sob Suspeita

A investigação identificou 12 empresas de transporte coletivo de passageiros que seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC. São elas:

  • Viação Transcap
  • Alfa Rodobus
  • Transwolff
  • A2 Transportes
  • Imperial Transportes
  • Move Bus
  • Pêssego Transportes
  • Allianz Transportes
  • Transunião
  • Qualibus Transportes
  • Norte Bus
  • Spencer Transportes

Parte dessas companhias já havia sido mencionada em investigações anteriores da Polícia Civil e do Ministério Público sobre a atuação do PCC no setor.

A Transwolff, por exemplo, foi alvo da Operação Fim da Linha, e seu então presidente, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, foi preso sob suspeita de vínculos com a facção. A investigação da Vectura Corrupta também destaca que a Alfa Rodobus e a Sancetur assumiram operações que antes eram realizadas por Transwolff e UpBus após a operação de 2024.

Segundo a Polícia Civil, os elementos coletados indicam uma possível infiltração da organização criminosa no sistema de transporte público da capital, com a atuação de integrantes e intermediários do PCC em empresas e procedimentos licitatórios.

A 'Sintonia dos Gravatas' em Foco

Outra frente da operação investiga a chamada "Sintonia dos Gravatas", núcleo composto por advogados que, segundo a polícia, atuaria diretamente em benefício da organização criminosa, excedendo os limites da prática profissional da advocacia.

Entre os advogados investigados estão Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu. A investigação aponta que escritórios e contas bancárias teriam sido usados para reuniões, movimentações financeiras e outras atividades de interesse da facção.

O principal investigado apontado nesta fase é José Daniel Satilite, conhecido como Alemão. A Polícia Civil afirma que ele integra o PCC e atuaria como intermediário entre empresários, advogados, políticos, pessoas próximas a políticos e membros da facção.

Histórico das Apurações Contra a Facção

O avanço atual é um desdobramento direto de duas operações anteriores. Em abril de 2026, a Polícia Civil e o Ministério Público realizaram a Operação Contaminatio, focada na estrutura de uma fintech gerida pela facção. O objetivo do grupo era usar a empresa de tecnologia financeira para infiltrar-se em prefeituras e gerenciar o recebimento de tributos, taxas e o contato direto com munícipes.

Nessa etapa, a investigação desarticulou a rede de doleiros e operadores de criptoativos usada na lavagem de dinheiro e prendeu um ex-vereador de Santo André.

Toda a apuração teve início em agosto de 2024, com a Operação Decurio. Após a apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba, investigadores extraíram dados do celular da mulher de um dos líderes da facção.

As informações do aparelho levaram à identificação e prisão de chefes da chamada "Sintonia Final" e à descoberta da fintech, que chegou a movimentar cerca de R$ 8 bilhões.

Foi também na primeira fase que surgiram as evidências iniciais do braço político da organização, com a identificação de campanhas de vereadores patrocinadas pela facção e o envolvimento de servidores comissionados em prefeituras do estado.

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