O jornalista paraense Ulisses Campbell, autor do livro "Suzane - Crime e Punição", que conta a história do assassinato cometido por Suzane von Richthofen contra os próprios pais, afirmou estar surpreso com o pedido de liminar feito pela defesa dela para tentar barrar a publicação.
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Segundo ele, o comum seria esperar o livro ser lançado para depois acionar a Justiça. “Ela se antecipou e entrou com um pedido de liminar, pedindo pro livro não ser lançado, só que ela perdeu”. A obra vai ser lançada no início de 2020, ainda sem data definida, em quatro cidades: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Belém.
Para a publicação, foram três anos de pesquisa, entrevistando pessoas, entre eles, o ex-cunhado de Suzane, Cristian Cravinhos. “Ela não pode entrar na Justiça contra algo que ela não sabe nem o que tem, ela não teve acesso a nenhum conteúdo do livro. Agora, claro, a defesa pode argumentar o que quiser, está no papel dela”, disse o escritor.
Ulisses Campbell afirmou que não está preocupado com a decisão judicial, por se tratar de um livro-reportagem, que não precisa da autorização da pessoa citada ou envolvida para ser publicado. “O STF [Supremo Tribunal Federal] já tem decisões semelhantes tomadas nesse sentido. Quando ela usa esses argumentos, caracteriza censura porque fere a liberdade de expressão”, alega o autor.
Ao portal R7, a defesa de Suzane afirmou que ela não tem interesse na publicação e que nunca foi ouvida pelo jornalista, por isso há fatos não verídicos.
“A Suzane não foi procurada para contribuir com o livro. Ela procurada para dar entrevistas, por quatro vezes, mas não quis. A defesa diz que ela não foi procurada, mas está mentindo ou desinformada. Inclusive, quando a procurei pela primeira vez essa advogada nem trabalhava pra ela ainda, Suzane era defendia por outro advogado”, garante Ulisses.
O autor conta que, mesmo com as negativas para entrevistas, procurou pessoalmente Suzane na porta da penitenciária de Tremembé. “Em uma das vezes, ela disse que só queria participar do livro se eu não abordasse a questão religiosa e eu não quis atender isso. Pra fazer biografia ou livro-reportagem, ela não precisa ser procurada”, alegou.
“Ela diz que o livro mancha a reputação dela, mas o que mancha mesmo a reputação dela é o que ela fez, mandou matar os pais dela. Isso sim mancha a reputação de uma pessoa e não um livro que se atem a contar a história do crime”, retrucou Campbell.
