Uma imagem que circula nas redes sociais mostra uma garota inalando gás de um botijão durante uma festa em um barco. Ao que parece, trata-se do R-22, geralmente utilizado para refrigeração em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado.
Na primeira parte do registro, é possível ver uma mulher cercada por amigos ajustando o botijão e levando uma mangueira até a boca. Na segunda parte, ela está sentada com a cabeça jogada para trás, apoiada na lateral do barco.

O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, um dos maiores especialistas em dependência química do Brasil, diz que o R-22 não tem propriedades alucinógenas. “O efeito que ele causa é entorpecedor. Vários outros gases fazem o mesmo, como o do isqueiro. São todos solventes orgânicos”, diz o médico. “No fundo, são diferentes formas de se usar um solvente orgânico, o que acaba causando um efeito cerebral muito semelhante ao provocado pelo álcool. A pessoa apaga.”
Para efeito de comparação, o professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), Reinaldo Bazito química explica que o que ocorreu com a garota da imagem é semelhante ao que acontece com mergulhadores quando retornam muito rapidamente para a superfície. “Quando o gás é inalado, há um aumento muito abrupto de nitrogênio no sangue. Isso provoca a narcose”, diz.
“As pessoas desenvolveram acessos a outros solventes como esse gás. O problema é que ninguém sabe a dose boa para cada uma delas na hora de usar como droga”, afirma. “A dose para se ter um baratinho para uns, pode ser o suficiente para causar uma parada respiratória para outros”, comenta Laranjeiras.
O gás R-22 está disponível para venda em diversos sites. No Mercado Livre, ele é comercializado em botijões, em pequenos cilindros ou em latas. Os preços variam de 79 a 500 reais.

