A concessão da hidrovia do Rio Tapajós, no Pará, foi retirada da carteira de projetos prioritários do governo federal para o período de 2027 a 2030. Apesar da mudança, os estudos técnicos para viabilizar a concessão continuam em andamento, segundo informações da CNN.
Uma eventual retomada do projeto, porém, deverá envolver novas conversas com representantes de comunidades indígenas e ambientalistas, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito.
O tema também aparece no plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno da eleição presidencial. Conforme a CNN, o documento prevê a concessão da hidrovia e o diálogo com os povos indígenas da região.
A proposta se tornou um dos pontos mais delicados da agenda de infraestrutura do governo Lula devido à resistência de comunidades indígenas, que questionam os impactos das intervenções no rio e reivindicam participação nas decisões que afetam seus territórios.
A tensão aumentou no início de 2026, quando o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) contratou um serviço de dragagem de manutenção no Tapajós. Embora a intervenção não estivesse diretamente vinculada à concessão, comunidades indígenas consideraram que a medida contrariava compromissos assumidos pelo governo durante a COP30, em Belém, sobre a realização de consultas antes do avanço de projetos com impactos sobre seus territórios.
Após manifestações, incluindo a ocupação do terminal da Cargill em Santarém, no oeste do Pará, o governo suspendeu a intervenção.
O assunto voltou à pauta em meados deste ano, diante do risco de uma seca intensa na Região Norte associada à possível ocorrência de um El Niño de forte intensidade. A redução do nível dos rios pode comprometer a navegação e o transporte de cargas.
Nesse contexto, integrantes do governo voltaram a discutir uma dragagem emergencial no Tapajós. O presidente Lula, no entanto, desautorizou a execução do serviço, conforme noticiado pela CNN.
São Francisco
Com a retirada do Tapajós, a hidrovia do Rio São Francisco passou a integrar oficialmente a carteira de prioridades do governo federal para concessões hidroviárias no próximo ciclo presidencial, de 2027 a 2030.
A lista também contempla projetos nos rios Paraguai, Madeira e Tocantins, além da Lagoa Mirim e da Hidrovia Verde, que abrange a região da Barra Norte. Antes da atualização, o governo previa seis projetos de concessão hidroviária, com expectativa de realizar os primeiros leilões em 2027. A carteira anterior incluía o Tapajós.
A hidrovia do São Francisco possui aproximadamente 1.371 quilômetros de trechos navegáveis entre Pirapora (MG), Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). A retomada da navegação comercial é considerada uma alternativa para ampliar o transporte de cargas e conectar áreas produtoras do Sudeste e do Nordeste.
A estruturação da concessão está relacionada à transferência da gestão da hidrovia para a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), autorizada em meados deste ano. A descentralização estava prevista para o segundo semestre de 2026, e a companhia deverá participar dos estudos para uma futura concessão.
A carteira federal também mantém o projeto da Hidrovia da Lagoa Mirim, no Rio Grande do Sul. A proposta está em andamento e chegou à fase de audiência pública, em conjunto com a discussão sobre a concessão do canal de acesso aos portos gaúchos.
Já a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai foi reprogramada para 2027, após previsão inicial de leilão em 2026. Entre os pontos em discussão estão as negociações com Paraguai e Argentina sobre o modelo de gestão e a eventual cobrança de pedágio em trechos compartilhados.
A reportagem solicitou mais informações sobre o caso à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). No entanto, até a publicação desta matéria, não houve retorno.
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