Sobrevivência, novo filme da Netflix estrelado e dirigido por Ben Affleck, já está disponível no catálogo da plataforma. Além disso, ele também assina o roteiro da trama.
“O que me atraiu foi a questão principal do filme: ‘Quem somos de verdade quando as máscaras caem?’ No fim das contas, é uma história que busca entender se as pessoas realmente têm um código moral ou se simplesmente fazem o que é melhor para elas e depois criam uma narrativa em torno disso que se encaixa na moral que gostariam que os outros acreditassem que elas têm. Ou até uma combinação entre as duas coisas. Além disso, é um suspense muito tenso, que deixa a gente querendo saber o que acontece o tempo todo. Aliás, o desafio era justamente manter o público preso à trama e, ao mesmo tempo, abordar o tema da moralidade e como é traiçoeiro ceder em questões morais. Não existe exatamente um protagonista que seja o herói clássico; a opinião do público sobre cada personagem vai mudar constantemente, e eu queria que as pessoas se envolvessem tanto com as revelações sobre quem eles são quanto com a trama em si”, diz o artista.
Na trama, um candidato à prefeitura de Los Angeles e sua esposa, interpretada por Kerry Washington, têm o filho sequestrado e precisam correr contra o tempo para levantar o valor do resgate. Enquanto tentam salvar a criança, os dois veem-se envolvidos em uma teia de segredos e decisões que podem colocar tudo em risco.
“Já trabalhei tanto escrevendo em parceria, do zero, quanto pegando o que outras pessoas escreveram, identificando os trechos que realmente me impactavam e desenvolvendo mais essas ideias. Foi o que fiz aqui. Tentei explorar por conta própria aquilo que eu achava interessante, meio que sobrepondo e integrando esses elementos ao que os roteiristas anteriores tinham criado. Chegou a um ponto curioso em que, hoje, ao assistir ao filme, nem me lembro mais do que fazia parte do roteiro original que recebi e do que não fazia, pois tudo acabou se fundindo. É bastante parecido com a sensação de colaborar diretamente com alguém, lado a lado. Com o tempo, tudo se mistura em uma obra única, ou seja, ‘o filme’”, conta.
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O personagem de Ben, Mark Kimball, carismático candidato à prefeitura de Los Angeles, é um advogado endinheirado e com ambições políticas que mora em uma casa espaçosa e deslumbrante com a esposa, Abigail (Kerry Washington), e o filho pequeno, Denny (Christopher Woodley). Só que a fachada impecável esconde segredos: Mark anda tirando dinheiro às escondidas da conta do casal para salvar a campanha, que não decola, e Abigail, insatisfeita com o casamento, tem um caso extraconjugal.
“Tenho minha opinião sobre como Mark termina, mas não quis impor isso como a interpretação ‘certa’. Minha ideia era que, em um nível puramente cinematográfico, o final fosse gratificante e interessante, ou seja, resolver a tensão e oferecer um desfecho satisfatório, como em todo filme bom, mas deixando espaço para as opiniões de cada um. Para mim, algumas coisas são irônicas, mas algumas pessoas vão fazer uma interpretação mais literal. E está tudo bem. Nem todo mundo tem a mesma opinião sobre tudo neste país e no mundo, mas acho que podemos reconhecer algumas verdades fundamentais sobre os seres humanos. E esse é o equilíbrio que busco alcançar com o filme: oferecer satisfação emocional e narrativa sem determinar a opinião do público sobre os personagens no final”, explica.
