Para coração de mãe não tem tempo ruim. E isso é bem verdade quando se trata da história de Maria da Luz Ferreira. Ela acaba de completar 100 anos, na quarta-feira (13), em plena pandemia da covid-19, após ter nascido em 1920,logo depois da I Guerra Mundial e durante a crise da gripe espalhola. Vovó Nita, como é conhecida entre os familiares, também não gosta da pandemia e seus efeitos, como o isolamento social preventivo a essa doença. Ela já comentou que a covid-19 a impede de estar junto dos filhos e de eles a visitarem presencialmente. Mas, nada arrefece a alegria dela com a idade centenária.
“Eu fiz 100 anos ontem (13)”, afirmou, contente, dona Maria da Luz, nesta quinta-feira, à filha que mora com ela, a administradora Maria do Carmo Ferreira, 64 anos. Maria do Carmo não deixou a data passar em branco e, na quarta-feira, fez um “bolinho” para a aniversariante nascida em São Domingos do Capim. Ela e o marido Luís Orlando Leal, pastores da Assembleia de Deus – Belém,e a cuidadodora de Maria da Luz participaram do momento. “Mas, a grande festa a gente vai fazer depois da pandemia, pode aguardar”, destacou Oscar Ferreira, neto de Maria da Luz.
Solar
Vovó Nita teve 14 filhos, dos quais seis permanecem vivos: Urbano, que mora em Aurora do Pará; Raimunda, morando em Inhangapi; e mais Maria do Carmo, Maria de Lourdes, Cândido e Terezinha, todos residindo em Belém. Dona Maria da Luz mora na avenida Dr. Freitas, em Belém. Ela tem 49 netos, 83 bisnetos e 11 tataranetos. “Minha mãe sempre foi uma pessoa dedicada a Deus. Ela é evangélica, está sempre orando e cantando aqui em casa, e essa fé acaba por renová-la”, afirmou Maria do Carmo.
De uma época em que as dificuldades de acesso à escola eram bem grandes, dona Maria da Luz não teve muito estudo, mas se superou e aprendeu a ler e a escrever. Gosta de ler e escutar passagens da Bíblia. A família agradece a Deus pela saúde da Vovó Nita, que somente sente o peso dos anos por meio de dores nos ossos.

Mas nem isso, nem a saudade da presença física dos filhos e outros familiares a impediu de soprar as velinhas de 100 anos – não é para todo mundo que quer – ao completar um século de vida. Logo depois do “Parabéns”, Vovó Nita sentiu febre, mas graças a orações da família ela se restabeleceu e dormiu bem na rede. A vovó não abre mão de uma rede.
Ela gosta de estar com a família reunida, gosta das pessoas, apesar de já ter sofrido um bocado de situações vexatórias na vida. Tanto que não esconde que ao morrer quer ser sepultada no mesmo jazido do marido, Elízio da Luz Ferreira, falecido há 20 anos. Mas, no que depender da vontade de viver da Vovó Nita, Maria da Luz continuará sendo um farol dentro ou fora da pandemia da covid-19 por um bom tempo.
